segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Quando a boa formação está ao acaso.


No último sábado encontrei um colega de profissão. Nunca trabalhamos diretamente juntos, mas pertencíamos a mesma instituição. Dos breves encontros pelos corredores, sempre uma conversa rápida e uma admiração pela retidão profissional e tudo parava por aí, não tínhamos muito mais o que dizer. Mais a frente, acabei sendo professor de seu filho, e aí, deixamos este acontecimento ajudar em nossas conversas. Falávamos um pouco sobre o desenvolvimento de seu filho, sobre o ensino nas séries iniciais, e claro, falávamos um pouco de Educação Física.



Neste sábado em um encontro casual, rapidamente falamos sobre seu filho, no qual não dou mais aula. Falamos sobre as dificuldades e medos que as crianças enfrentam muitas vezes nessa descoberta da formação escolar, esportiva e pessoal. No meio dessa conversa, este meu colega me confidenciou que havia colocado seu filho em uma escolinha de esportes, mas que não durou muito tempo. Com o passar das aulas e o acompanhamento feito pelo pai, ele me contou que não gostava da maneira que o professor lidava com as aulas e alunos. Me contou sobre como o professor usava das aulas apenas para brincar, aleatoriamente com os meninos, como não havia feedback sobre a aprendizagem dos pequenos praticantes e como o professor atuava de forma omissa, sentando-se ao canto e deixando os meninos apenas jogarem, chamando aquilo de formação esportiva. Por fim, este meu colega de profissão, me confidenciou que se sentia sem graça de conversar com o professor, pois ele era "boa praça", e que preferiu mesmo tirar o filho de lá.

Entre uma educação ao acaso e uma brincadeira na rua, qual a diferença?

É claro que o pai agiu corretamente em tirar o filho de um trabalho que diz que vai formar a base esportiva e motora da criança e que na verdade trabalha ao acaso. Pensem comigo: se deixarmos os meninos na rua brincando, é bem provável que os meninos também se desenvolvam. Mas este desenvolvimento fica ao acaso, não recebe estímulos externos e não tem uma programação para tentar desenvolver outras potencialidades que o garoto possa demonstrar ter defasagem. Sem contar que nessa idade de formação, é fundamental a fala do professor pra lidar com os diferentes acontecimentos que cercam um jogo. É importante trabalhar os valores do jogo, onde nem sempre os melhores vencem, onde nem sempre perder é significado de menor entrega, capacidade ou dedicação. Mas, quero deixar claro, que trabalhando ao acaso, se deixarmos nossos alunos "livres" com o discurso de que "não estou fazendo especialização precoce", tudo pode acontecer, pro lado bom e ruim da formação.

Apesar de falar bastante sobre esse caso, o que mais me chamou atenção eu pouco enfatizei. O que mais me chama atenção negativamente e que quero começar a escrever sobre isso, é o caso do "boa praça". Diversos professores espalhados pelo Brasil, se escoram no carisma, no "gente boa", para darem suas aulas. Não estudam, não se reciclam, não tentam entender a demanda do local onde lecionam e tentam tratar com sorrisos, piadas, frases prontas e causar esta sensação que deu no pai que me confidenciou o caso que contei. O pai se sentia deslocado em exigir uma aula de qualidade pro filho, tudo porque o professor era uma "figura bacana". Somos por diversas vezes protecionistas a este tipo de caso. E saibam que não estou falando de professores de escolinhas apenas. Estou falando de professor de educação física em geral. Do ensino infantil, das academias, dos que atuam em empresas, passando por ensino fundamental, médio e certamente, ensino superior(graduação, especialização, mestrado e doutorado).

Improviso, frases prontas e carisma. Precisa algo mais?


Quando chega na área acadêmica então, a coisa se complica mais ainda. Muitos professores se aproveitam de suas titulações, pra afastar o seu nível conhecimento do nível de conhecimento dos alunos.Assim,  pouco estimulam seus alunos a desenvolverem a capacidade crítica de suas próprias aulas. O que acontece, é um silencioso pacto medíocre de "eu finjo que dou aula e você finge que aprende algo". Já passei por isso quando aluno. Não entendia a ligação entre o que o professor passava e o conteúdo que deveria ser trabalhado. Mas o professor era bacana, gente boa, amigo e eu achava que era aquilo mesmo então. Depois de estar formado, de começar a dar aulas e ver o que me faltava, descobrir minhas lacunas e conhecimentos que deveria buscar, descobri que muitos professores se aproveitam dessa relação hierárquica que existe na educação. "Eu sei mais que você, então você não tem capacidade para me questionar" Isso acontece muito! Muito mais do que possamos imaginar. E o que fazemos? Nada! Ou quase nada! Muitos agem como meu amigo me contou. Preferem esperar o fim do que tentar questionar,  e tentar ajudar não só o professor a melhorar, mas também a instituição ter uma aula com maior qualidade. Já vi professores doutores ensinando metodologias na universidade que contradiziam tudo o que eu estava estudando. O que ele pregava era tido com antigo e perigoso de se fazer. E sabe o que fiz? Me calei. Havia prova de avaliação do curso e eu me dizia: "Sou garoto, não tenho tanto conhecimento assim, como posso  avaliar um professor que já é doutor?"

Enquanto alunos, parecemos ter "preguiça" de mudar o que está errado.


Triste arrependimento, pois olhando agora pra trás, vejo o quanto contribuí para uma má formação de outros alunos que lá estudam hoje em dia. Não sei se mudaria algo, mas é aquela história de fazer a sua parte e ser condizente com o que se diz e se faz. Não estou fazendo uma apologia ao protesto, brigas e discussões. Estou apenas querendo ressaltar que você tem o direito de ter uma boa aula. Portanto, exija isso, de forma educada, inteligente, mas exija. Por vezes falo isso aos meus alunos da escola, é claro que devo errar a mão diversas vezes em minhas aulas, e os estimulo a me criticarem. Mas não a crítica pela crítica, estimulo uma crítica que tenha fundamento, novas propostas e uma ideia de melhorar a qualidade do ensino. Devo muito da minha evolução docente aos meus alunos. Isso é fato. Não tenho medo de ser julgado por eles, pois estou aberto as críticas, ao debate e as mudanças, mudanças minhas e deles também.

Bom de conversa, boa praça e não quer nada com o trabalho. Já viu gente assim lecionando?


Já vi professor universitário que dava aula a noite, um dia fixo na semana, com sua aula marcada pra terminar às 22h50, terminar sempre às 21h30. Por semana, ele negligenciava 80 minutos de aula. Consegue, imaginar o quanto de aula a menos ele dava por ano? Ruim essa situação, não é mesmo? Sabe o que os alunos achavam disso tudo?

"Maravilha! Esse professor é ótimo. Sempre termina mais cedo no dia que tem futebol na tv!"


Que tipo de ensino você quer? Você anda sendo crítico e contribuindo pra melhoria de seus professores e da instituição que você estuda?

Está na hora de começar a fazer algo. 


Pense nisso.


Abraço à todos.


PS: Quero deixar claro de que se estou aqui escrevendo isso, é porque lamento maus professores ocupando tantos espaços, pois eu tenho a certeza de que existem professores fantásticos, envolvidos, carismáticos, outros mais reservados, mas acima de tudo profissionais fantásticos, com sede de aprender, evoluir e levar seus alunos a melhorias sempre. Sou fruto de diversos desses. Não quero parecer que não acredito na profissão. Apenas estou tentando mostrar o quanto deixamos os medíocres dominarem os espaços existentes.

sábado, 10 de setembro de 2011

Sobre alunos e professores

Ontem em uma aula de educação física na escola, programei uma situação onde meu objetivo principal era fazer com que os alunos percebessem a necessidade de organização em diversos tipos de atividades, desde brincadeiras, até jogos esportivos. Tenho tentado mostrar aos alunos que o que nos acontece nos jogos é um pouco reflexo do que somos em sala de aula e por que não dizer na vida. Como planejado, alguns jogos geraram diversos conflitos de organização e como já esperado, tive de ir aos poucos intervindo tentando ajudar os alunos a perceberem que se organizar é uma tarefa que não garante o êxito, mas que te mostra caminhos escolhidos e a longo prazo pode ser capaz de te mostrar o que você pode fazer para melhorar.


Além disso, a riqueza de trabalhos assim é ver o quanto eles ainda têm dificuldade de se relacionarem e entenderem que nem todas as ideias podem ser assimiladas e praticadas ao mesmo tempo. Tudo então se torna um processo e o importante disso tudo, é ao final da aula, tentar avaliar os erros e acertos e quais tentativas ainda podem surgir para as próximas situações de aula. 

Mas confesso que uma fala de um aluno hoje me chamou a atenção e me lembrou algo que pensei recentemente. No meio do jogo, este aluno notou que sua equipe não conseguia manter a sua prévia organização. A equipe deu diversas ideias para serem praticadas no jogo, mas de acordo com a imprevisibilidade do jogo, com a atuação e oposição do adversário e a pouca comunicação entre eles, muitos começaram a tentar encontrar soluções sozinhos, o que acabou não dando um efeito positivo pra equipe (nem sempre é assim, as vezes reações assim acabam dando certo e é preciso saber intervir) e a partir daí a equipe começou a se desmotivar e a atuar pouco coletivamente. Percebendo este fato, fui em um aluno que considero influente na equipe e em meio ao jogo acontecendo o questionei do porquê que eles não tentavam se organizar pra melhorar a partida. Ele de uma forma um pouco desmotivada me respondeu: "Eu estou tentando, mas o grupo não quer ajudar!" 

Muitas vezes é bem mais fácil resolver os problemas do jogo sozinho com suas próprias habilidades.
Pensei rapidamente sobre essa resposta e perguntei a ele quem era esse grupo. Ele rapidamente me disse que era sua equipe. Aproveitando essa deixa, tentei questioná-lo se ele não fazia parte desse grupo e se talvez ele também não estivesse tentando o necessário para tentar melhorar. Disse a ele que muitas vezes quando vemos as coisas difíceis, acabamos por falar dos outros isoladamente como se não fizéssemos parte disso. Tivemos uma boa conversa, apesar de rápida, e levamos essa discussão para a conversa final da aula.

Esse fato me lembrou que dia 1º de setembro tivemos a "comemoração" do dia do profissional de educação física. Sinceramente não ligo muito pra esse dia que foi criado muito mais por uma tentativa de legitimação do conselho federal de educação física do que por qualquer outra coisa. Pra mim, nosso dia é 15 de outubro, dia do professor, pois assim me sinto, um professor acima de tudo. Mesmo falando assim sobre essa "data festiva", não vejo muitos motivos para festas, nem também recuso os parabéns pela data. Penso que com essa data até tenho chance de falar um pouco mais sobre minha área de atuação onde trabalho. Mas as coisas param por aí. Quando vejo tudo o que cerca essa data, vejo dois extremos que me preocupam. Primeiramente os relatos que vejo sobre o curso de educação física, vejo professores muitas vezes com anos de carreira em faculdades, com títulos acadêmicos, dando os parabéns para os professores, dizendo que a área é relevante porque gera alegria, porque é muito bom dar aula, porque os alunos são bacanas. Sinceramente, não é isso que me motiva na área e talvez relatos como esse me causem mais tristezas do que alegria. Há muito tempo vejo as pessoas resumindo a nossa área como a área da diversão. Amo o que faço e claro que me divirto com isso. Mas não seria a palavra que eu usaria para resumi-la.


Por outro lado vejo muitos indignados com as condições de trabalho e seus salários, seja na escola, academia ou onde quer que seja. E muitas vezes estes "colegas" apontam dizendo que não dá pra fazer muito com um reconhecimento assim. Do mesmo jeito que vejo muitos protestando contra o trabalho do conselho federal e regional de educação física. Acho bacana a iniciativa de tentar fazer a diferença, mas me incomodo quando vejo que muitos que reclamam, trocam suas energias que poderiam ser também canalizadas para investirem em fazer boas aulas, e estudar mais a área, para ficarem no campo dos protestos, e assim,  não "dão o gás" pra tentar fazer a diferença dentro de seus trabalhos. E aí me lembra muito meu aluno da aula de ontem. É como se muitos professores que protestam dissessem que ele está tentando fazer algo bacana, mas o grupo (sociedade, leis, administradores) não está querendo.

E quem é este grupo então? Somos nós, professores que devemos hoje em dia lutar por uma aula melhor, por oferecer um conteúdo significativo aos nosso alunos e devemos tentar ressignificar a nossa imagem de "oba boa". Me cansa ver professores que escoram seu trabalho apenas em seu carisma, que querem ser "gente boa" pra não serem contestados. Atuarem de forma permissiva pra não levarem problema pra casa. Esse sim, ao meu ver, é um grande desafio que devemos tentar mudar sobre o professor de educação física. Muitos reclamam com razão daquele professor "rola bola" que não tem nada a acrescentar. Mas também deveriam criticar aquele que não ensina direito os movimentos, que não incentiva a aprendizagem motora com um discurso falso moralista de que trabalha o social em prol da formação humana.

É mentira! Estamos cheios de professores em nossa área que não estudam e trabalham com os conceitos e teorias apenas vindo da faculdade. Não se renovam e ficam se prendendo a antigos discursos porque querem o mínimo de problema possível, como se nas outras áreas fosse tranquilo trabalhar e não houvesse problemas. Ainda existem aqueles que dispensam os alunos mais cedo porque a aula é pratica e com poucos alunos vai acabar deixando todos muito cansados, como se não houvesse mais o que se aprender além da prática. Isso existe muito em diversas escolas e (pasmem) em faculdades. A mensagem que está sendo passada é essa: Não temos tanto assim pra acrescentar em nossos alunos. Esse lado eu  realmente não aguento mais e vejo muitos atuando como se fossem pequenos alunos, reclamando do grupo, das condições "do jogo", mas fazendo pouco por ele. Por isso, quando sou parabenizado e questionado do que eu acho do dia do profissional de educação física, ao invés de fazer um discurso político contra tudo, prefiro ter a chance de falar sobre nós professores, que ainda estamos devendo em nossas atuações.

Nessas duas últimas semanas estive participando de algumas aulas no ensino superior de educação física onde o tema era sobre a intervenção pedagógica na escola. Tentei falar sobre isso. Apontei situações de êxito que obtive em meus trabalhos, mas tentei não deixar parecer que tudo é "bonitinho", porque não é. Nessas aulas pude ver diversas pessoas que querem encarar a escola e tentar fazer algo bom com o que tem e isso me deixou profundamente motivado. Mas sei que lá dentro o perigo é de muitos se contaminarem com os "zumbis da educação" (farei um post melhor em breve sobre esse termo) que não querem trabalho.  Trabalhar dá trabalho e você não se diverte o tempo todo. Mas pra quem acredita no que faz, o produto ao longo do tempo é recompensador. Para alguns é recompensador porque o trabalho é "sossegado" (infelizmente já ouvi muito isso), mas enfim, nessas horas descubro que meu aluno que estava desmotivado na minha aula por causa do problema difícil de resolver no jogo, mal sabe o que espera por ele. Lá na frente ele descobrirá adultos que dão aulas sorrindo e brincando, mas que por trás não aguentam mais a área e que querem se ver livre daquele trabalho. Espero ajudar estes meus alunos a compreenderem que esses desvios existem, mas podemos fazer diferente.

Não pense que esse meu post me mostra pessimista pela minha área de atuação ou que penso que a grande maioria dos professores não prestam. Muito pelo contrário, sou apaixonado pelo que faço, pelo que estudo e pelo que aprendo com meus alunos e sei que existem muitos professores envolvidos, capacitados e que não se rendem às situações de adversidade que lhe aparecem. Mas penso que hoje em dia precisamos expor mais aqueles que enganam dentro das academias, salas de aula e quadras em nosso País.

Eu me decidi, pelo menos no dia de hoje, a falar e fazer um pouco disto.

Espero nos encontrarmos em breve por aqui.

Abraço à todos

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Apenas uma questão de cultura

            




Como anda difícil vir aqui postar com calma, fica apenas um desabafo.

Quando vemos trabalhos assim como no vídeo postado, lá no exterior, nossos atletas "salivam" dizendo:

- Quero um dia treinar assim!


Quando fazemos algo parecido aqui no Brasil (e sei que muitos fazem), adaptando treinos de fundamentos e situações de jogo com a estrutura que temos aqui, nossos atletas dizem:

- Que horas é o coletivo?


Essa é uma realidade que temos de bater de frente criando uma cultura diferente do que existe.
Mas é fácil ver que o trabalho anda complicado, pois basta assistir um jogo de categoria de base (mesmo das categorias que antecedem o adulto) para notar a fragilidade de nossos atletas., onde muitos não conseguem fazer bandeja pelos dois lados.

É preciso continuar trabalhando. Essa é a vantagem de ser professor e técnico: A cada tropeço e descoberta de que é necessário melhorar o trabalho, temos a chance de no treino seguinte recomeçar e fazer diferente.

É preciso continuar firme, trabalhando, estudando e acreditando!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fácil demais?






Tive acesso a um comercial que eu gosto muito. Apesar de saber das artimanhas publicitárias por trás desses comerciais, gosto da maneira que ele aborda o sucesso no esporte e, por muitas vezes, penso com algo parecido. 

No vídeo, Michael Jordan assume a culpa pelas novas gerações propagarem um comportamento tratando o acesso a excelência no esporte como apenas uma questão de dom somado a treino e boas inteções. A espetacularização do esporte como vem acontecendo nos dias de hoje, transformando o jogo de alto rendimento também num show com fins lucrativos e até com o fim de atrair um público maior, acaba deixando também marcas nos jovens apaixonados pela modalidade. Dá-se uma ideia de que chegar ao ápice é mais fácil do que parece. E no meio desse caminho, por tudo que passei em minha vida de treinos, aulas, equipes e alunos com os quais me envolvi, comecei a notar que essa ideia de que a "felicidade baterá a sua porta" se você for "do bem", está não só no esporte como em diversas áreas da vida. Desvinculando a busca por um objetivo de um processo, por muitas vezes, doloroso, de angústias, vencido pela persistência e recheado de dúvidas. Vejo que isso tem gerado pessoas frustradas em diversas áreas.

Recentemente li uma coluna que fala um pouco sobre isso (você pode ler clicando aqui). Apesar da escritora falar de forma bem generalizada, penso que nos faz refletir sobre essas questões. Qual caminho estamos sugerindo às novas gerações? E assim, podemos também até questionar que escolhas estamos fazendo com nossas próprias vidas?

Não estou querendo dar uma visão pessimista das coisas. Muito pelo contrário, quero expressar que as dificuldades e até as infelicidades que nos acontecem é que tornam a vida essa mistura de sentimentos e acontecimentos tão fascinante. Mas é claro, também quero ressaltar que nem sempre conseguiremos tudo o que queremos, por melhores que sejamos, por melhor que façamos. Mas considero que esse esforço, se bem direcionado, nunca será em vão. Basta saber olhar a vida de diversas formas. E aí está o nosso maior desafio. 

No esporte e no vídeo que falei inicialmente, Jordan mostra como os dias de hoje podem diminuir a ideia de que a vida, que é uma dádiva maravilhosa,  é também cercada de lutas diárias, suor, perdas e conquistas.

Ou então, como o próprio vídeo diz, estamos procurando explicações demais para as coisas que não conseguimos.

Será? Vale a pena refletir!

Aproveitem o vídeo.





  Até a próxima!

sábado, 16 de julho de 2011

Eles estão por aí.


Lembro-me do meu vício por desenhos quando garoto. Naquela época (Década de 80) existiam alguns desenhos que tratavam de heróis que viviam em um submundo ou mesmo em uma outra dimensão, tentando sempre lutar para voltar ao mundo real ou mesmo lutar por um mundo livre de injustiça e vilões. Fácil lembrar do meu fascínio pelo desenho "Caverna do Dragão".


Lançado no início da década de 80 e que tratava de jovens que haviam sido transportados para um mundo paralelo e que sua luta diária era para tentar voltar pro mundo no qual pertenciam. As aventuras iam se desenrolando e a agonia maior era ver que tudo o que faziam não era suficiente para conseguirem retornar ao seu mundo. 

Lembro-me também, já no final da década de 80 e início da década de 90, das Tartarugas Ninjas.

Eram 4 tartarugas mutantes batizadas em homenagem aos artistas renascentistas Leonardo, Michelângelo, Donatello e Rafael. Viviam no esgoto de Nova York e eram treinados pelo rato Mestre Splinter. Assim como na Caverna do Dragão, as tartarugas passavam por uma questão parecida. Lutavam contra vilões, tentavam fazer justiça, mas no fim das contas, pertenciam a um submundo (esgoto) onde viviam e moravam. A qualquer problema vindo lá de cima (da cidade), lá estavam as quatro tartarugas mutantes prontas para salvar a população.

E por que estou aqui a comentar de desenhos animados?

Me lembrei destas duas animações porque recentemente o Brasil viveu dias agitados no Basquetebol. Além da convocação da seleção masculina para o Pré-Olímpico, onde foi convocado um "estrangeiro" e existiram pedidos de dispensa, a simples convocação já causaria discussões porque estamos há poucos dias de sabermos se nosso País voltará ou não a participar das Olimpíadas.

Alguns dos atletas convocados para a fase de treinamento da seleção visando o Pré-Olímpico 2011

Considero essa participação de 2012 muito importante, já que estamos classificados para 2016 por sermos sede dos jogos. Portanto, seriam dois ciclos Olímpicos com o basquete masculino de volta aos jogos. Penso que poderia ser uma grande chance de tentarmos "alimentar" melhor os amantes do basquete.

Outro evento recente que também movimentou muita gente foi o mundial sub19. O Brasil iria participar com uma geração considerada por todos como talentosa, ou no mínimo, com bastante potencial.

Seleção Sub19 

Foi doído pra caramba! O Brasil fez jogo duro em todos os jogos, perdeu três partidas apertadas e acabou ficando de fora da segunda fase da competição terminando em 9º lugar. É evidente que esse time poderia ter ido mais longe. Mas uma competição esportiva de alto nível mostra bem que ter potencial ou ser talentoso não é o bastante e os meninos acabaram por ficar de fora da fase principal.

Após dizer tudo isso, uma pergunta ainda não quer calar:


O que os desenhos animados têm a ver com esses dois acontecimentos no Basquete Brasileiro!?


Sei que é uma comparação a ponto de ser considerada "bizarra" (sem aspas mesmo, né!?), mas é assim que eu vejo quem tenta manter a paixão por Basquete no Brasil. Após a convocação da seleção adulta,  diversos blogs especializados trataram de cobrir com informações relevantes, números dos últimos anos da seleção, entrevistas com os convocados, buscando trazer para os leitores amantes do basquetebol (são muitos, é só ver o número de acessos que esses blogs têm) informações interessantes que pudesse gerar discussões de bom nível, sempre com o foco de se discutir um esporte que está sendo maltratado há muito tempo por seus gestores. E olha que estes heróis do submundo virtual não eram apenas jornalistas apaixonados pela modalidade. Muitos blogs que cobrem basquete hoje em dia são feitos por garotos, adolescentes que ainda praticam a modalidade e que querem expor suas opiniões, outros por técnicos que querem trocar ideias de seus trabalhos e anos de experiência, e assim, vemos que nosso amado esporte está no submundo das publicações.


Sem grandes espaços em mídias maiores e "relevantes", milhares de consumidores do Basquetebol se comunicam virtualmente. Poucos são os que ganharam reconhecimento em grandes portais. E estes, acabam tendo a difícil tarefa de falar sobre tudo o que a Confederação, e gestora principal, não aborda. Ficam na "linha de tiro" tentando nutrir os amantes da modalidade com informações novas diariamente. Se não atualizarem seus blogs, diversas críticas surgirão nos comentários, tornando estes blogueiros "responsáveis" pela ausência de notícias no Basquetebol Nacional.

E a maior prova dessa comunidade existente no "submundo" virtual veio no mundial sub19 masculino. Como não estavam sendo transmitidos os jogos da primeira fase, blogs, twitters e chats bombaram com pessoas trocando informações sobre os jogos do Brasil. Enquanto os jogos eram realizados (eu estava nesse meio, espalhado entre chats e estatísticas online) ou mesmo após as partidas, o twitter ficava lotado de gente comentando, torcendo, criticando, mas acima de tudo, falando, consumindo Basquete. O mesmo Basquete que sequer é devidamente divulgado na página virtual de sua Confederação (Dá uma conferida nessa notícia aqui se você acha que estou exagerando).

Há muitos Leonardos, Donatellos, Michelângelos e Rafaeis espalhados pelo Brasil querendo consumir Basquete e defender a modalidade. Existem diversos jovens "aprisionados" em mundos paralelos lutando para conseguir saber mais sobre o Basquete no País. A cada post que coloco aqui neste blog, recebo comentários e emails não só de atletas e ex-atletas, recebo mensagens de pais de atletas que até já pararam de jogar, mas que sua paixão pelo Basquete continuou. Recebo mensagens também de pessoas que gostam da modalidade pelo simples fato de gostar, de achar emocionante e que, por exemplo, estavam presentes na final do NBB no Nilson Nelson, contabilizando 20 mil pessoas (ou mais) num ginásio pra torcer por um time (ou pra ver um esporte) que não tinha nenhum clube de futebol envolvido na final.

O que fazemos com estes aficcionados que estão por aí, loucos pra consumir Basquetebol? Até quando vamos admitir uma entidade máxima da modalidade que não divulga, não atualiza seu portal e que fecha os olhos pro trabalho de base feito por técnicos abnegados, pais que tiram dinheiro do bolso pra realizar torneios interestaduais?

Fico impressionado com a força da modalidade espalhada pelo "submundo e esgotos" e tento imaginar como tudo isso seria se tivéssemos uma gestão que olhasse para esta questão? O que falta? Quanto tempo falta pra começarmos a mudar?


Depois de tanta insatisfação e conversando com amigos próximos também amantes do Basquete, decidi que fazer a minha parte é a questão mais valiosa nesse processo. Não é fácil viver de Basquete neste País (na verdade é impossível nos dias de hoje) e muitos professores desistem do sonho de estudar e contribuir mais com a modalidade porque precisam sobreviver, constituir famílias e realizar outros sonhos pessoais. E sabem o que estas pessoas se tornam mesmo com essa triste decisão de abandonar o Basquete? Eles se tornam CONSUMIDORES da modalidade.

Sim! Pessoas interessadas em fazer parte de alguma outra forma, já que viver disto não deu muito certo por uma variedade de motivos.

Uma vez contaminado ou picado pelo mosquitinho, como bem escreveu e esposa do Guilherme Giovannoni no site do atleta, não tem volta ! A paixão pelo Basquete fica, não se desfaz. Pode até adormecer em alguns casos. Mas ela volta. Já não sei quantas são as pessoas que encontro nas ruas e quando perguntam o que ando fazendo e que descobrem que ainda mexo com o que amo: O Basquetebol. Respondem:

"Nossa! Eu daria tudo pra voltar a jogar uma partida de basquete, como que eu faço?"

Pra terminar, vale lembrar que esse período de convocação da seleção adulta e do mundial sub19 coincidiram com a fase final do mundial de Vôlei, onde o Brasil disputava mais um título. E de longe, não vi movimentação parecida nos bastidores ("submundo e esgotos") sobre a modalidade que estava na final do mundial com uma modalidade que está há 3 Olimpíadas sem participação e que não sabe gerir a paixão nacional e crescente pela modalidade. Algo está muito errado nisso tudo, mas assim como meus heróis da minha era infantil, não desistirei de tentar voltar pro conforto de casa e lutar contra a injustiça existente em nosso "Mundo da bola laranja".

Mas e nossos heróis espalhados por todo esse País? Até quando eles aguentarão lutar pela dignidade desta modalidade? Ainda sou daqueles que pensa que todo esforço vale sempre a pena e torço pra que estes heróis anônimos pensem o mesmo e que continuem lutando contra todo o tipo de assombração.



Abraço à todos.





domingo, 3 de julho de 2011

Vídeos interessantes - Parte 2

No fim de Junho foi realizada mais uma etapa de formação da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol (ENTB). 

Tive alguns colegas que participaram deste evento e me deram o retorno de que as palestras foram muito boas.
Dentre as palestras, O Professor Flávio Davis palestrou sobre capacidades coordenativas e fundamentos básicos no Basquetebol em sua iniciação. Meu amigo e técnico de Basquete da UnB, Carlos Gomes, disponibilizou um primeiro vídeo sobre sua palestra e logo após assistí-lo, também achei outros disponibilizados pelo professor e comentarista Byra Bello em seu blog. Como a internet é uma ferramenta de socialização de informação, disponibilizo esses vídeos aqui para vocês acompanharem. 

Estes vídeos são voltados mais para professores e estudantes de educação física e valem para começarmos a repensar como oferecer treinamento aos nossos alunos que gerem aprendizados significativos nas questões motoras ( aspectos motores gerais e específicos da modalidade) associadas a questões cognitivas de leitura da situação de jogo e tomada de decisão. 

Abraço a todos e aproveitem os vídeos.











terça-feira, 28 de junho de 2011

Vídeos interessantes

Tenho me cobrado atualizar com maior frequência este blog.
Logo, vou aproveitar que nestas duas últimas semanas, dois vídeos me chamaram a atenção.
Primeiramente, um dos meus "blog inspiradores", Rodrigo Alves, do blog Rebote, postou um vídeo com os bastidores das finais do NBB3. Além de ser uma iniciativa muito bacana dele em procurar criar esse vídeo e de o mesmo mostrar curiosidades de como é um clima de final, também posto este vídeo pelo desfecho monumental do meu querido amigo Rossi, jogador do Uniceub/BRB, que encerra (tinha como continuar o vídeo após aquela cena?) com uma dança, que ainda não foi definida pelos especialistas, a qual estilo de dança pertence.

E por fim, um programa tradicionalmente feito para jogadores de futebol, com algumas exceções e que agora teve como exceção o Basquete. O programa Expresso do Esporte mostra um pouco de como é a vida de Anderson Varejão em Cleveland, revelando algumas curiosidades do atleta e outras curiosidades de como funciona uma equipe da NBA.

Dois vídeos interessantes que merecem ser postados e divididos com vocês.

Aproveitem!




NBB-3: As finais por dentro from Rodrigo Alves on Vimeo.



sábado, 25 de junho de 2011

Formar bem vai muito além.



Passei esta manhã pesquisando vídeos de uma área que adoro aprender cada vez mais. Achei alguns vídeos sobre footwork (trabalho de pés). Este tipo de trabalho é a base para os esportes em geral que dependem de mudanças de direção, variação de velocidade, explosão e agilidade. O footwork é pouco usado de maneira específica na formação de jovens. Normalmente os professores de escolinhas tendem a ensinar os movimentos da modalidade e cometem algo que considero um erro grave: Repetem apenas os movimentos específicos da modalidade numa exaustiva rotina de ações pouco variadas. Principalmente quando se é jovem, é importante incentivar as mais diversas habilidades. Não é porque o esporte é basquete, handebol ou tênis, que a criança ou jovem não precise de aprender a lidar com a habilidade óculo pedal (habilidade relacionada entre visão e movimento de pés). E sendo assim, muito se perde na formação, já que, se você se der a chance de planejar e ser criativo, será capaz de fazer atividades, lúdicas, através de desafios motores capazes de estimular a capacidade de reação das crianças e jovens. Essa ideia já é bem vista por muitos profissionais no Brasil, mas ainda é excessão. Tanto não é tradição em nosso País, que normalmente pouco enxergamos este tipo de trabalho e costumamos olhar os grandes astros como atletas dotados de um dom magnífico. Sinceramente não acredito nisso. Acredito que estes atletas juntaram seus talentos com treino de formação de boa qualidade. Posso dar um exemplo clássico aqui. Experimente observar este atleta do vídeo. É um dos maiores jogadores da história da NBA e ainda em atividade. Mas queto te lançar um desafio: 

Não foque sua atenção às cestas e malabarismos. Fique atento ao trabalho de pés deste atleta. Note como ele não cansa de se utilizar de fintas de pés e falsos cortes para desestabilizar os adversários.
Como ele aprendeu isso? Veio junto no "pacote de dom magnífico"?




Pois bem, é preciso acreditar em uma formação mais completa. Independente se a criança se tornará jogador ou não. Estamos falando de uma alfabetização no Brasil. Mas neste caso de uma alfabetização motora.
Com trabalho de formação que não seja apenas o mecânico(algo a ser visto e executado), a criança começa aprender a usar suas habilidades a seu favor, e melhor, a encaixar suas escolhas de movimentos, finalização ou o que quer que seja, de acordo com o que vê a sua frente. Estimula sua capacidade de leitura da situação e de tomada de decisão. Dessa forma, ela não fica presa ao conceito "o certo é assim". Ela certamente descobrirá o certo da melhor forma que ela poderá praticar. Este tipo de formação já é uma vertente muito utilizada em outros países. E trabalhando dessa maneira, estimulando as diversas habilidades e áreas do corpo humano,  alguns foram muito beneficiados com estas ideias.




Ao falar deste tema, corro dois perigos nisso tudo:

1. Muitos vão olhar pra este tipo de trabalho e vão dizer: "Agora não se pode mais ensinar os movimentos do esporte em questão? Temos de inventar brincadeiras? Comprar materiais coloridos pra chamar a atenção?"

Não! Não é essa mensagem que eu quero passar. Quero dizer que precisamos acrescentar à formação esportiva, trabalhos de coordenação motora geral, atividades que desafiem a parte motora de nossas crianças e que acrescentem em sua capacidade de fazer leitura das situações. A ideia aqui é acrescentar e não colocar um contra o outro.

2. Outros dirão: "Isso é especialização precoce! Treinamento para crianças, nunca! "

Nada disso. Muitos confundem trabalhar as questões motora como um trabalho focado apenas no trabalho motor e muitos acabam por utilizar a nomenclatura "esporte alto rendimento". É uma grande inverdade. Muitos se utilizam deste discurso porque não dominam a área desenvolvimentista e alegam que este tipo de trabalho não  estimula a formação social e pessoal da criança ou jovem atleta. Muito pelo contrário. Este tipo de trabalho, como diz o autor Adroaldo Gaya, incentiva o auto rendimento, faz a criança se perceber melhor e dá a ela a autonomia de correr atrás de sua evolução. A cada passo conquistado neste tipo de trabalho a criança tem sim um ganho de auto estima por se descobrir cada vez mais capaz. Juntando este trabalho ao esporte, ele verá que suas habilidades deverão ser encaixadas a um macro chamado grupo. Este tipo de percepção e ganho não tem preço. E além disso, é um tipo de legado motor que fica pra criança.

Enfim, o tema é realmente instigante e quero escrever mais vezes sobre a temática. O que mais me anima nisso tudo é que já existe gente boa e qualificada começando a fazer esse trabalho pelo Brasil. 
Isso me dá esperança numa formação mais qualificada em um breve futuro.





É importante deixar claro que uma boa formação envolve aspectos motores, sociais, afetivos, cognitivos , psicológicos e outros mais. O que fiz aqui foi tocar em uma destas áreas.
É preciso continuar estudando, pesquisando e se arriscando a fazer algo diferente. 
Experimente começar a olhar as grandes jogadas dos esportes de uma maneira mais ampla. 
Você descobrirá que talento é importante, mas uma boa formação é fundamental.

Abraço a todos!

domingo, 19 de junho de 2011

O que aprender com o basquetebol ?

Existem diversas razões fascinantes para ser professor. Uma das que acho que mais me acrescentam é o fato de você poder conhecer e se relacionar profissionalmente com pessoas diferenciadas. No meio de sua luta pessoal pra fazer o seu trabalho, acaba se deparando com profissionais ímpares e que de alguma maneira acabam acrescentando na sua formação profissional. Este é o caso de um professor em Brasília chamado Marco Costa, mais conhecido como Marcão. 

Marcão em um de seus "milhares" de jogos.


Marcão é um apaixonado por Basquete e que tem como grande característica em seu trabalho, a capacidade  de trabalhar a formação integral de seus atletas. Em alguns posts atrás por aqui, postei um início de estudo dos professores Ronaldo Pacheco e Joanatas Maia (que vocês podem conferir aqui), onde discutiam sobre o mito de que existem técnicos/professores formadores (educadores) e técnicos/professores competitivos, como se no alto nível ou em um nível maior de competitividade o professor e também técnico não pudesse ter todas estas qualidades de formação técnica, tática e humana.

Isto é uma questão que deveria ser discutida na formação de professores e técnicos aqui no Brasil, onde nossa cultura e concepção de esporte diz que para vencer é preciso abrir mão de seus valores em alguns momentos. Pena que há pouco espaço para debate destas questões e que nossos "queridos" narradores e apresentadores de futebol na TV sejam a referência nacional para discutir esporte (isso é papo pra um futuro post). Pois bem, Marcão é destes professores que deixam marcas significativas, registros na memória e principalmente na formação de seus alunos/atletas. 

Em uma passagem anterior nossa por um blog de basquete, meu querido amigo Marcão havia escrito um post simples e direto sobre o que aprender com este esporte que tanto amamos. Ao encontrá-lo e conversar brevemente sobre basquete, perguntei se poderia publicar seu artigo por aqui, e como a publicação foi liberada, estou aqui pra dizer que o que Marcão escreve é a mais pura síntese de sua prática. Um professor que tenta associar os aprendizados técnicos e de jogo para os aprendizados de fora da quadra. Marcão não é daqueles que usa um discurso bonito de se ver mas que inexiste em seu trabalho. Marcão é ação, amor ao esporte e sonhador como só ele, tenta fazer de sua retidão profissional um exemplo para as gerações que por ele passam e passaram. Já vi Marcão vencer diversos jogos e perder tantos outros, já assisti jogos dele em encontros de Minibasquete (Iniciação 12 anos) e o vi em Campeonatos Nacionais de base. E independente do nível da competição, Marcão foi sempre exemplo, pautado por fazer o seu melhor e tentar extrair o melhor de cada um em busca do objetivo de uma equipe. São por profissionais assim que vale a pena tentar viver e estudar cada vez mais sonhando com uma modalidade melhor trabalhada e difundida em nosso País.

Aproveitem o texto do professor Marcão!



O que aprender com o basquetebol?

Muitos esperam aprender a fazer cestas, ganharem milhões, serem famosos e reconhecidos nas ruas ou serem heróis, mas o que se aprende realmente jogando basquete? O Basquete é um esporte de grupo, de equipe. Não se joga nem se ganha sozinho. Um depende do outro para que o jogo aconteça. É fato comprovado pela história, nenhum grande jogador é campeão sozinho, o grande time vencedor do Chicago Bulls levou 6 anos após a chegada de Michael Jordan para vencer o primeiro campeonato da NBA. Não bastava ter um gênio, era necessário construir uma equipe.

O treinamento de um grupo de atletas deve ter o ensino do drible, do passe, do arremesso, da marcação, a serviço de uma meta, de um projeto maior do que, simplesmente, ensinar o jogo de basquete.

Ao se iniciar o treinamento de um grupo de atletas definir a filosofia de trabalho é um dos primeiros passos.

Assumir uma filosofia, um pensamento, algo que reúna que sintetize o pensamento de todos. É com base nesta filosofia, usando ela como pilar que se inicia a construção de um grupo. Esta base tem que ser sólida e agregar valores da sociedade. Essencial neste momento é formar primeiro o homem, o ser humano: caráter, honestidade, autoconfiança, humildade, solidariedade, reconhecimento, devem estar presentes. Como conseqüência teremos um “atleta” na essência da palavra.


O caminho que se trilha deve estar recheado com os fundamentos do basquete, mas a essência é a formação do ser humano. Capaz de perceber que do outro lado, como adversário, está outro ser humano que merece respeito e admiração, pois no mínimo tem um ponto em comum, “o basquete”. Capaz de perceber que ao seu lado existem mais seres humanos, que acertam e erram, e que continuam ao seu lado.



Viver e entender o paradoxo de que o adversário é companheiro e que companheiro também é concorrente, consolida a visão do ser humano que vive em sociedade, em grupo, que partilha a alegria e a dor, a frustração e a euforia e encontra no semelhante o exemplo e o desafio.
Para a criança, aprender brincando é parte do crescimento. Desde os primeiros momentos, as primeiras brincadeiras, a filosofia do técnico deve estar presente e servir de parâmetro para orientar os desafios. Se o aluno que termina primeiro é sempre o que recebe a glória estaremos dizendo que o que vale é vencer. Por outro lado, se valorizamos aquele que não chegou primeiro, mas se esforçou para concluir estaremos jogando luz sobre o esforço, a dedicação. Desta forma, pode surgir a solidariedade, o momento em que vencer pode ser partilhado com alguém que ajudou na conquista. A filosofia de ensinar algo mais do que simplesmente jogar basquete tem que estar à frente, orientando, e ao mesmo tempo dentro de tudo o que se faz, permeando todas as ações. Dar oportunidade a todos, mesmo àqueles que não parecem ter aptidão, acreditar na construção dos alicerces da formação do ser humano, mesmo que não possam ser vistos.


Com o basquete, temos a oportunidade de aprender a “ser gente” e, de quebra, aprender a defender, passar, driblar e fazer cestas.

Eis o que aprender...



Marco Costa

quinta-feira, 26 de maio de 2011

BRASÍLIA - BASQUETE

No primeiro jogo da final do NBB em Brasília, estive presente e não consegui dormir enquanto não escrevia algo sobre aquele momento. Isso me rendeu o último post. Infelizmente no jogo 4, e decisivo, não pude estar presente. Mas um grande amigo e grande influência na minha paixão pelo Basquete esteve lá. E o mesmo aconteceu com ele. O interessante é que seu nome havia sido citado em meu post que fora inspirado pela primeira partida da final. Ronaldo Pacheco não só se superou com mais um artigo bem escrito. Ronaldo foi além e mostrou como essa cidade vive Basquete há muito tempo. Para todos os amantes da modalidade e da cidade, aproveitem, desfrutem e divulguem porque vale a pena! 



BRASÍLIA – BASQUETE
(Ronaldo Pacheco)




Lançada por Juscelino, no belo céu de Brasília, uma bola laranja flutua ao pôr do sol.
Atravessa de um lado ao outro do horizonte e se deposita aos poucos sobre a catedral que a espera como uma cesta aberta.




Nestes 51 anos esta trajetória se repetiu diariamente.
Vimos e admirávamos sem perceber o que se pronunciava.
Era a vocação de uma cidade que se mostrou unida, educada, feliz e resgatada.
Um esporte trouxe o nosso orgulho de volta.
Quem diria que seu nome seria citado em todos os jornais não mais por escândalos, mas pela supremacia vitoriosa no esporte nacional.
Quem diria que um dia, o “enorme” Nilson Nelson (cuja arquitetura externa é sustentada por tabelas de basquete) seria pequeno.


Não notamos que Brasília e Basquete, tem as mesmas oito letras.
Mas eis que de repente, no últimos 5 anos, a cidade descobriu uma paixão.
Paixão por uma bola laranja que tem as mesmas linhas sinuosas dos desenhos de Oscar Niemeyer.


E esta cidade se alegrou, teve orgulho em cantar seu nome.


Redescobriu ídolos.


Se redescobriu.
Se mostrou apaixonada, mobilizada, valorizada.
Este amor entre Brasília e Basquete já estava escrito nas linhas básicas da sua criação.
A cidade se encontrou na coincidência entre o basquete e sua arquitetura.
Se viu refletida no espelho da paixão, emoção e da bravura.

Parabéns Brasília!

Obrigado Basquete!