sábado, 21 de maio de 2011

Um dia histórico!


Foi a caminho do ginásio Nilson Nelson na quinta-feira a noite que percebi que estava prestes a participar de um momento histórico para o Basquete Nacional e um dia inesquecível para o esporte em Brasília. No jogo 1 da final do NBB3, estava indeciso se assistia o jogo no ginásio ou se assistia pela TV. Como os outros jogos eu acabei assistindo pela TV devido à superlotação do ginásio da Asceb, pensei que por se tratar de uma final e por quase não ter ido a jogos ao vivo neste ano, deveria prestigiar mais este momento importante para o Basquete da cidade. E notei que passaria de uma noite de final para um dia histórico quando estava perto de chegar. Haviam bem mais carros no estacionamento do que eu imaginava e comecei a pensar que naquele dia, poderia presenciar algo capaz de me fazer voltar a postar por aqui. 



Pois bem, foi muito mais do que tentei imaginar. Encontrei um ginásio Nilson Nelson (que não é nada pequeno) completamente tomado, lotado e com um barulho da torcida de arrepiar. Por incrível que pareça, me decidi a ir de arquibancada porque pensava que as cadeiras talvez estivessem muito cheias e eu queria ver o jogo com mais tranquilidade e espaço para poder, quem sabe, conversar com alguns colegas enquanto o jogo acontecia. E o mais assustador (no bom sentido) é que não havia local para sentar nas arquibancadas. Estava tudo lotado, com uma torcida não só presente, mas atuante, torcendo por uma única equipe. Uma equipe que neste ano mudou de instituição e nome mas que mantém a capacidade de gerar no torcedor brasiliense uma sensação de identificação e orgulho, numa relação de amor que pouco se tem visto nessa cidade, que recentemente sofreu com trapaças feitas por seus antigos gestores e foi motivo para envergonhar uma população que luta diariamente para sustentar a imagem e o posto de Capital Federal.

Foto tirada do celular de um colega ao lado assim que conseguimos sentar.

 Com um barulho ensudercedor nos momentos de êxito da equipe mandante, Brasília mostrou ao Brasil, que é uma cidade que respira Basquete. Me peguei em alguns momentos olhando para o público presente e tentei imaginar quantas gerações estavam ali presentes de ex alunos do nosso querido ícone do basquete da cidade, Senhor Geraldo da Conceição (carinhosamente conhecido como Seu Geraldo), quantos ali não tiveram a formação de Ronaldo Pacheco, que luta até hoje por um basquete de qualidade não só nos atletas, mas principalmente sendo responsável pela formação de inúmeros professores capacitados pra trabalhar com a modalidade espalhados por diversas escolas do nosso DF. Neste momento comecei a achar normal o que estava acontecendo ali. Se analisarmos friamente, Brasília tem sua história ligada com o Basquete há muito tempo. E o que esta equipe profissional que representa a cidade veio oferecer a todos, foi a incrível chance de cada morador do Planalto Central poder proclamar de peito aberto o seu amor por esta modalidade. Por muito tempo, ter jogado basquete na adolescência era apenas uma história antiga e que simbolizava seus antigos sonhos juvenis. Hoje, essa mesma história é sinal de orgulho por ter praticado uma modalidade que agora, representa a cidade em caráter nacional.

Seu Geraldo da Conceição
Quantos presentes no Nilson Nelson já não "bateram uma bolinha" com este amante do Basquete?  



Encontrei muitos alunos e ex alunos por lá, mas também encontrei diversos amigos, companheiros de treinos, peladas de basquete e admiradores que, hoje mais velhos, estavam com sua família, tendo a chance de contar que já praticaram este esporte que hoje é uma potência Nacional e que tão bem nos representa. O que senti naquele ginásio cheio foi uma sensação de orgulho. Todos que ali estavam presentes, enquanto gritavam, torciam e deliravam com a exibição de gala do time da casa, tinham em suas vozes, palmas e delírios, a capacidade de amar este esporte apenas como admirador, ou de ter praticado esta modalidade numa época em que pra ser destaque no Basquete de Brasília, era preciso sair da cidade, conquistar títulos e voltar para ser homenageado.

A cidade demonstrou o seu amor pela modalidade. Vale a pena perguntar se este amor tem sido correspondido com escolinhas espalhadas por todo o DF para receber estes jovens apaixonados e torná-los em praticantes de sua nova paixão.

Mas esta pergunta tento responder outro dia, pois o post de hoje tem o intuito único de celebrar algo que quem vive nesta cidade já sabe há muito tempo:


"Vivemos, respiramos e amamos o Basquete!"


Abraço à todos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

É preciso persistir, acreditar... e trabalhar.

Tenho tido um ano de desafios novos profissionalmente falando. Acredito realmente que devemos sempre criar momentos novos e desafiadores em nossas vidas para que possamos continuar crescendo. Um dos meus maiores medos profissionais (e talvez na vida também) é, um dia, achar que já domino muito bem tudo o que vivo e que as coisas estão bem tranqüilas. Essa é a forma que se começa a entrar na famosa zona de conforto que não faz bem.


Essa tranqüilidade muitas vezes te “cega” e deixa com que você seja mais um, apenas reproduzindo conceitos e trabalhando para sobreviver. Penso que isso é perigoso demais.

Pois bem, este ano não tenho nem como achar que me acomodarei, pois estou em novos trabalhos que têm exigido rever meus conceitos, aprender a lidar com diferentes tipos de pessoas e que, apesar das angústias que me geram muitas vezes, fazem de mim certamente alguém melhor. Alguém que em Dezembro será capaz de lidar melhor com futuros e novos desafios (Calma! Não estou pensando no ano que vem ainda). Digo isso porque acredito que já está na hora de relatar algumas destas vivências que tenho tido aqui neste blog e que pode de alguma forma ajudar ou sensibilizar aqueles interessados em aulas de Educação Física na escola.

Estou trabalhando em uma nova escola onde dou aula para o ensino médio em um formato diferente. Lá, a aula Educação Física é realizada na grade horária normal dos alunos e por apenas um horário de 50 minutos. Confesso que quando fui convidado pra trabalhar nesta escola, balancei um pouco em relação a questão do ensino médio, mas aceitei o desafio com a perspectiva de tentar mudar isso mais pra frente. E assim comecei meus trabalhos.

É fato que Educação é algo que se investe em longo prazo. Existe um longo caminho a percorrer quando se pensa em fazer a diferença. Um professor por mais competente que seja, estaria dando “um tiro no próprio pé” se achasse que em um ano letivo, conseguiria atingir plenamente todos seus objetivos com os alunos. Não que seja impossível, mas é importante também saber que as situações se dão com o tempo. A criação de uma rotina de aula, as intervenções nos alunos e os percalços pra tentar lutar pelo que você acredita são momentos que o professor tem de saber que vai passar um bom tempo ainda lutando para ser justo com seus alunos, consigo mesmo e com sua metodologia para, com o tempo, conseguir mostrar o seu trabalho e conseguir um retorno bacana disso tudo.

 E aí, no meu caso, a primeira pergunta que me fiz foi: Como fica a turma do terceiro ano nisso tudo? 

Como lutar por uma Educação Física para todos, diferente do que eles vinham acostumados a ter? Como criar uma cultura de aula com uma turma já mais madura que as outras e que ano que vem sequer vai ter essa dita sequência de trabalho a longo prazo na escola? Percebendo estas questões, tratei logo de no primeiro dia de aula fazer um breve debate com eles sobre como enxergavam a Educação Física e o porquê desta aula na Escola. A primeira impressão desta conversa inicial me levou a dois caminhos. O primeiro caminho muito otimista, pois eles eram alunos bacanas, atenciosos e usaram e abusaram de sua sinceridade para se expressar neste dia. O segundo caminho era a constatação de uma triste realidade no Brasil, a Educação Física está ao relento nas escolas. Com uma sinceridade impressionante, eles me colocaram que Educação Física era o momento do relaxamento na Escola. Era o momento pra poder “dar uns bombões pro gol” e “extravasar o cansaço mental que acontece em sala de aula”. Além disso, a maioria foi enfática em dizer que a aula de Educação Física não era um espaço para homens e mulheres (não dá mais pra chamar estes futuros universitários de meninos e meninas) jogarem juntos.

“Elas são muito travadas, Professor!”. “Têm medo da bola”.

“Eles são muito agressivos, Professor!”. “Reclamam quando a gente erra, não dá pra jogar junto mesmo!”.

Feito isso com a turma, passei a me arriscar. O primeiro momento que criei nas aulas, utilizei um termo que meu amigo Jonatas chama de “Soco no estômago”. Fui bem enérgico e com bastante discurso para dialogar com eles propondo aulas com todos em quadra.

“Como assim? Jogar todo mundo junto? Tô fora dessa!”

Isso foi o que mais ouvi nas aulas iniciais.  Eram muitos “incêndios” que precisavam ser apagados: Alunos que se recusavam a participar com medo de se machucar, alunos que costumeiramente se recusavam a participar e que utilizaram esta situação como explicação pra não participação. E claro, alunos que estavam participando e que se desmotivavam com a estrutura da aula, pois precisariam em alguns momentos “pegar mais leve” em suas práticas. Pra cada caso, uma conversa: Explicava pra alguns que o tempo de 50 minutos me forçava a começar o ano assim tentando conhecê-los melhor. Também explicava que o medo de participar se parecia muito com o medo em outras situações da vida deles e que eu estava ali para garantir a segurança deles. E claro que também tive de motivar aqueles sempre acostumados a participar bastante, mas do antigo modo apenas jogando o jogo parecido bastante com o jogo do intervalo (recreio). Argumentei que a prática deles no momento de aula deveria ser diferente do recreio e que eu precisava propor atividades para todos, todos tinham direito de ter aula de Educação Física. Não recebi muito sorrisos de volta com este discurso.

Utilizei diversos discursos, mas não inventei nenhum. Todos faziam parte do que eu realmente acreditava e pra mim, faziam sentido com meus objetivos com a turma. Tudo isso em apenas 50 minutos. Não pense que essa passagem toda foi um conto de fadas e nem que até hoje eu não enfrento problemas de medo, desmotivação e desconfiança quanto à participação. Mas posso dizer uma coisa que até hoje agradeço a esta turma: Com o tempo, eles me ouviram!

E ao me ouvir resolveram me dar uma chance de tentar algo diferente com eles. A cada conversa, a cada momento de discussão com estes meninos-homens e com estas meninas-mulheres, eu sentia vontade de passar muito mais de 50 minutos com eles. Sentia que nossas conversas não terminavam, elas entravam em nosso dia a dia e o desafio era algo apenas prorrogado para uma próxima semana. Começamos o ano com uma conversa um tanto quanto confusa, em certo momento eles passaram a me dar atenção, hoje eles já conseguem me dar a mão.



Passado um bimestre de muita conversa e muito a se fazer ainda, estes jovens estão me dando a chance de fazer diferente. E é claro que penso que poderíamos ter já avançado muito mais. Mas é incrível também ver a maneira como muitos me deram e se deram a chance de ser diferente. Só o simples fato de não se fazer mais o que sempre fizeram, deixando muitos de fora com “eternas dores de cabeça, mal estar” e outros relatos mais, sinto um orgulho incrível do que esta turma vem produzindo. Repito e eles sabem disso: 


Estamos muito longe ainda do que podemos ser como turma, mas o simples fato de já não sermos mais os mesmos, me enche de orgulho e esperança por uma Educação Física com maior qualidade no nosso País. Uma Educação Física que não perca seu aspecto prático e participativo, mas que tenha atrelado a isso um discurso crítico, uma percepção do que cada um pode aprender e evoluir enquanto pessoa e uma capacidade  de superar os desafios propostos nas aulas como também os desafios propostos pela vida.

Hoje em dia, essa turma me dá a chance de fazermos temáticas de aula com todos juntos, em outros momentos separados, mas não mais com o intuito de evitar relações, e sim de potencializar conhecimento e me dão a chance de conhecê-los um pouco mais. Quando toca o sinal na terça-feira de 10h20, sei que tenho de estar preparado para continuar insistindo com esta turma de que podemos mais, mas sei que também sairei dali com uma chance que me foi dada por eles de fazer o trabalho que acredito e que amo.
Aos formandos queridos deste terceiro ano, meu muito obrigado pelos poucos momentos que já vivemos juntos.

Ainda vem muito mais por aí!

Ai de vocês se ficarem acomodados por causa deste post!

Abraço à todos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Reflexões sobre as competências de um treinador - Parte I

Este ano tenho conversado muito com dois influentes amigos no meu trabalho na escola e no esporte.
Falo de Ronaldo Pacheco e Jonatas Maia. Periodicamente temos nos encontrado para conversarmos sobre nossos trabalhos e para botar no papel algumas ideias que temos tido, mas que, devido a correria do nosso dia, ficamos impedidos de praticar com tranquilidade.
Nestes encontros formamos algumas parcerias e nem sempre os 3 estão diretamente envolvidos. Um tema que Ronaldo e Jonatas começaram a desenvolver juntos, tratava de uma discussão sobre as competências necessárias para o treinador esportivo. Acompanhei "de camarote" as discussões por email até eles produzirem este primeiro capítulo sobre esta temática. Como vocês irão perceber, o tema abordado será dividido em diversos capítulos e eu terei o prazer de dividir este material aqui pelo blog. Na primeira vez que li esta versão inicial fiquei pensativo e me surgiram muitas ideias e comentários. Então pensei: Se eu fiquei com tantas ideias após ler, imagina então os leitores que aqui frequentam e que se preocupam com esta formação continuada do professor que atua na área desportiva. 

Portanto, aproveitem a leitura e comentem!




REFLEXÕES SOBRE AS COMPETÊNCIAS DE UM TREINADOR


Em contato com a revista da Federação Espanhola de Basquetebol vi uma figura de um dado em que constavam as seis competências de um treinador de basquetebol. As análises feitas por mim a partir desta figura podem não estar de acordo com os professores que realizaram o estudo, mas os tópicos ali contidos me levaram a realizar algumas reflexões sobre os itens apontados. Para não tornar as análises longas e cansativas pretendo comentar em separado cada uma das partes destas competências.
As competências básicas relacionadas eram:
1 – COMPETÊNCIA EM COMUNICAR-SE.
2 – COMPETÊNCIA DIRETIVA E GESTORA.
3 – COMPETÊNCIA PEDAGÓGICA.
4 – COMPETÊNCIA EM APRENDER A APRENDER
5 – COMPETÊNCIAS EM CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E DO JOGO.
6 – COMPETÊNCIAS SOCIAIS E EM VALORES.
Ao escrever este texto, submeti-o a alguns colegas e o prof. Jonatas Maia fez algumas observações que acredito ter extrema pertinência a estes temas.
De acordo com o seu pensamento, o qual concordo plenamente, “é necessário declarar que estes tópicos, embora possam ser discutidos em separado, só fazem sentido caso sejam compreendidos numa relação de interdependência. A categorização nos ajuda a formular problemas específicos e cada um deles e isso certamente contribui no aprofundamento das reflexões, mas é preciso que no âmbito da formação de treinadores, estas competências sejam desenvolvidas e percebidas de maneira interligada. O que quero dizer é que acredito que só teremos a figura do “treinador competente” quando este tiver desenvolvido bem todos estes tópicos.
Justifico esta minha preocupação ao defender a idéia de que competência do treinador se estabelece pela integração de todas estas competências elencadas, pois, penso que é necessário superar a concepção de que existem técnicos (ou treinadores) só educadores e que estes não tem as competências necessárias para serem competitivos. Eu vivi um pouco disso quando da minha breve passagem como técnico de basquete. A propósito destas competências sociais e de valores, as quais penso ter desenvolvido, para muitas pessoas elas não são compatíveis com o esporte em sua manifestação do rendimento ou do esporte de alto nível. Não concordo com isso. Creio que estas pessoas que concebem o esporte de maneira equivocada, mas que se sustenta por ser uma idéia hegemônica de um esporte que só se realiza quando nos oferece a vitória, custe o que custar.

Outro exemplo de como só teremos o treinador competente caso este se valha de todas aquelas competências, é pensar no tópico sobre o conhecimento científico e do jogo. Esta competência não se estabelece sozinha, ou seja, não faz sentido caso esteja isolada. Há uma interdependência dela com a competência comunicativa, por exemplo.
De forma concreta, é só observar os pedidos de tempo dos técnicos de basquete na TV. É bem provável, que alguns deles dominem cientificamente o jogo, mas na medida em que poucos desenvolveram a competência comunicativa, a atuação deles perde muito em eficiência.”
Após estes comentários introdutórios gostaria de iniciar minhas reflexões sobre as competências sociais e em valores.
Este tópico é dividido em alguns subitens: 

- Aprender a respeitar e fazer-se respeitar; 

- Entender a responsabilidade de ser um treinador; 

- Ser capaz de formar pessoas além do jogador; 

- Dominar as técnicas de dinâmicas de grupo; 

- Entender o basquete como instrumento educativo; 

- Inserir valores e ser exemplo para os atletas; 

- Possuir a ética necessária para ser um treinador; 

- Conhecer as regras do jogo e sua aplicação por parte dos árbitros.







Vejo alguns pontos de destaque e que deveria levar a reflexão qualquer treinador em qualquer faixa etária ou grau de competitividade em que atue.
Inicio pela questão de aprender a respeitar e fazer-se respeitar. Este item me parece estar aliado a outros dois: Entender a responsabilidade de ser um treinador e ser capaz de formar pessoas além do jogador.


É sabido que para se ter respeito é necessário respeitar. Vemos na maior parte das equipes a exibição da autoridade do técnico e não o respeito entre os componentes. É necessário entender que a autoridade é algo concedido e não imposto, é algo conquistado e não determinado. A autoridade de um professor/treinador advém da sua competência como tal e principalmente da forma com que ele trata seus atletas/alunos. A responsabilidade de um professor/treinador vai muito além de ensinar o jogo, dirigir a equipe. Ao ser incumbido desta função o treinador deve se propor a formar pessoas, reforçar valores e a partir da sua conduta justa e coerente ser um exemplo para a conduta dos seus alunos/atletas. Na questão relativa a valores, os professores ensinam muito mais pelo seu exemplo do que pelo seu discurso.


Para ser justo e respeitoso é necessário enfrentar de frente os conflitos, que certamente surgirão, com colocações que permitam o diálogo e a exposição de idéias contrárias. Ao respeitar as idéias, respeita-se o indivíduo. Uma frase que marcou muito a minha vida e minha conduta é: “As palavras são fortes quando os argumentos são fracos”. Ter a capacidade de refletir e argumentar é algo que faz com que os elementos de uma equipe sejam e sintam-se respeitados.
O basquete, como todo esporte, deve ser visto com um instrumento educativo, como uma oportunidade de ação e reflexão sobre nossas condutas e principalmente uma excelente oportunidade de conhecermos melhor sobre nós mesmos e nossas relações sociais.
E vocês, o que pensam sobre isso?


Ronaldo Pacheco

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tentando atualizar

Estou atravessando uma fase difícil no blog. Com a correria dos trabalhos (São 4 este ano), tenho tido dificuldade de sentar pra postar e atualizar o blog. Na verdade estou cheio de posts guardados meus, artigos de amigos que me enviaram pra postar. Mas o que mais está pesando por enquanto é que estou sem internet em casa. E postar fora de casa exige um pouco mais de dedicação e é exatamente esta dedicação que não estou conseguindo ter por agora.

Mas fui ler o site do Rodrigo Alves (Homônimo meu) chamado Rebote e vi um vídeo que ele postou recentemente que me fez pensar: "Esse dá pra postar rapidinho". E é exatamente o que estou vindo fazer aqui.

Venho postar os momentos finais da Liga ACB em sua 26ª rodada no jogo entre Unicaja e Real Madrid.

Ficam apenas as questões após esse vídeo:


Alguma dúvida do quão emocionante pode ser este esporte?


Alguém já havia visto algo parecido?



Abraço à todos e espero retornar em breve. Torçam pela minha internet.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Prioridades em equipes esportivas nas suas diversas categorias

Aproveito o carnaval para atualizar com mais um excelente artigo do Prof. Ronaldo Pacheco.

*                                                                              *                                                                          *


Neste meu contato com os leitores desse blog gostaria de abordar as prioridades para quem atua com o basquetebol nas suas diversas faixas etárias. Não pretendo aprofundar sobre os aspectos técnicos, táticos e psicossociais, mas, caso haja interesse, poderei tratar sobre eles em futuros textos. 


Os planejamentos táticos, técnicos e psicológicos de uma equipe esportiva exigem um estudo prévio das condições oferecidas para o treinamento: os objetivos da equipe, o material humano que estará à disposição para a realização deste trabalho, e os princípios morais que irão nortear os critérios adotados pelos técnicos ou professores da equipe. 


No início do trabalho devem ser analisadas as condições materiais, disponibilidades de horário para treinamento, filosofia do trabalho (formação, lazer, competição, etc.), formação dos profissionais que comporão a comissão técnica e as expectativas em relação aos resultados (curto, médio ou longo prazo). 


É imprescindível antes de iniciar o planejamento técnico e tático de qualquer modalidade coletiva, definir alguns pontos sobre princípios éticos e de convivência da equipe. 




O basquetebol como a maioria dos esportes, quando bem utilizado, é, sem sombra de dúvidas, um poderoso instrumento educativo. Independente do nível em que estamos atuando devemos priorizar o respeito ao ser humano, a sua individualidade, e as regras básicas de justiça e convivência social.



Deve-se desde cedo priorizar o aspecto coletivo do basquetebol acima do talento individual. Michael Jordan costumava afirmar que “talento vence jogos, mas o trabalho de equipe vence campeonatos”. Podemos notar, portanto, que um dos pontos mais importantes a se trabalhar deve ser o trabalho de equipe, a interação técnico-jogador, jogador-jogador e as dinâmicas de grupo.



PRIORIDADES NAS CATEGORIAS DE BASE (até os 13 anos)


É importante estabelecer desde cedo os princípios que nortearão os aspectos educativos nas equipes de base. Sabemos que a prática esportiva para a criança tem papel fundamental na formação da sua auto-estima, seu papel social e sua necessidade de pertencer a um grupo. Portanto, devemos ter consciência que atitudes impensadas ou que promovam discriminação em uma equipe iniciante, pode ter repercussões desastrosas na vida pessoal da criança e na sobrevivência da própria equipe.

Em vista disso, uma das prioridades na formação de uma equipe de base deve ser a preocupação com as normas que vão reger a conduta dos membros desta equipe.


Quando uma criança inicia sua vida esportiva a prioridade é a sua formação humana. Nesta fase é imprescindível fazer com que os iniciantes assimilem os valores éticos, a superação e o esforço, os quais mais tarde os distinguirão como desportistas e como seres humanos.



Nesta fase o treinamento deve ser voltado para a relação com os companheiros; uma preparação que envolva a coordenação motora; a consciência corporal; a ampliação do repertório motor; consciência dos elementos do jogo (bola, companheiros, situações espaciais, etc). Devemos afastá-los da hipervalorização da vitória, de avaliações precipitadas sobre resultados e da busca por medalhas e classificações finais. Neste ponto devemos educar também os pais, pois a ansiedade deles em relação a performance dos filhos, quando não controlada, pode prejudicar a participação da criança no campo esportivo.





Quanto ao trabalho técnico devemos introduzir os fundamentos do jogo priorizando a ludicidade no esporte, onde a criança possa desenvolver o maior repertório de movimentos sem preocupação com a técnica específica da modalidade. As brincadeiras e os jogos pré-desportivos devem nortear a programação de treinamentos (se é que podemos chamar assim esta fase de iniciação). Devemos levar sempre em conta que a maioria das crianças entra no esporte em primeiro lugar para se divertir e secundariamente em aperfeiçoar-se na modalidade praticada. O fundamento do passe deve ser bastante valorizado, pois este, é a essência do jogo coletivo. Os demais fundamentos devem ser trabalhados sem que se exija um nível alto de execução, mas fazendo com que os praticantes entendam a necessidade de se aprimorar cada vez mais em cada um deles. 



CATEGORIAS INTERMEDIÁRIAS: (Dos 14 aos 17 anos)

Nesta fase deve-se priorizar a execução correta dos movimentos técnicos. É aqui que os jogadores adquirem os hábitos principais que irão desenvolver durante sua carreira desportiva. Para tanto devemos aprofundar os fundamentos individuais e coletivos. 

Nesta fase devemos corrigir os “vícios” dos movimentos mal executados. O jogador deve passar o maior tempo possível testando movimentos, e observando outros jogadores de maior nível. É importante passar conceitos coletivos aos jogadores fazendo com que os mesmos entendam como ocorre o jogo e não executando estes movimentos de forma automática, sem uma reflexão. 



Nesta etapa a formação técnica deve ser aliada aos conhecimentos táticos do jogo (falarei sobre os princípios táticos e pré-táticos em artigo posterior). É importante que o jogador aprenda a analisar a situação do jogo, entender as ações que acontecem e buscar soluções coletivas para elas. Deve ser estimulada a dimensão cognitiva de cada participante visando facilitar o trabalho físico e técnico que serão exigidos no jogo. 


Preservar o espírito de conjunto e o respeito ao trabalho coletivo é fundamental. Muitos técnicos em busca da vitória imediata abrem mão dos princípios éticos e de convivência do esporte. A prioridade para o técnico deve ser estabelecer o seu critério ético, a segunda, ganhar. ”Se impomos nosso critério e ele é bom, é certo que mais cedo ou mais tarde venceremos”. (Manel Comás) 

O técnico da equipe deve ter paciência com a evolução, pois a melhora nesta fase se dá de forma lenta, porém a assimilação será mais consistente. 





CATEGORIA JUVENIL: (17 a 19 anos)


Nesta categoria é importante um aprofundamento dos princípios táticos do jogo e a lapidação técnica dos fundamentos. Os jogadores já devem estar maduros para encarar com mais seriedade e empenho os treinamentos, a competição e seus resultados. Devemos conhecer os objetivos que tentamos alcançar e os objetivos de cada jogador. Deve-se mostrar a importância da coesão do grupo para o alcance dos objetivos da equipe. A formação dos princípios morais e éticos realizados desde o início da vida esportiva será fundamental nesta etapa. Na verdade, esta formação acontecerá durante toda a carreira atlética tanto de jogadores como de técnicos.



CATEGORIA PRINCIPAL (adulto) 

Ao chegar à categoria principal deve-se aproveitar ao máximo toda a performance técnica dos jogadores como também seu conhecimento tático, sempre em prol do trabalho coletivo. 



O jogador deve persistir no seu aperfeiçoamento, pois, pela complexidade técnica e tática do jogo de basquetebol, não existe um jogador que saiba tudo do jogo. Mesmo os melhores jogadores do mundo ainda têm coisas a melhorar. 



Nesta etapa o jogador deve ser eficiente e participativo. Deve ser obediente nas questões táticas e humilde para colocar sua individualidade à disposição do coletivo. Deve saber “ler” o jogo e fazer as opções corretas dentro da partida. Deve entender que a performance do jogo depende da aplicação no treinamento e que o esforço coletivo é o caminho mais seguro para as vitórias. 




Todas estas prioridades devem ser conduzidas por professores/técnicos que realmente acreditem no papel educativo do esporte, e que entendam que as vitórias em jogos são passageiras, mas a formação humana é o que realmente ficará na vida dos seus comandados.


Até o próximo artigo!

Ronaldo Pacheco

sábado, 5 de março de 2011

Eu só peço a Deus um pouco MENOS de malandragem

Na década de 40, Walt Disney em uma visita ao Brasil, especificamente ao Rio de Janeiro, declarou seu amor à cidade. Disse amar tanto o Rio de Janeiro que precisaria deixar um presente aos cariocas. Dizem que Walt Disney,de dentro do hotel Copacabana Palace no qual estava hospedado, criou o papagaio que seria o elo entre Walt Disney World e o Brasil. O Personagem era o José Carioca (vulgo Zé Carioca), conhecido por ser um personagem festeiro e divertido. Zé Carioca participou de alguns filmes da Disney nos EUA e no Brasil, o papagaio chegou a partir da década de 50 nas revistas em quadrinhos e começou então a criar e difundir a sua personalidade. Sua veia festeira e divertida foi expandida para um nato malandro carioca. Zé Carioca abusava de seu carisma para mostrar um lado alérgico ao trabalho e também caloteiro. Fugia de seus cobradores, mas ao invés de sofrer com isso, gostava de apreciar e valorizar a praia, as comidas típicas e vivia espalhando bom humor em suas histórias. Para muitos, Zé Carioca era a personificação do "típico Brasileiro", que abusava da criatividade e do "jeitinho brasileiro" para seguir levando a vida.


Já na década de 70, mais precisamente em 1976, outro personagem conhecido nacionalmente, só que agora relacionado ao esporte, teve sua imagem associada à malandragem. Gérson de Oliveira Nunes, mais conhecido como "canhotinha de ouro", meia da Seleção Brasileira e campeão na Copa do Mundo de 70, participou de uma propaganda de cigarro onde dizia:

"Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também."




Esta frase foi adotada pela cultura popular para simbolizar a suposta malandragem brasileira, o "jeitinho" desonesto de ser, e assim, nascia a Lei de Gérson
Mais tarde, o jogador declarou o profundo arrependimento de ter seu nome associado a um desvio de conduta da qual muitos brasileiros se vangloriam de ter. A malandragem faz parte do imaginário social do nosso povo. Pesquisei brevemente no Wikipédia e de lá extraio um pequeno trecho que define bem o que seria essa ação tão aceitável em nosso País.

"Malandragem define-se como um conjunto de artimanhas utilizadas para se obter vantagem em determinada situação (vantagens estas muitas vezes ilícitas). Caracteriza-se pela engenhosidade e sutileza. Sua execução exige destreza, carisma, lábia e quaisquer características que permitam a manipulação de pessoas ou resultados, de forma a obter o melhor destes, e da maneira mais fácil possível. Contradiz a argumentação lógica, o labor e a honestidade, pois a malandragem pressupõe que tais métodos são incapazes de gerar bons resultados. Aquele que pratica a malandragem (o "malandro") age como no popular adágio brasileiro, imortalizado pelo nome de Lei de Gérson."

E por que estou a falar deste assunto por aqui?

Tudo porque um fato que ocorreu recentemente me lembrou muito todo este tema da malandragem. Agora em 2011, me deparei com uma situação em um jogo de basquete que pertencia à fase de classificação do NBB3 (Novo Basquete Brasil).


A partida era entre Joinville e São José. A equipe de Joinvile vencia por um ponto de diferença e a posse de bola em lateral era da equipe de São José. Restava pouco tempo e o lance, que aos olhos parecia simples e normal, foi denunciado pelo narrador como um lance polêmico.
Quando assisti pela tv, infelizmente não conseguiram cobrir o lance como ocorrido, pois eles estavam filmando um jogador da equipe de Alberto Bial (técnico da equipe de Joinville) que havia se machucado como você pode conferir aqui:




Ao final da partida, o ala Renato(que cobrou o lateral no fim do jogo) deu uma entrevista ao canal de tv indignado com o ocorrido e reclamando da atitude do técnico adversário. Já em seguida, o próprio Alberto Bial também concedeu uma entrevista tirando o foco do último e polêmico lance e dando ênfase em outros assuntos, dando um "show" de emoção, amor ao esporte e "lição" sobre ganhar e perder, como vocês também podem ver aqui:





Desde então fiquei com uma "pulga atrás da orelha" com o ocorrido. Procurei blogs sobre basquete, tentei ler mais sobre o jogo e não conseguia saber o que, de fato, havia acontecido naquele fim de partida. 

Os dias foram passando e já não me recordava tanto desta história. Ficou pra mim como um caso mal resolvido, até que anteontem li no blog do Bala na cesta que o técnico Alberto Bial havia sido punido com três jogos de suspensão no NBB. Ao ler esta notícia, pensei que realmente o ato de Bial deveria ter sido mesmo de má fé. Minha curiosidade por este caso reascendeu e voltei a pesquisar na internet sobre o assunto até que consegui achar um vídeo do lance filmado por um torcedor que denuncia bem o ococrrido como vocês também podem ver aqui:






Infelizmente assisti a uma situação que não condiz com uma competição que diz ter vindo para resgatar o Basquete Brasileiro. Muito pelo contrário, ela me levou à assistir a personificação do Zé Carioca em carne e osso utilizando-se de suas malandragens e em seguida, de seu carisma, lábia e prepotência em achar que estava tudo bem. Esse exemplo indigno do Basquete Brasileiro veio de um técnico que admiro(ou admirava, ainda não sei) pela demonstração de sua paixão pela modalidade. O técnico em questão é Alberto Bial. 

Bial, no calor de um jogo emocionante e disputado até o último segundo(isso não pode ser argumento para agir de má fé) , estava à beira da quadra e seu time vencia por um ponto. O ala Renato, da equipe de São José, iria repor a bola em jogo quando faltavam 1,9 segundos para o fim da partida. Em uma atitude de desespero e destempero, mas também de desrespeito ao jogo, ao esporte em questão, aos torcedores presentes e os que assistiam pela tv, o técnico Alberto Bial corre de sua posição de técnico no banco de reservas para marcar o ala Renato e impedir a sua reposição de bola. Sua entrevista no final da partida mostra o que muitos proclamam no Brasil como sabedoria popular. É o se dar bem sem perder a pose. É o malandro dos jogos de futebol dos finais de semana. É o pior que temos para valorizar em troca de uma vitória que tinha grandes chances de acontecer a favor de seu time. Não quero discutir se a punição de três jogos foi justa ou não, mas o que está em jogo é a imagem, a honra, hombridade e respeito ao outro, tirando dele a chance de tentar te vencer.


Pra quem já deu aula em escola ou já organizou qualquer pequeno evento esportivo, deve saber muito bem como esta atitude está presente no esporte, principalmente entre os mais jovens. A criança e o jovem são transgressores por natureza. Mas não é por causa disso que não devemos agir e intervir. Cabe ao professor pontuar sobre estas questões de imediato em cada aula, em acontecimentos parecidos, ou caso mesmo ela não aconteça(utilizarei este post em minhas aulas) e mostrar que o adversário está na quadra para nos tornar mais forte, para nos desafiar e caso consiga, para nos vencer. O erro não está no esporte ser de rendimento ou competitivo. O erro está nas pessoas, nas ações e nos péssimos exemplos que nos são passados por dirigentes, técnicos, atletas e muitas vezes até locutores na tv. O senso comum do malandro já está mais do que com o prazo de validade vencido. Precisamos superar esta máxima. E ao Bial, não só famoso pelo seu trabalho como por ser irmão de um âncora da tv, deveria ao menos retratar-se sobre o ocorrido. Após uma atitude como esta, perde-se o valor do empenho da equipe de Joinville que lutou cada segundo pela vitória. Mas a vitória ou derrota não está mais em questão. O que fica evidenciado e em foco é em como ainda fazemos de tudo pelo sucesso momentâneo. Vale à pena trocar a sua reputação por uma vitória? O mais triste é que certamente alguns torcedores saíram do ginásio proclamando: "O Bial é o máximo, você viu o que ele fez no jogo?" Essa ideia da malandragem e da vitória a qualquer custo desperta para muitos torcedores o lado da paixão, da luta pela vitória de seu time, é um sinal do compromisso de seu técnico com o sucesso de sua equipe e ainda é vista com graça por muitos. Mas sei que que outros tantos conseguem enxergar e interpretar que atos isolados como estes ofuscam atuações maravilhosas de jogadores e equipes.


Já assisti algumas vezes este lance e nessa hora confesso que sinto pena do Gérson. Sempre que atos de desvios de conduta acontecem desta forma, muitos assistem o lance perplexos e dizem para alguém: 


"Essa é a legítima Lei de Gérson."

O pobre Gérson não tem nada a ver com isso. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um dia após o outro



"Hoje estou aqui esperando a hora chegar. Espero que tudo possa dar certo e que eu conquiste talvez o meu maior sonho no momento que pode me abrir muitas portas na vida. Sei que poderia ter feito muito mais e que devo ter deixado a desejar, mas não posso negar os acontecimentos marcantes que certamente fazem parte da minha mudança nesse semestre. Com certeza aprendi muito como pessoa e acho que aprendi muito na vida. Só peço à Deus que eu tenha saúde para trilhar a minha vida. Tenho certeza de que posso mais e que tenho muito a mostrar. Tomara que daqui pra frente eu não regrida e que chegue aos meus sonhos com trabalho, luta, suor, alegria e realização. Tomara também que quando eu voltar a ler isso aqui, possa estar dando risadas desse meu momento de pressão interna e externa e que eu, enfim, seja um calouro universitário. A hora é essa, Rodrigo! Seja feliz e boa sorte." 
11 de Junho de 1998 - 21h02.


Escrevi esse texto momentos antes de encarar o vestibular no dia seguinte. Hoje, aos 32 anos, olho pra trás e vejo o quanto devo às pessoas que me cercaram, das quais discordei, briguei, amei, dos amigos que fiz, dos colegas que perdi o contato e em geral de tudo o que vivi. Desde garoto usava agenda(nem sempre organizada) para registrar os momentos marcantes da minha vida. Era um forma de aprender com as sensações vividas. Lendo esse texto vejo o quanto voltei a errar, percebo quantas vezes regredi, mas acima de tudo, quantas vezes me dei a chance de tentar novamente e aprender com os erros. Penso quanto desse blog tem de influência de tudo isso que passei. E de alguma forma sou grato à isso. Grato aos amigos, à família, aos professores que me ensinaram a sonhar e fazer acontecer (e aos que me desanimaram também), aos meus alunos queridos, alunos que me mostraram que era possível uma Educação Física diferenciada e que nem sempre concordaram com minhas ideias me tornando mais forte e um profissional mais capacitado.
Sou grato por tudo isso e garanto: Quero e posso muito mais!
Este espaço aqui certamente é uma realização pessoal, e hoje, está entre meus compromissos de vida.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Psicologia do Esporte e suas barreiras.

Mariana é "figurinha carimbada" por aqui. Além de sempre contribuir com seus comentários nos posts e ser uma grande amiga feita no trabalho e na afinidade descoberta no dia a dia, ela também já participou deste blog com um excelente post falando sobre o papel do psicólogo desportivo (se você não viu é só clicar aqui). Além disso, Mariana está também com uma entrevista no site do atleta Nezinho, no qual ela fala sobre as possibilidades de trabalho com a Psicologia do Esporte e que você também pode conferir clicando aqui.

Mariana é daquele tipo de pessoa quem podemos definir com a palavra "Intensidade". A cada chance que ela tem de realizar um trabalho novo, o nível de envolvimento e comprometimento chega sempre no limite. E por estar lutando por uma carreira que tem difícil sobreviência no País, Mariana tem se arriscado em novos trabalhos na área no qual nem sempre se depara com as situações que acredita serem o tipo ideal para se trabalhar. E assim, com a intensidade que lhe é peculiar, há duas semanas recebi uma carta desabafo da Mari contando um pouco sobre as experiências que tem vivido Brasil afora. 
Agora, ela está de volta à Brasília para trabalhar com a equipe Sub-20 do UniCeub-BRB, que é comandado por Ronaldo Pacheco, o primeiro técnico com quem trabalhou em equipes esportivas.

Mariana, Ronaldo e eu - Psicóloga do Esporte fazendo parte da Comissão Técnica

Fica aqui o agradecimento à Mariana pelo desabafo compartilhado, pelo sonho de fazer um trabalho sério e justo e um desejo de Boa Sorte em sua nova empreitada!

Fiquem com seu relato que evidencia uma realidade em que infelizmente não basta estudar muito e trabalhar duro. É preciso diariamente lidar com barreiras que vão além do fazer certo.


Do que minha compreensão muitas vezes não alcança


Que no Brasil (e não só o Brasil) tem corrupção, injustiça e exageros todos nós sabemos. Mas mesmo assim prefiro acreditar que há cidadãos que não seguem esse caminho (mesmo que a certeza de que o contrário é mais comum viva me atropelando).
Gosto de conversar e entender sobre os mais diversos assuntos; desde História dos tempos de escola até Geologia.
Isso é bom para qualquer ser humano! Movimenta o cérebro, aguça a curiosidade, amplia conhecimento e vocabulário. Mas de maneira alguma isso faz com que sejamos especialistas em qualquer área.

Parece óbvio e clichê, não?
Não.

Ainda é possível encontrar aqueles que adoram sair por ai transformando cursos livres em graduação e cursos de 36 horas em especialização.
Sou psicóloga e atuo na área esportiva, sempre tomo cuidado com essa definição; o fato de ATUAR em determinada área, não faz com que eu seja ESPECIALISTA nesta. Para que eu possa me definir como “psicóloga esportiva” , além da graduação em Psicologia com duração de 5 anos, as duas formas de obtenção do título de especialista que conheço (me corrijam se estiver errada, por favor) são: prova do Conselho Federal de Psicologia ou curso de 2 anos do Instituto Sedes Sapiente (São Paulo), único que cumpre a carga horária exigida para tornar-se especialista em Psicologia do Esporte.
Mas ainda tem aqueles que saem por ai batendo no peito e vendendo para os times/clubes  um currículo recheado de sonhos, ou melhor, um currículo de psicólogo esportivo valendo-se apenas dos cursos livres e/ou de 36 horas. Além disso, saem por ai “fazendo treinamento mental” até com vendedores de loja. Pobres atletas!

Por que?

Porque em um país que tende à injustiça e ao exagero é prática comum não exigir documentação que comprove e valide a prática real das experiências ditas. Mágica? Não! Basta ser amigo, primo ou esposa de Fulano de Tal que sua vaga está assegurada, seu salário garantido e sua índole reprovada, mas isso não vem ao caso! Quem se importa?
Eu não acharia normal se alguém ao acordar, decidisse por conta própria que é biólogo marinho e se dirigisse para uma das unidades do Projeto Tamar para cuidar de suas adoráveis tartarugas. Sendo assim não acho normal que alguém ao acordar, decida por conta própria que é psicólogo esportivo e se dirija para um grande time/clube para “cuidar” de seus atletas.
Na minha humilde opinião, aqueles que sem qualquer legalidade, conteúdo e responsabilidade, saem por ai intitulando-se psicólogos esportivos e por consequência “fazendo treinamento mental” precisam na verdade de um bem conduzido TRATAMENTO MENTAL.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem desculpas.


Como já disse outras vezes por aqui. Uma das coisas mais bacanas do trabalho que escolhi pra minha vida é conhecer pessoas que fazem a diferença em suas vidas e na vida dos outros. Um de meus amigos nessa área é um grande técnico que tive o prazer de trabalhar ano passado chamado Michael Swioklo.

Michael é muito mais que apaixonado pela modalidade de Basquetebol. É também um estudioso da área. É muito comum ele me passar vídeos de técnica, tática e sistemas ofensivos e defensivos do qual nunca havia visto até então. Devo ao Michael minha nova fase de estudos na modalidade e daí surgiu uma grande amizade pela paixão em comum com o nome de Basquete.

Mas em seu Facebook certo dia, ele postara um vídeo de um jogador que dá uma lição de superação e que joga na Divisão I da NCAA (Liga Universitária Norte Americana). Na publicação do vídeo em seu perfil, Michael dizia: "Parem de dar desculpas!"
Uma forma de provocar àqueles atletas que convivemos e que sempre se mostram com muita dificuldade, problemas e quando na verdade, os problemas não são sempre tão preocupantes assim.

Quando vi o vídeo e percebi que meu pobre inglês não conseguiria traduzir tudo tão próximo do ideal, pedi à Michael que traduzisse para eu publicar um dia. Na mesma noite em que pedi, recebi um email do próprio Michael dizendo palavras como:

 "Fiz logo para não ficar enrolando depois, acho que fiquei inspirado por ele!"


Acredito que esta frase já resume bem como esse vídeo pode nos inspirar a sermos cada vez melhores!

Hoje, 20 dias depois de ter me enviado, venho finalizar sua edição e postar pra vocês.

Aproveitem.