sábado, 16 de julho de 2011

Eles estão por aí.


Lembro-me do meu vício por desenhos quando garoto. Naquela época (Década de 80) existiam alguns desenhos que tratavam de heróis que viviam em um submundo ou mesmo em uma outra dimensão, tentando sempre lutar para voltar ao mundo real ou mesmo lutar por um mundo livre de injustiça e vilões. Fácil lembrar do meu fascínio pelo desenho "Caverna do Dragão".


Lançado no início da década de 80 e que tratava de jovens que haviam sido transportados para um mundo paralelo e que sua luta diária era para tentar voltar pro mundo no qual pertenciam. As aventuras iam se desenrolando e a agonia maior era ver que tudo o que faziam não era suficiente para conseguirem retornar ao seu mundo. 

Lembro-me também, já no final da década de 80 e início da década de 90, das Tartarugas Ninjas.

Eram 4 tartarugas mutantes batizadas em homenagem aos artistas renascentistas Leonardo, Michelângelo, Donatello e Rafael. Viviam no esgoto de Nova York e eram treinados pelo rato Mestre Splinter. Assim como na Caverna do Dragão, as tartarugas passavam por uma questão parecida. Lutavam contra vilões, tentavam fazer justiça, mas no fim das contas, pertenciam a um submundo (esgoto) onde viviam e moravam. A qualquer problema vindo lá de cima (da cidade), lá estavam as quatro tartarugas mutantes prontas para salvar a população.

E por que estou aqui a comentar de desenhos animados?

Me lembrei destas duas animações porque recentemente o Brasil viveu dias agitados no Basquetebol. Além da convocação da seleção masculina para o Pré-Olímpico, onde foi convocado um "estrangeiro" e existiram pedidos de dispensa, a simples convocação já causaria discussões porque estamos há poucos dias de sabermos se nosso País voltará ou não a participar das Olimpíadas.

Alguns dos atletas convocados para a fase de treinamento da seleção visando o Pré-Olímpico 2011

Considero essa participação de 2012 muito importante, já que estamos classificados para 2016 por sermos sede dos jogos. Portanto, seriam dois ciclos Olímpicos com o basquete masculino de volta aos jogos. Penso que poderia ser uma grande chance de tentarmos "alimentar" melhor os amantes do basquete.

Outro evento recente que também movimentou muita gente foi o mundial sub19. O Brasil iria participar com uma geração considerada por todos como talentosa, ou no mínimo, com bastante potencial.

Seleção Sub19 

Foi doído pra caramba! O Brasil fez jogo duro em todos os jogos, perdeu três partidas apertadas e acabou ficando de fora da segunda fase da competição terminando em 9º lugar. É evidente que esse time poderia ter ido mais longe. Mas uma competição esportiva de alto nível mostra bem que ter potencial ou ser talentoso não é o bastante e os meninos acabaram por ficar de fora da fase principal.

Após dizer tudo isso, uma pergunta ainda não quer calar:


O que os desenhos animados têm a ver com esses dois acontecimentos no Basquete Brasileiro!?


Sei que é uma comparação a ponto de ser considerada "bizarra" (sem aspas mesmo, né!?), mas é assim que eu vejo quem tenta manter a paixão por Basquete no Brasil. Após a convocação da seleção adulta,  diversos blogs especializados trataram de cobrir com informações relevantes, números dos últimos anos da seleção, entrevistas com os convocados, buscando trazer para os leitores amantes do basquetebol (são muitos, é só ver o número de acessos que esses blogs têm) informações interessantes que pudesse gerar discussões de bom nível, sempre com o foco de se discutir um esporte que está sendo maltratado há muito tempo por seus gestores. E olha que estes heróis do submundo virtual não eram apenas jornalistas apaixonados pela modalidade. Muitos blogs que cobrem basquete hoje em dia são feitos por garotos, adolescentes que ainda praticam a modalidade e que querem expor suas opiniões, outros por técnicos que querem trocar ideias de seus trabalhos e anos de experiência, e assim, vemos que nosso amado esporte está no submundo das publicações.


Sem grandes espaços em mídias maiores e "relevantes", milhares de consumidores do Basquetebol se comunicam virtualmente. Poucos são os que ganharam reconhecimento em grandes portais. E estes, acabam tendo a difícil tarefa de falar sobre tudo o que a Confederação, e gestora principal, não aborda. Ficam na "linha de tiro" tentando nutrir os amantes da modalidade com informações novas diariamente. Se não atualizarem seus blogs, diversas críticas surgirão nos comentários, tornando estes blogueiros "responsáveis" pela ausência de notícias no Basquetebol Nacional.

E a maior prova dessa comunidade existente no "submundo" virtual veio no mundial sub19 masculino. Como não estavam sendo transmitidos os jogos da primeira fase, blogs, twitters e chats bombaram com pessoas trocando informações sobre os jogos do Brasil. Enquanto os jogos eram realizados (eu estava nesse meio, espalhado entre chats e estatísticas online) ou mesmo após as partidas, o twitter ficava lotado de gente comentando, torcendo, criticando, mas acima de tudo, falando, consumindo Basquete. O mesmo Basquete que sequer é devidamente divulgado na página virtual de sua Confederação (Dá uma conferida nessa notícia aqui se você acha que estou exagerando).

Há muitos Leonardos, Donatellos, Michelângelos e Rafaeis espalhados pelo Brasil querendo consumir Basquete e defender a modalidade. Existem diversos jovens "aprisionados" em mundos paralelos lutando para conseguir saber mais sobre o Basquete no País. A cada post que coloco aqui neste blog, recebo comentários e emails não só de atletas e ex-atletas, recebo mensagens de pais de atletas que até já pararam de jogar, mas que sua paixão pelo Basquete continuou. Recebo mensagens também de pessoas que gostam da modalidade pelo simples fato de gostar, de achar emocionante e que, por exemplo, estavam presentes na final do NBB no Nilson Nelson, contabilizando 20 mil pessoas (ou mais) num ginásio pra torcer por um time (ou pra ver um esporte) que não tinha nenhum clube de futebol envolvido na final.

O que fazemos com estes aficcionados que estão por aí, loucos pra consumir Basquetebol? Até quando vamos admitir uma entidade máxima da modalidade que não divulga, não atualiza seu portal e que fecha os olhos pro trabalho de base feito por técnicos abnegados, pais que tiram dinheiro do bolso pra realizar torneios interestaduais?

Fico impressionado com a força da modalidade espalhada pelo "submundo e esgotos" e tento imaginar como tudo isso seria se tivéssemos uma gestão que olhasse para esta questão? O que falta? Quanto tempo falta pra começarmos a mudar?


Depois de tanta insatisfação e conversando com amigos próximos também amantes do Basquete, decidi que fazer a minha parte é a questão mais valiosa nesse processo. Não é fácil viver de Basquete neste País (na verdade é impossível nos dias de hoje) e muitos professores desistem do sonho de estudar e contribuir mais com a modalidade porque precisam sobreviver, constituir famílias e realizar outros sonhos pessoais. E sabem o que estas pessoas se tornam mesmo com essa triste decisão de abandonar o Basquete? Eles se tornam CONSUMIDORES da modalidade.

Sim! Pessoas interessadas em fazer parte de alguma outra forma, já que viver disto não deu muito certo por uma variedade de motivos.

Uma vez contaminado ou picado pelo mosquitinho, como bem escreveu e esposa do Guilherme Giovannoni no site do atleta, não tem volta ! A paixão pelo Basquete fica, não se desfaz. Pode até adormecer em alguns casos. Mas ela volta. Já não sei quantas são as pessoas que encontro nas ruas e quando perguntam o que ando fazendo e que descobrem que ainda mexo com o que amo: O Basquetebol. Respondem:

"Nossa! Eu daria tudo pra voltar a jogar uma partida de basquete, como que eu faço?"

Pra terminar, vale lembrar que esse período de convocação da seleção adulta e do mundial sub19 coincidiram com a fase final do mundial de Vôlei, onde o Brasil disputava mais um título. E de longe, não vi movimentação parecida nos bastidores ("submundo e esgotos") sobre a modalidade que estava na final do mundial com uma modalidade que está há 3 Olimpíadas sem participação e que não sabe gerir a paixão nacional e crescente pela modalidade. Algo está muito errado nisso tudo, mas assim como meus heróis da minha era infantil, não desistirei de tentar voltar pro conforto de casa e lutar contra a injustiça existente em nosso "Mundo da bola laranja".

Mas e nossos heróis espalhados por todo esse País? Até quando eles aguentarão lutar pela dignidade desta modalidade? Ainda sou daqueles que pensa que todo esforço vale sempre a pena e torço pra que estes heróis anônimos pensem o mesmo e que continuem lutando contra todo o tipo de assombração.



Abraço à todos.





domingo, 3 de julho de 2011

Vídeos interessantes - Parte 2

No fim de Junho foi realizada mais uma etapa de formação da Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol (ENTB). 

Tive alguns colegas que participaram deste evento e me deram o retorno de que as palestras foram muito boas.
Dentre as palestras, O Professor Flávio Davis palestrou sobre capacidades coordenativas e fundamentos básicos no Basquetebol em sua iniciação. Meu amigo e técnico de Basquete da UnB, Carlos Gomes, disponibilizou um primeiro vídeo sobre sua palestra e logo após assistí-lo, também achei outros disponibilizados pelo professor e comentarista Byra Bello em seu blog. Como a internet é uma ferramenta de socialização de informação, disponibilizo esses vídeos aqui para vocês acompanharem. 

Estes vídeos são voltados mais para professores e estudantes de educação física e valem para começarmos a repensar como oferecer treinamento aos nossos alunos que gerem aprendizados significativos nas questões motoras ( aspectos motores gerais e específicos da modalidade) associadas a questões cognitivas de leitura da situação de jogo e tomada de decisão. 

Abraço a todos e aproveitem os vídeos.











terça-feira, 28 de junho de 2011

Vídeos interessantes

Tenho me cobrado atualizar com maior frequência este blog.
Logo, vou aproveitar que nestas duas últimas semanas, dois vídeos me chamaram a atenção.
Primeiramente, um dos meus "blog inspiradores", Rodrigo Alves, do blog Rebote, postou um vídeo com os bastidores das finais do NBB3. Além de ser uma iniciativa muito bacana dele em procurar criar esse vídeo e de o mesmo mostrar curiosidades de como é um clima de final, também posto este vídeo pelo desfecho monumental do meu querido amigo Rossi, jogador do Uniceub/BRB, que encerra (tinha como continuar o vídeo após aquela cena?) com uma dança, que ainda não foi definida pelos especialistas, a qual estilo de dança pertence.

E por fim, um programa tradicionalmente feito para jogadores de futebol, com algumas exceções e que agora teve como exceção o Basquete. O programa Expresso do Esporte mostra um pouco de como é a vida de Anderson Varejão em Cleveland, revelando algumas curiosidades do atleta e outras curiosidades de como funciona uma equipe da NBA.

Dois vídeos interessantes que merecem ser postados e divididos com vocês.

Aproveitem!




NBB-3: As finais por dentro from Rodrigo Alves on Vimeo.



sábado, 25 de junho de 2011

Formar bem vai muito além.



Passei esta manhã pesquisando vídeos de uma área que adoro aprender cada vez mais. Achei alguns vídeos sobre footwork (trabalho de pés). Este tipo de trabalho é a base para os esportes em geral que dependem de mudanças de direção, variação de velocidade, explosão e agilidade. O footwork é pouco usado de maneira específica na formação de jovens. Normalmente os professores de escolinhas tendem a ensinar os movimentos da modalidade e cometem algo que considero um erro grave: Repetem apenas os movimentos específicos da modalidade numa exaustiva rotina de ações pouco variadas. Principalmente quando se é jovem, é importante incentivar as mais diversas habilidades. Não é porque o esporte é basquete, handebol ou tênis, que a criança ou jovem não precise de aprender a lidar com a habilidade óculo pedal (habilidade relacionada entre visão e movimento de pés). E sendo assim, muito se perde na formação, já que, se você se der a chance de planejar e ser criativo, será capaz de fazer atividades, lúdicas, através de desafios motores capazes de estimular a capacidade de reação das crianças e jovens. Essa ideia já é bem vista por muitos profissionais no Brasil, mas ainda é excessão. Tanto não é tradição em nosso País, que normalmente pouco enxergamos este tipo de trabalho e costumamos olhar os grandes astros como atletas dotados de um dom magnífico. Sinceramente não acredito nisso. Acredito que estes atletas juntaram seus talentos com treino de formação de boa qualidade. Posso dar um exemplo clássico aqui. Experimente observar este atleta do vídeo. É um dos maiores jogadores da história da NBA e ainda em atividade. Mas queto te lançar um desafio: 

Não foque sua atenção às cestas e malabarismos. Fique atento ao trabalho de pés deste atleta. Note como ele não cansa de se utilizar de fintas de pés e falsos cortes para desestabilizar os adversários.
Como ele aprendeu isso? Veio junto no "pacote de dom magnífico"?




Pois bem, é preciso acreditar em uma formação mais completa. Independente se a criança se tornará jogador ou não. Estamos falando de uma alfabetização no Brasil. Mas neste caso de uma alfabetização motora.
Com trabalho de formação que não seja apenas o mecânico(algo a ser visto e executado), a criança começa aprender a usar suas habilidades a seu favor, e melhor, a encaixar suas escolhas de movimentos, finalização ou o que quer que seja, de acordo com o que vê a sua frente. Estimula sua capacidade de leitura da situação e de tomada de decisão. Dessa forma, ela não fica presa ao conceito "o certo é assim". Ela certamente descobrirá o certo da melhor forma que ela poderá praticar. Este tipo de formação já é uma vertente muito utilizada em outros países. E trabalhando dessa maneira, estimulando as diversas habilidades e áreas do corpo humano,  alguns foram muito beneficiados com estas ideias.




Ao falar deste tema, corro dois perigos nisso tudo:

1. Muitos vão olhar pra este tipo de trabalho e vão dizer: "Agora não se pode mais ensinar os movimentos do esporte em questão? Temos de inventar brincadeiras? Comprar materiais coloridos pra chamar a atenção?"

Não! Não é essa mensagem que eu quero passar. Quero dizer que precisamos acrescentar à formação esportiva, trabalhos de coordenação motora geral, atividades que desafiem a parte motora de nossas crianças e que acrescentem em sua capacidade de fazer leitura das situações. A ideia aqui é acrescentar e não colocar um contra o outro.

2. Outros dirão: "Isso é especialização precoce! Treinamento para crianças, nunca! "

Nada disso. Muitos confundem trabalhar as questões motora como um trabalho focado apenas no trabalho motor e muitos acabam por utilizar a nomenclatura "esporte alto rendimento". É uma grande inverdade. Muitos se utilizam deste discurso porque não dominam a área desenvolvimentista e alegam que este tipo de trabalho não  estimula a formação social e pessoal da criança ou jovem atleta. Muito pelo contrário. Este tipo de trabalho, como diz o autor Adroaldo Gaya, incentiva o auto rendimento, faz a criança se perceber melhor e dá a ela a autonomia de correr atrás de sua evolução. A cada passo conquistado neste tipo de trabalho a criança tem sim um ganho de auto estima por se descobrir cada vez mais capaz. Juntando este trabalho ao esporte, ele verá que suas habilidades deverão ser encaixadas a um macro chamado grupo. Este tipo de percepção e ganho não tem preço. E além disso, é um tipo de legado motor que fica pra criança.

Enfim, o tema é realmente instigante e quero escrever mais vezes sobre a temática. O que mais me anima nisso tudo é que já existe gente boa e qualificada começando a fazer esse trabalho pelo Brasil. 
Isso me dá esperança numa formação mais qualificada em um breve futuro.





É importante deixar claro que uma boa formação envolve aspectos motores, sociais, afetivos, cognitivos , psicológicos e outros mais. O que fiz aqui foi tocar em uma destas áreas.
É preciso continuar estudando, pesquisando e se arriscando a fazer algo diferente. 
Experimente começar a olhar as grandes jogadas dos esportes de uma maneira mais ampla. 
Você descobrirá que talento é importante, mas uma boa formação é fundamental.

Abraço a todos!

domingo, 19 de junho de 2011

O que aprender com o basquetebol ?

Existem diversas razões fascinantes para ser professor. Uma das que acho que mais me acrescentam é o fato de você poder conhecer e se relacionar profissionalmente com pessoas diferenciadas. No meio de sua luta pessoal pra fazer o seu trabalho, acaba se deparando com profissionais ímpares e que de alguma maneira acabam acrescentando na sua formação profissional. Este é o caso de um professor em Brasília chamado Marco Costa, mais conhecido como Marcão. 

Marcão em um de seus "milhares" de jogos.


Marcão é um apaixonado por Basquete e que tem como grande característica em seu trabalho, a capacidade  de trabalhar a formação integral de seus atletas. Em alguns posts atrás por aqui, postei um início de estudo dos professores Ronaldo Pacheco e Joanatas Maia (que vocês podem conferir aqui), onde discutiam sobre o mito de que existem técnicos/professores formadores (educadores) e técnicos/professores competitivos, como se no alto nível ou em um nível maior de competitividade o professor e também técnico não pudesse ter todas estas qualidades de formação técnica, tática e humana.

Isto é uma questão que deveria ser discutida na formação de professores e técnicos aqui no Brasil, onde nossa cultura e concepção de esporte diz que para vencer é preciso abrir mão de seus valores em alguns momentos. Pena que há pouco espaço para debate destas questões e que nossos "queridos" narradores e apresentadores de futebol na TV sejam a referência nacional para discutir esporte (isso é papo pra um futuro post). Pois bem, Marcão é destes professores que deixam marcas significativas, registros na memória e principalmente na formação de seus alunos/atletas. 

Em uma passagem anterior nossa por um blog de basquete, meu querido amigo Marcão havia escrito um post simples e direto sobre o que aprender com este esporte que tanto amamos. Ao encontrá-lo e conversar brevemente sobre basquete, perguntei se poderia publicar seu artigo por aqui, e como a publicação foi liberada, estou aqui pra dizer que o que Marcão escreve é a mais pura síntese de sua prática. Um professor que tenta associar os aprendizados técnicos e de jogo para os aprendizados de fora da quadra. Marcão não é daqueles que usa um discurso bonito de se ver mas que inexiste em seu trabalho. Marcão é ação, amor ao esporte e sonhador como só ele, tenta fazer de sua retidão profissional um exemplo para as gerações que por ele passam e passaram. Já vi Marcão vencer diversos jogos e perder tantos outros, já assisti jogos dele em encontros de Minibasquete (Iniciação 12 anos) e o vi em Campeonatos Nacionais de base. E independente do nível da competição, Marcão foi sempre exemplo, pautado por fazer o seu melhor e tentar extrair o melhor de cada um em busca do objetivo de uma equipe. São por profissionais assim que vale a pena tentar viver e estudar cada vez mais sonhando com uma modalidade melhor trabalhada e difundida em nosso País.

Aproveitem o texto do professor Marcão!



O que aprender com o basquetebol?

Muitos esperam aprender a fazer cestas, ganharem milhões, serem famosos e reconhecidos nas ruas ou serem heróis, mas o que se aprende realmente jogando basquete? O Basquete é um esporte de grupo, de equipe. Não se joga nem se ganha sozinho. Um depende do outro para que o jogo aconteça. É fato comprovado pela história, nenhum grande jogador é campeão sozinho, o grande time vencedor do Chicago Bulls levou 6 anos após a chegada de Michael Jordan para vencer o primeiro campeonato da NBA. Não bastava ter um gênio, era necessário construir uma equipe.

O treinamento de um grupo de atletas deve ter o ensino do drible, do passe, do arremesso, da marcação, a serviço de uma meta, de um projeto maior do que, simplesmente, ensinar o jogo de basquete.

Ao se iniciar o treinamento de um grupo de atletas definir a filosofia de trabalho é um dos primeiros passos.

Assumir uma filosofia, um pensamento, algo que reúna que sintetize o pensamento de todos. É com base nesta filosofia, usando ela como pilar que se inicia a construção de um grupo. Esta base tem que ser sólida e agregar valores da sociedade. Essencial neste momento é formar primeiro o homem, o ser humano: caráter, honestidade, autoconfiança, humildade, solidariedade, reconhecimento, devem estar presentes. Como conseqüência teremos um “atleta” na essência da palavra.


O caminho que se trilha deve estar recheado com os fundamentos do basquete, mas a essência é a formação do ser humano. Capaz de perceber que do outro lado, como adversário, está outro ser humano que merece respeito e admiração, pois no mínimo tem um ponto em comum, “o basquete”. Capaz de perceber que ao seu lado existem mais seres humanos, que acertam e erram, e que continuam ao seu lado.



Viver e entender o paradoxo de que o adversário é companheiro e que companheiro também é concorrente, consolida a visão do ser humano que vive em sociedade, em grupo, que partilha a alegria e a dor, a frustração e a euforia e encontra no semelhante o exemplo e o desafio.
Para a criança, aprender brincando é parte do crescimento. Desde os primeiros momentos, as primeiras brincadeiras, a filosofia do técnico deve estar presente e servir de parâmetro para orientar os desafios. Se o aluno que termina primeiro é sempre o que recebe a glória estaremos dizendo que o que vale é vencer. Por outro lado, se valorizamos aquele que não chegou primeiro, mas se esforçou para concluir estaremos jogando luz sobre o esforço, a dedicação. Desta forma, pode surgir a solidariedade, o momento em que vencer pode ser partilhado com alguém que ajudou na conquista. A filosofia de ensinar algo mais do que simplesmente jogar basquete tem que estar à frente, orientando, e ao mesmo tempo dentro de tudo o que se faz, permeando todas as ações. Dar oportunidade a todos, mesmo àqueles que não parecem ter aptidão, acreditar na construção dos alicerces da formação do ser humano, mesmo que não possam ser vistos.


Com o basquete, temos a oportunidade de aprender a “ser gente” e, de quebra, aprender a defender, passar, driblar e fazer cestas.

Eis o que aprender...



Marco Costa

quinta-feira, 26 de maio de 2011

BRASÍLIA - BASQUETE

No primeiro jogo da final do NBB em Brasília, estive presente e não consegui dormir enquanto não escrevia algo sobre aquele momento. Isso me rendeu o último post. Infelizmente no jogo 4, e decisivo, não pude estar presente. Mas um grande amigo e grande influência na minha paixão pelo Basquete esteve lá. E o mesmo aconteceu com ele. O interessante é que seu nome havia sido citado em meu post que fora inspirado pela primeira partida da final. Ronaldo Pacheco não só se superou com mais um artigo bem escrito. Ronaldo foi além e mostrou como essa cidade vive Basquete há muito tempo. Para todos os amantes da modalidade e da cidade, aproveitem, desfrutem e divulguem porque vale a pena! 



BRASÍLIA – BASQUETE
(Ronaldo Pacheco)




Lançada por Juscelino, no belo céu de Brasília, uma bola laranja flutua ao pôr do sol.
Atravessa de um lado ao outro do horizonte e se deposita aos poucos sobre a catedral que a espera como uma cesta aberta.




Nestes 51 anos esta trajetória se repetiu diariamente.
Vimos e admirávamos sem perceber o que se pronunciava.
Era a vocação de uma cidade que se mostrou unida, educada, feliz e resgatada.
Um esporte trouxe o nosso orgulho de volta.
Quem diria que seu nome seria citado em todos os jornais não mais por escândalos, mas pela supremacia vitoriosa no esporte nacional.
Quem diria que um dia, o “enorme” Nilson Nelson (cuja arquitetura externa é sustentada por tabelas de basquete) seria pequeno.


Não notamos que Brasília e Basquete, tem as mesmas oito letras.
Mas eis que de repente, no últimos 5 anos, a cidade descobriu uma paixão.
Paixão por uma bola laranja que tem as mesmas linhas sinuosas dos desenhos de Oscar Niemeyer.


E esta cidade se alegrou, teve orgulho em cantar seu nome.


Redescobriu ídolos.


Se redescobriu.
Se mostrou apaixonada, mobilizada, valorizada.
Este amor entre Brasília e Basquete já estava escrito nas linhas básicas da sua criação.
A cidade se encontrou na coincidência entre o basquete e sua arquitetura.
Se viu refletida no espelho da paixão, emoção e da bravura.

Parabéns Brasília!

Obrigado Basquete!



sábado, 21 de maio de 2011

Um dia histórico!


Foi a caminho do ginásio Nilson Nelson na quinta-feira a noite que percebi que estava prestes a participar de um momento histórico para o Basquete Nacional e um dia inesquecível para o esporte em Brasília. No jogo 1 da final do NBB3, estava indeciso se assistia o jogo no ginásio ou se assistia pela TV. Como os outros jogos eu acabei assistindo pela TV devido à superlotação do ginásio da Asceb, pensei que por se tratar de uma final e por quase não ter ido a jogos ao vivo neste ano, deveria prestigiar mais este momento importante para o Basquete da cidade. E notei que passaria de uma noite de final para um dia histórico quando estava perto de chegar. Haviam bem mais carros no estacionamento do que eu imaginava e comecei a pensar que naquele dia, poderia presenciar algo capaz de me fazer voltar a postar por aqui. 



Pois bem, foi muito mais do que tentei imaginar. Encontrei um ginásio Nilson Nelson (que não é nada pequeno) completamente tomado, lotado e com um barulho da torcida de arrepiar. Por incrível que pareça, me decidi a ir de arquibancada porque pensava que as cadeiras talvez estivessem muito cheias e eu queria ver o jogo com mais tranquilidade e espaço para poder, quem sabe, conversar com alguns colegas enquanto o jogo acontecia. E o mais assustador (no bom sentido) é que não havia local para sentar nas arquibancadas. Estava tudo lotado, com uma torcida não só presente, mas atuante, torcendo por uma única equipe. Uma equipe que neste ano mudou de instituição e nome mas que mantém a capacidade de gerar no torcedor brasiliense uma sensação de identificação e orgulho, numa relação de amor que pouco se tem visto nessa cidade, que recentemente sofreu com trapaças feitas por seus antigos gestores e foi motivo para envergonhar uma população que luta diariamente para sustentar a imagem e o posto de Capital Federal.

Foto tirada do celular de um colega ao lado assim que conseguimos sentar.

 Com um barulho ensudercedor nos momentos de êxito da equipe mandante, Brasília mostrou ao Brasil, que é uma cidade que respira Basquete. Me peguei em alguns momentos olhando para o público presente e tentei imaginar quantas gerações estavam ali presentes de ex alunos do nosso querido ícone do basquete da cidade, Senhor Geraldo da Conceição (carinhosamente conhecido como Seu Geraldo), quantos ali não tiveram a formação de Ronaldo Pacheco, que luta até hoje por um basquete de qualidade não só nos atletas, mas principalmente sendo responsável pela formação de inúmeros professores capacitados pra trabalhar com a modalidade espalhados por diversas escolas do nosso DF. Neste momento comecei a achar normal o que estava acontecendo ali. Se analisarmos friamente, Brasília tem sua história ligada com o Basquete há muito tempo. E o que esta equipe profissional que representa a cidade veio oferecer a todos, foi a incrível chance de cada morador do Planalto Central poder proclamar de peito aberto o seu amor por esta modalidade. Por muito tempo, ter jogado basquete na adolescência era apenas uma história antiga e que simbolizava seus antigos sonhos juvenis. Hoje, essa mesma história é sinal de orgulho por ter praticado uma modalidade que agora, representa a cidade em caráter nacional.

Seu Geraldo da Conceição
Quantos presentes no Nilson Nelson já não "bateram uma bolinha" com este amante do Basquete?  



Encontrei muitos alunos e ex alunos por lá, mas também encontrei diversos amigos, companheiros de treinos, peladas de basquete e admiradores que, hoje mais velhos, estavam com sua família, tendo a chance de contar que já praticaram este esporte que hoje é uma potência Nacional e que tão bem nos representa. O que senti naquele ginásio cheio foi uma sensação de orgulho. Todos que ali estavam presentes, enquanto gritavam, torciam e deliravam com a exibição de gala do time da casa, tinham em suas vozes, palmas e delírios, a capacidade de amar este esporte apenas como admirador, ou de ter praticado esta modalidade numa época em que pra ser destaque no Basquete de Brasília, era preciso sair da cidade, conquistar títulos e voltar para ser homenageado.

A cidade demonstrou o seu amor pela modalidade. Vale a pena perguntar se este amor tem sido correspondido com escolinhas espalhadas por todo o DF para receber estes jovens apaixonados e torná-los em praticantes de sua nova paixão.

Mas esta pergunta tento responder outro dia, pois o post de hoje tem o intuito único de celebrar algo que quem vive nesta cidade já sabe há muito tempo:


"Vivemos, respiramos e amamos o Basquete!"


Abraço à todos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

É preciso persistir, acreditar... e trabalhar.

Tenho tido um ano de desafios novos profissionalmente falando. Acredito realmente que devemos sempre criar momentos novos e desafiadores em nossas vidas para que possamos continuar crescendo. Um dos meus maiores medos profissionais (e talvez na vida também) é, um dia, achar que já domino muito bem tudo o que vivo e que as coisas estão bem tranqüilas. Essa é a forma que se começa a entrar na famosa zona de conforto que não faz bem.


Essa tranqüilidade muitas vezes te “cega” e deixa com que você seja mais um, apenas reproduzindo conceitos e trabalhando para sobreviver. Penso que isso é perigoso demais.

Pois bem, este ano não tenho nem como achar que me acomodarei, pois estou em novos trabalhos que têm exigido rever meus conceitos, aprender a lidar com diferentes tipos de pessoas e que, apesar das angústias que me geram muitas vezes, fazem de mim certamente alguém melhor. Alguém que em Dezembro será capaz de lidar melhor com futuros e novos desafios (Calma! Não estou pensando no ano que vem ainda). Digo isso porque acredito que já está na hora de relatar algumas destas vivências que tenho tido aqui neste blog e que pode de alguma forma ajudar ou sensibilizar aqueles interessados em aulas de Educação Física na escola.

Estou trabalhando em uma nova escola onde dou aula para o ensino médio em um formato diferente. Lá, a aula Educação Física é realizada na grade horária normal dos alunos e por apenas um horário de 50 minutos. Confesso que quando fui convidado pra trabalhar nesta escola, balancei um pouco em relação a questão do ensino médio, mas aceitei o desafio com a perspectiva de tentar mudar isso mais pra frente. E assim comecei meus trabalhos.

É fato que Educação é algo que se investe em longo prazo. Existe um longo caminho a percorrer quando se pensa em fazer a diferença. Um professor por mais competente que seja, estaria dando “um tiro no próprio pé” se achasse que em um ano letivo, conseguiria atingir plenamente todos seus objetivos com os alunos. Não que seja impossível, mas é importante também saber que as situações se dão com o tempo. A criação de uma rotina de aula, as intervenções nos alunos e os percalços pra tentar lutar pelo que você acredita são momentos que o professor tem de saber que vai passar um bom tempo ainda lutando para ser justo com seus alunos, consigo mesmo e com sua metodologia para, com o tempo, conseguir mostrar o seu trabalho e conseguir um retorno bacana disso tudo.

 E aí, no meu caso, a primeira pergunta que me fiz foi: Como fica a turma do terceiro ano nisso tudo? 

Como lutar por uma Educação Física para todos, diferente do que eles vinham acostumados a ter? Como criar uma cultura de aula com uma turma já mais madura que as outras e que ano que vem sequer vai ter essa dita sequência de trabalho a longo prazo na escola? Percebendo estas questões, tratei logo de no primeiro dia de aula fazer um breve debate com eles sobre como enxergavam a Educação Física e o porquê desta aula na Escola. A primeira impressão desta conversa inicial me levou a dois caminhos. O primeiro caminho muito otimista, pois eles eram alunos bacanas, atenciosos e usaram e abusaram de sua sinceridade para se expressar neste dia. O segundo caminho era a constatação de uma triste realidade no Brasil, a Educação Física está ao relento nas escolas. Com uma sinceridade impressionante, eles me colocaram que Educação Física era o momento do relaxamento na Escola. Era o momento pra poder “dar uns bombões pro gol” e “extravasar o cansaço mental que acontece em sala de aula”. Além disso, a maioria foi enfática em dizer que a aula de Educação Física não era um espaço para homens e mulheres (não dá mais pra chamar estes futuros universitários de meninos e meninas) jogarem juntos.

“Elas são muito travadas, Professor!”. “Têm medo da bola”.

“Eles são muito agressivos, Professor!”. “Reclamam quando a gente erra, não dá pra jogar junto mesmo!”.

Feito isso com a turma, passei a me arriscar. O primeiro momento que criei nas aulas, utilizei um termo que meu amigo Jonatas chama de “Soco no estômago”. Fui bem enérgico e com bastante discurso para dialogar com eles propondo aulas com todos em quadra.

“Como assim? Jogar todo mundo junto? Tô fora dessa!”

Isso foi o que mais ouvi nas aulas iniciais.  Eram muitos “incêndios” que precisavam ser apagados: Alunos que se recusavam a participar com medo de se machucar, alunos que costumeiramente se recusavam a participar e que utilizaram esta situação como explicação pra não participação. E claro, alunos que estavam participando e que se desmotivavam com a estrutura da aula, pois precisariam em alguns momentos “pegar mais leve” em suas práticas. Pra cada caso, uma conversa: Explicava pra alguns que o tempo de 50 minutos me forçava a começar o ano assim tentando conhecê-los melhor. Também explicava que o medo de participar se parecia muito com o medo em outras situações da vida deles e que eu estava ali para garantir a segurança deles. E claro que também tive de motivar aqueles sempre acostumados a participar bastante, mas do antigo modo apenas jogando o jogo parecido bastante com o jogo do intervalo (recreio). Argumentei que a prática deles no momento de aula deveria ser diferente do recreio e que eu precisava propor atividades para todos, todos tinham direito de ter aula de Educação Física. Não recebi muito sorrisos de volta com este discurso.

Utilizei diversos discursos, mas não inventei nenhum. Todos faziam parte do que eu realmente acreditava e pra mim, faziam sentido com meus objetivos com a turma. Tudo isso em apenas 50 minutos. Não pense que essa passagem toda foi um conto de fadas e nem que até hoje eu não enfrento problemas de medo, desmotivação e desconfiança quanto à participação. Mas posso dizer uma coisa que até hoje agradeço a esta turma: Com o tempo, eles me ouviram!

E ao me ouvir resolveram me dar uma chance de tentar algo diferente com eles. A cada conversa, a cada momento de discussão com estes meninos-homens e com estas meninas-mulheres, eu sentia vontade de passar muito mais de 50 minutos com eles. Sentia que nossas conversas não terminavam, elas entravam em nosso dia a dia e o desafio era algo apenas prorrogado para uma próxima semana. Começamos o ano com uma conversa um tanto quanto confusa, em certo momento eles passaram a me dar atenção, hoje eles já conseguem me dar a mão.



Passado um bimestre de muita conversa e muito a se fazer ainda, estes jovens estão me dando a chance de fazer diferente. E é claro que penso que poderíamos ter já avançado muito mais. Mas é incrível também ver a maneira como muitos me deram e se deram a chance de ser diferente. Só o simples fato de não se fazer mais o que sempre fizeram, deixando muitos de fora com “eternas dores de cabeça, mal estar” e outros relatos mais, sinto um orgulho incrível do que esta turma vem produzindo. Repito e eles sabem disso: 


Estamos muito longe ainda do que podemos ser como turma, mas o simples fato de já não sermos mais os mesmos, me enche de orgulho e esperança por uma Educação Física com maior qualidade no nosso País. Uma Educação Física que não perca seu aspecto prático e participativo, mas que tenha atrelado a isso um discurso crítico, uma percepção do que cada um pode aprender e evoluir enquanto pessoa e uma capacidade  de superar os desafios propostos nas aulas como também os desafios propostos pela vida.

Hoje em dia, essa turma me dá a chance de fazermos temáticas de aula com todos juntos, em outros momentos separados, mas não mais com o intuito de evitar relações, e sim de potencializar conhecimento e me dão a chance de conhecê-los um pouco mais. Quando toca o sinal na terça-feira de 10h20, sei que tenho de estar preparado para continuar insistindo com esta turma de que podemos mais, mas sei que também sairei dali com uma chance que me foi dada por eles de fazer o trabalho que acredito e que amo.
Aos formandos queridos deste terceiro ano, meu muito obrigado pelos poucos momentos que já vivemos juntos.

Ainda vem muito mais por aí!

Ai de vocês se ficarem acomodados por causa deste post!

Abraço à todos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Reflexões sobre as competências de um treinador - Parte I

Este ano tenho conversado muito com dois influentes amigos no meu trabalho na escola e no esporte.
Falo de Ronaldo Pacheco e Jonatas Maia. Periodicamente temos nos encontrado para conversarmos sobre nossos trabalhos e para botar no papel algumas ideias que temos tido, mas que, devido a correria do nosso dia, ficamos impedidos de praticar com tranquilidade.
Nestes encontros formamos algumas parcerias e nem sempre os 3 estão diretamente envolvidos. Um tema que Ronaldo e Jonatas começaram a desenvolver juntos, tratava de uma discussão sobre as competências necessárias para o treinador esportivo. Acompanhei "de camarote" as discussões por email até eles produzirem este primeiro capítulo sobre esta temática. Como vocês irão perceber, o tema abordado será dividido em diversos capítulos e eu terei o prazer de dividir este material aqui pelo blog. Na primeira vez que li esta versão inicial fiquei pensativo e me surgiram muitas ideias e comentários. Então pensei: Se eu fiquei com tantas ideias após ler, imagina então os leitores que aqui frequentam e que se preocupam com esta formação continuada do professor que atua na área desportiva. 

Portanto, aproveitem a leitura e comentem!




REFLEXÕES SOBRE AS COMPETÊNCIAS DE UM TREINADOR


Em contato com a revista da Federação Espanhola de Basquetebol vi uma figura de um dado em que constavam as seis competências de um treinador de basquetebol. As análises feitas por mim a partir desta figura podem não estar de acordo com os professores que realizaram o estudo, mas os tópicos ali contidos me levaram a realizar algumas reflexões sobre os itens apontados. Para não tornar as análises longas e cansativas pretendo comentar em separado cada uma das partes destas competências.
As competências básicas relacionadas eram:
1 – COMPETÊNCIA EM COMUNICAR-SE.
2 – COMPETÊNCIA DIRETIVA E GESTORA.
3 – COMPETÊNCIA PEDAGÓGICA.
4 – COMPETÊNCIA EM APRENDER A APRENDER
5 – COMPETÊNCIAS EM CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E DO JOGO.
6 – COMPETÊNCIAS SOCIAIS E EM VALORES.
Ao escrever este texto, submeti-o a alguns colegas e o prof. Jonatas Maia fez algumas observações que acredito ter extrema pertinência a estes temas.
De acordo com o seu pensamento, o qual concordo plenamente, “é necessário declarar que estes tópicos, embora possam ser discutidos em separado, só fazem sentido caso sejam compreendidos numa relação de interdependência. A categorização nos ajuda a formular problemas específicos e cada um deles e isso certamente contribui no aprofundamento das reflexões, mas é preciso que no âmbito da formação de treinadores, estas competências sejam desenvolvidas e percebidas de maneira interligada. O que quero dizer é que acredito que só teremos a figura do “treinador competente” quando este tiver desenvolvido bem todos estes tópicos.
Justifico esta minha preocupação ao defender a idéia de que competência do treinador se estabelece pela integração de todas estas competências elencadas, pois, penso que é necessário superar a concepção de que existem técnicos (ou treinadores) só educadores e que estes não tem as competências necessárias para serem competitivos. Eu vivi um pouco disso quando da minha breve passagem como técnico de basquete. A propósito destas competências sociais e de valores, as quais penso ter desenvolvido, para muitas pessoas elas não são compatíveis com o esporte em sua manifestação do rendimento ou do esporte de alto nível. Não concordo com isso. Creio que estas pessoas que concebem o esporte de maneira equivocada, mas que se sustenta por ser uma idéia hegemônica de um esporte que só se realiza quando nos oferece a vitória, custe o que custar.

Outro exemplo de como só teremos o treinador competente caso este se valha de todas aquelas competências, é pensar no tópico sobre o conhecimento científico e do jogo. Esta competência não se estabelece sozinha, ou seja, não faz sentido caso esteja isolada. Há uma interdependência dela com a competência comunicativa, por exemplo.
De forma concreta, é só observar os pedidos de tempo dos técnicos de basquete na TV. É bem provável, que alguns deles dominem cientificamente o jogo, mas na medida em que poucos desenvolveram a competência comunicativa, a atuação deles perde muito em eficiência.”
Após estes comentários introdutórios gostaria de iniciar minhas reflexões sobre as competências sociais e em valores.
Este tópico é dividido em alguns subitens: 

- Aprender a respeitar e fazer-se respeitar; 

- Entender a responsabilidade de ser um treinador; 

- Ser capaz de formar pessoas além do jogador; 

- Dominar as técnicas de dinâmicas de grupo; 

- Entender o basquete como instrumento educativo; 

- Inserir valores e ser exemplo para os atletas; 

- Possuir a ética necessária para ser um treinador; 

- Conhecer as regras do jogo e sua aplicação por parte dos árbitros.







Vejo alguns pontos de destaque e que deveria levar a reflexão qualquer treinador em qualquer faixa etária ou grau de competitividade em que atue.
Inicio pela questão de aprender a respeitar e fazer-se respeitar. Este item me parece estar aliado a outros dois: Entender a responsabilidade de ser um treinador e ser capaz de formar pessoas além do jogador.


É sabido que para se ter respeito é necessário respeitar. Vemos na maior parte das equipes a exibição da autoridade do técnico e não o respeito entre os componentes. É necessário entender que a autoridade é algo concedido e não imposto, é algo conquistado e não determinado. A autoridade de um professor/treinador advém da sua competência como tal e principalmente da forma com que ele trata seus atletas/alunos. A responsabilidade de um professor/treinador vai muito além de ensinar o jogo, dirigir a equipe. Ao ser incumbido desta função o treinador deve se propor a formar pessoas, reforçar valores e a partir da sua conduta justa e coerente ser um exemplo para a conduta dos seus alunos/atletas. Na questão relativa a valores, os professores ensinam muito mais pelo seu exemplo do que pelo seu discurso.


Para ser justo e respeitoso é necessário enfrentar de frente os conflitos, que certamente surgirão, com colocações que permitam o diálogo e a exposição de idéias contrárias. Ao respeitar as idéias, respeita-se o indivíduo. Uma frase que marcou muito a minha vida e minha conduta é: “As palavras são fortes quando os argumentos são fracos”. Ter a capacidade de refletir e argumentar é algo que faz com que os elementos de uma equipe sejam e sintam-se respeitados.
O basquete, como todo esporte, deve ser visto com um instrumento educativo, como uma oportunidade de ação e reflexão sobre nossas condutas e principalmente uma excelente oportunidade de conhecermos melhor sobre nós mesmos e nossas relações sociais.
E vocês, o que pensam sobre isso?


Ronaldo Pacheco