quinta-feira, 9 de setembro de 2010

E agora? Qual caminho a seguir?

Após uma derrota sofrida como a do dia 7 de Setembro, perguntas ficam soltas pelo ar. E dessas perguntas que foram feitas em sites e comentários espalhados pela internet, a que prefiro discutir é:

Qual caminho seguir a partir de agora?




Apesar da derrota ter sido extremamente dolorosa com uma movimentação repetida da seleção da Argentina abusando do Pick and Pop(movimentação que explicarei futuramente por aqui) de Scola e de não termos variado a cobertura e saída de bloqueios, tenho a plena certeza de que estamos melhor e em um melhor caminho do que antes. 





É claro que perder deste jeito, ver Huertas saindo chorando do jogo após uma atuação(na verdade um mundial inteiro) sensacional, dói bastante. De alguma forma dói ter de ter paciência para trabalharmos até vermos o Brasil em uma melhor colocação. Mas é o que nos resta fazer e é o que temos de seguir de agora em diante.


Mas sou extremamente confiante de que Rubén Magnano agora terá uma boa chance nas mãos. Terá um tempo maior para olhar outros jogadores, investir em um início de renovação e assim, buscar um Brasil mais completo, que tenha atletas aptos não só na meia quadra de ataque, mas também defensores de qualidade que se entreguem por completo a um sistema de defesa que possa tirar os adversários de posição mais vezes. 



Será tempo também pra potencializar outros atletas que estão em plena fase de amadurecimento. Temos uma geração de atletas entre 18 e 22 anos espalhados pelo Brasil com muito talento. E imagino que Magnano agora terá a chance de mesclar alguns destes jovens com aqueles que ainda devem seguir em nossa Seleção motivados a conseguir uma vaga para nossa volta às Olimpíadas.





Enfim, agora será um momento de cada técnico seguir seu trabalho em seus clubes ou escolas, sejam categorias de base, seja adulto. Cada técnico agora é em potencial um responsável pela renovação do Basquete Brasileiro, e por isso devemos ser responsáveis também por não deixar uma filosofia antiga que deu vitórias ao Brasil em um antigo modelo de basquetebol voltar a reinar. Não é porque ainda não tivemos êxito em nível mundial que o trabalho não está evoluindo. Confesso que temo nestas derrotas retrocedermos para o basquete de dois jogadores que pontuam e que limitam o poder de superação e aprendizado de outros.

 A beleza do basquetebol está na diversidade que ela pode criar em seus praticantes. 



Talvez se Kevin Durant tivesse nascido no Brasil, teria sido treinado apenas para ser um pivô nos moldes da geração Mão Santa, apenas podendo brigar por rebotes e fazendo bloqueios, tendo seu talento minimizado a um basquete que servia a poucos e diminuía a muitos. Talvez se Luis Scola tivesse também nascido por aqui, teriam o achado alto mas um pouco pesado e lento pra ser um grande pontuador.

Vamos seguir em frente, trabalhando, treinando e incentivando nossos atletas a serem melhores a cada dia. A entenderem do jogo, terem leitura de ataque, de defesa e que se libertem do jogo escravizador que reinou no basquetebol brasileiro por muitos anos. Este esporte belíssimo e apaixonante não é apenas para alguns que se dizem santificados com um dom. Este esporte é pra quem treina e aprende que diante da diversidade e versatilidade, se sai a qualidade não só de um jogador, mas de um grupo.

Prova disso é que temos um excepecional PIVÔ como um dos destaques do campeonato mundial.

Aprendam a ser críticos com tudo que leem e escutam sobre o basquete brasileiro. Ainda falta muita coisa, mas temos chances de entrar no caminho certo nas mãos de Rubén Magnano e se continuarmos cada um fazendo a sua parte. 

Está na hora de olharmos pra frente e não para o retrovisor.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Voltando em dia histórico

Hoje completam 3 meses que não passo por aqui pra atualizar este blog. De alguma forma me sinto decepcionado por tanto tempo sem escrever. Mas ao mesmo tempo sei que nestes 3 meses foram tantos acontecimentos, que precisei dar um tempo de tudo para voltar com força total. Quero nestes primeiros posts após minha volta, me dedicar a estes acontecimentos que ocorreram nestes 90 dias. E hoje é um dia especial para um destes eventos. Hoje, além de completar 3 meses, é também o dia em que o Basquete Brasileiro vai ser posto à prova. E é justamente sobre esta seleção que uma de minhas histórias destes 90 dias sem atualizações passa. Vale deixar como registro.

Foi no final de julho em que descobri que os treinos da Seleção Brasileira seriam abertos para os técnicos assistitrem. Leio o blog Rebote do jornalista Rodrigo Alves quase que diariamente. Me identifico e sinto uma inveja da maneira que ele consegue manter um blog além do trabalho desgastante do dia a dia. Lá, ele comentava que seria um momento em que os técnicos poderiam acompanhar e aprender um pouco com o trabalho dos argentinos Rubén Magnano e Fernando Duró.



Confesso que fiquei inquieto com esta notícia. Apesar de ser apaixonado por basquete e me considerar uma pessoa patriota. Admiro e venero a mentalidade, filosofia e o trabalho feito com o basquetebol na Argentina. Mais precisamente de Rubén Magnano e Sérgio Hernandez. Sobre Hernandez, já o tinha visto de perto em jogos de sua equipe (Penharol) contra a equipe do Universo Brasília em torneios sulamericanos. Mas Rubén pra mim, parecia ser algo inalcançável. Não sabia quando o veria em quadra aqui pelo Brasil. Até que a CBB anunciou Rubén como técnico. Desde então marquei comigo mesmo um compromisso de ver este profissional trabalhando.


Infelizmente meus compromissos profissionais me impediram de ir ao Rio para poder assistir aos treinos da seleção, e eu já me via conformado em acompanhar o trabalho de renovação de Rubén somente após o mundial.

Sérgio Hernandez e Rubén Magnano
Mas no dia 3 de agosto recebi um convite inesperado. Um grande amigo que sabe da minha admiração pelo técnico Magnano, estava na organização do Torneio Super Four que seria realizado em Brasília, me ligou perguntando se eu teria interesse de ser guia da delegação Brasileira neste evento. Era uma decisão difícil de ser tomada ali. E por isso, levei cerca de 3 segundos para responder um SIM!

Me virei no meu trabalho e fui liberado para acompanhar a seleção de quinta-feira à domingo.
Eu nem acreditava, poderia ver de perto os treinos de Rubén Magnano. Estava sendo recompensado por sei lá o que Meu Deus!

E a quinta-feira chegou! A seleção chegou com aquela correria básica de uma seleção recheada dos melhores jogadores brasileiros na atualidade e eu estava lá entre eles. Já no ônibus à caminho do hotel, vivi o principal momento que considero desta experiência. Todos os atletas e componentes da delegação foram no andar de cima do ônibus no caminho aeroporto-hotel. Eu vim sentado no andar de baixo. Sabia das obrigações de um guia e uma que me cobrava bastante era não misturar a admiração por alguns ali com o que eu tinha de fazer. Era importante manter-me de forma profissional naquele evento. Já teria os treinos para assistir e isso pra mim já seria o ápice.


Pois bem, no meio do caminho rumo ao hotel, Rubén decide sentar no andar de baixo, talvez para pensar um pouco sozinho sobre tudo. Sei que viagens em grupo são cansativas. Era um pequeno momento só e eu ali, ao lado dele. Naquele momento estava no andar do ônibus sentado ao meu lado o técnico campeão olímpico pela Argentina. Seleção que tanto acompanhei, escrevi jogadas em pedaço de papel, admirei sistemas defensivos e postura em quadra. O responsável por aquilo tudo estava ao meu lado. Eu, claro, suava frio em todos os poros do corpo. Não sou muito feito para ser fã/ tiete e essas coisas, mas aquele momento confesso que tremi e me obrigava a me apresentar a ele. Queria que ele soubesse que eu estava a trabalhar naquele evento somente por causa do trabalho dele. Enfim, não foi bem o que eu disse mas consegui me apresentar, dizer que trabalhava com basquete na cidade e que gostaria muito de levar um caderno de anotações para os treinos da seleção. Ele me recebeu bem e disse que eu deveria ficar à vontade e anotar o que quisesse tranquilamente. Claro que junto a isso, levei uma pequena filmadora de bolso para registrar algumas movimentações e situações de treinos.

Chegando ao hotel dei de frente com meu propósito naquele evento. Apesar de querer ver tudo referente aos treinos de perto, eu tinha a função de resolver diversos problemas que a seleção teria. Deveria conferir a logística de horários da seleção entre descanso, ida à academia, ida ao ginásio para treinos e horários das refeições e combinar tudo isso com motoristas, seguranças e equipe de apoio. Além disso deveria conferir e levar os uniformes sujos para lavanderia. Estava diante de um situação de humildade também. Não me sobrava tempo para curtir estar ali, era uma correria só. Mas só de sentir que estava de alguma forma ajudando na preparação da seleção rumo ao mundial, me gerava um prazer imenso. Mas claro, nem sempre as coisas aconteceram como eu queria. No primeiro treino da seleção, tive de sair na hora que o treino ficou bom para buscar toalhas sobressalentes para a seleção no hotel, cuidar da quantidade de gelo para tratar alguns atletas com imersão no gelo e essas situações se tornaram rotina para minha função até domingo. Fazia com o maior prazer do mundo mas claro que gostaria de estar ali de perto vendo Rubén comandar o treino. Acabou então que no primeiro dia de treino acompanhei pouco do treinamento. Mas do pouco que vi já havia gostado da postura de Magnano. Tive então uma atitude que considerei fundamental para que eu conseguisse assistir o treino do dia seguinte (e principal treino da seleção no evento) com tranquilidade. Já sabendo de todas as minhas funções no dia a dia com a seleção, no dia do treino bem cedo, antecipei todas as situações que poderiam sobrar pra mim no exato horário do treino. Separei as toalhas em números além do necessário, deixei a quantidade de água pronta, o gelo estava pronto para ser manipulado pelo fisioterapeuta e massagista na quantidade exata, as roupas de treino já estavam limpas e esperando apenas eu buscar na lavanderia e a logística do dia inteiro sobre os horários de saída e chegada já estavam acertadas com o motorista do ônibus, seguranças e com a própria delegação. Teria eu dessa forma a chance de assistir de fato ao treino que seria mais puxado da seleção em Brasília. SIM! Eu havia sido recompensado pela minha ação antecipada.



E assim vi um treino digno de um campeão olímpico. Aquele senhor sereno e tranquilo no hotel, atencioso com quem tentava conversar com ele, estava entregue a um simples treino. Dedicação total. Magnano tem uma capacidade de falar tranquilamente sobre o que quer do treino, da equipe e de ao mesmo tempo enquanto os exercícios são executados, é capaz de ser exigente, estar atento aos mínimos detalhes e chamar a atenção de todos. Friamente falando, não esperava outra coisa dele. Mas só quando se vê ao vivo mesmo é que temos a real noção de como ele é diferenciado de por exemplo nossa concepção de técnico de basquete no Brasil, onde quando os atletas viram "estrelas", acabamos deixando de investir nestes atletas como deveríamos porque estes tornam-se pessoas que não podem ser expostas com cobranças no grupo. Sinto falar desta forma mas o tempo que trabalho com basquete me fez ver que situações de omissão como esta existe espalhadas pelas principais equipes do país.

Magnano era intenso, inquieto, objetivo e sempre querendo mais do elenco. Em um momento uma chamada mais dura frente ao grupo, em outro momento, uma conversa ao "pé do ouvido", uma mão ao ombro do atleta, mostrando que  ele cobra mas está ali junto fazendo parte daquela evolução coletiva. Sua parceria com Fernando Duró também era excelente. Duró estava sempre procurando trabalhar conceitos no qual Magnano não abordava. Por algumas vezes Magnano cobrava uma postura mais consciente e coletiva de ataque e Duró orientava as defesas para dar trabalho ao sistema de ataque. Em outras vezes enquanto Magnano observava ao mesmo tempo ataque e defesa de forma brilhante e no qual fiz questão de ressaltar esta situação em meu caderninho de anotações, Duró corrigia movimentos técnicos, não só de defesa mas também gestos técnicos de ataque, posicionamento e finalização. Estava ali assistindo a um verdadeiro trabalho em equipe de técnico e assistente, e não o que infelizmente muitas vezes assistimos no nosso País onde o assistente é um mero anotador de estatísticas e que não pode falar muito durante o treino porque pode parecer que ele está tentando tirar o lugar do técnico (Calma! Sei que em muitos lugares do Brasil existem equipes que trabalham decentemente também).

E assim tive acesso a um treino que nem a imprensa podia participar e assistir. Pelo silêncio do ginásio conseguia ouvir e entender tudo que era cobrado e proposto aos atletas. Passei um dia de sonho vendo aquele treino. No caderno de anotações não havia apenas anotações de jogadas, conceitos defensivos e exercícios. Acabaram surgindo pensamentos soltos sobre como podemos fazer um basquete de mais qualidade no Brasil e sobre como amo este esporte que me ensina a cada dia. E assim foi até domingo. Enquanto o canal de tv que transmitia o torneio não podia colocar o microfone para ouvir o técnico Magnano a pedido dele próprio, eu estava lá colado atrás do banco ouvindo tudo e de alguma forma confirmando cada vez mais de que se tratava de um trabalho de qualidade frente à Seleção Brasileira. Passei 4 dias mágicos de aprendizado, de muito trabalho e de motivação para minha pessoa que todo dia que coloca a cabeça no travesseiro pra dormir, pensa em conseguir trabalhar com basquete de forma cada vez mais digna. De brinde, tive a possibilidade de conhecer um pouco melhor as pessoas que fazem a equipe e comissão técnica trabalhar com mais tranquilidade. Diante das minhas funções pude conhecer melhor o trabalho do preparador físico, responsável também por ajudar na montagem da logística da seleção. O trabalho árduo do médico e fisioterapeuta que tinham naquela época a missão de recuperar o Nenê e manter a seleção nas melhores condições físicas. E o mais bacana de tudo: Ficar próximo de uma figura folclórica como o Marcão. Massagista da seleção há 17 anos, pessoa responsável por um trabalho que nem percebemos muito a sua importância muitas vezes mas que eu, por ter funções em conjunto com ele, pude notar como é fundamental ter alguém dedicado a fazer o seu melhor nesta função. Marcão era responsável pela água que os atletas bebiam, pela roupa que vestiam e por manter um bom ambiente no grupo. Tive a oportunidade de conhecê-lo melhor e no último dia, a única pessoa além de Rubén Magnano que eu quis tirar uma foto para registrar esta minha experiência nova como guia da Seleção Brasileira, foi sem dúvidas o Marcão. Com seu jeitão carioca irreverente, mas acima de tudo extremamente profissional e comprometido com a seleção. Aliás, esta foi uma marca e ótima impressão de todos que compunham a delegação brasileira me deixaram. Com todos que tive uma relação de trabalho e que em momentos conversávamos sobre a seleção no mundial, todos, sem exceções em algum momento desabafavam algo como: "Vai dar certo, Rodrigo!"
Eu e Marcão na despedida da Seleção à Brasília



Todos ali tinham um pensamento muito positivo e trabalhavam duro para ver isso acontecer. E eu que sempre tive críticas( e ainda tenho) à Confederação pelos trabalhos realizados com seleções durante diversos anos, me rendi aos profissionais que ali estavam pois pude ver de perto o desejo de todos de que este mundial realmente representasse o ressurgimento do País na modalidade.

No dia de hoje, onde os dois téncicos que mais admiro e que as duas seleções por que mais torço se enfrentam, fico a espera deste jogo histórico e que espero que seja maravilhoso. Eu torcerei fervorosamente pela Seleção Brasileira. Gravarei o jogo para assistir sem emoção depois analisando os detalhes mas acima de tudo sei que em quadra estará uma tentativa dos dois lados de jogar um basquetebol de qualidade. Um tipo de basquete que gosto. Mesmo sabendo que a seleção brasileira ainda está aprendendo a se comportar assim e tendo durante o mundial recaídas para o jogo egocêntrico, ainda acredito que este será mesmo um jogo histórico, maravilhoso e marcante para todos que assistirem.

Fico na torcida pela seleção do meu País e por profissionais que passei a admirar depois de um convívio de quatro dias. E é claro que neste dia tão especial eu deveria voltar a postar por aqui. Aproveitem o jogo!

Abraço à todos!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Formar para vencer ou formar para vir a ser?

Ainda sem muito tempo para escrever sobre meus trabalhos atuais, venho aqui migrar mais um post meu antigo de outro site. Aproveitem!

*                                                                        *                                                                          *


Considero o trabalho com basquetebol algo fascinante. Não bastasse o ensino da técnica exigir uma combinação de movimentos específicos como driblar, correr, saltar e arremessar etc. O basquetebol envolve além desses fatores, uma gama de conhecimentos específicos como noções de espaço e tempo, posicionamento de defesa, uma dualidade entre atacar e ser atacado tanto no ataque quanto na defesa (a defesa hoje em dia necessita atacar o ataque) a cada 24 segundos.




E um tipo de esporte onde tantos fatores inferem e cruzam informações simultâneas, é preciso procurar saber o que queremos passar aos nossos atletas e o que podemos alcançar com isso através dos anos.

Faço-me constantemente a mesma pergunta:


Formamos nossos jovens para tentar superar os desafios do esporte ou formamos para apenas vencer campeonatos?


Acredito que não há mal nenhum em querer vencer o campeonato, mas há mal em objetivar apenas isto em um trabalho de formação. Um esporte com extrema capacidade de variáveis dentro de quadra como brevemente citei no início deste texto, tem também, variáveis incríveis que são trabalhadas em quadra, mas inconscientemente levado para fora dela como concentração, tomada de iniciativa, espírito de grupo, perseverança, pensamento estratégico e outros tantos mais.

Quando pensamos em formação de atletas, devemos ter um pensamento amplo e buscar o aprendizado em outras esferas além da vitória apenas pela vitória. Devemos saber que precisamos dar ênfase à preparação técnica em seus fundamentos em geral, preparação tática gerando ao atleta uma melhor compreensão do jogo individual e coletivo, preparação física não apenas no que diz respeito à força e resistência, mas principalmente na base no que se refere aos atletas aprenderem a correr e se deslocar da melhor maneira (muitos atletas não têm uma boa técnica de corrida, um ótimo tema para uma futura coluna), preparação psicológica gerando um melhor conceito do atleta consigo mesmo diante do seu esforço e seus desafios, preparação coletiva propiciando que o atleta deva fazer o melhor dele para o bem do grupo, e por fim, uma formação complementar na qual envolve a relação deste atleta com sua família com seus amigos e criar um ambiente esportivo prazeroso e salutar.

Se nos voltarmos para esses tópicos, teremos em nosso campeonato a equipe campeã, mas certamente teremos não só na equipe campeã como em todas as outras equipes, a capacidade de analisar as pequenas vitórias alcançadas através dos treinamentos e jogos com o esforço dos atletas e os obstáculos superados. E assim, temos a possibilidade de mostrar que o esporte é muito mais que uma vitória ou derrota dentro de quadra. .O basquetebol é um estilo de vida que compreende variáveis levadas pro resto de sua vida. Dessa forma faremos à diferença naqueles que por ventura tiverem a chance de se tornarem jogadores profissionais e diferenciaremos também na vida daqueles que levarão o basquete como uma das melhores fases de aprendizado de sua vida. Sou fruto de professores/técnicos que trabalharam nesse ideal e só posso me dar à missão de dar continuidade neste sonho. O sonho de um basquete que não forme para apenas vencer, e sim, que forme para o atleta vir a ser alguém capaz de correr atrás de seus sonhos.

Certa vez assisti a um vídeo de uma palestra na qual tratava justamente deste tema apresentado por Ricardo Bojanich - professor/técnico argentino das categorias de base do clube Gimnasia y Esgrima da Argentina. E gostaria de finalizar esta coluna com uma frase que ele cita na qual acredito ser em resumo, o que devemos tentar criar no interior de cada atleta:

“.. abrir sua cabeça para aprender

abrir seu coração para sacrificar-se..”

Só assim acredito que podemos evoluir cada dia mais.

Fica aqui o carinhoso abraço aos atletas do Basquete Clube de Araçatuba que por meio da professora Giovana, tem acompanhado este blog aqui. Pelo pouco que vi da equipe no site, vemos que lá eles trabalham com o intuito de formar jovens para virem a ser alguém diferenciado e utilizam como ferramenta para esta formação o basquetebol. E através desta formação, eles não deixam de formar equipes também competitivas. Tão pouco tempo com este blog e já conseguimos aproximar trabalhos.
Essa é a magia do mundo virtual.

Abraço a todos.

Rodrigo Galego.

domingo, 23 de maio de 2010

Planejar garante a vitória?

Neste fim de semana a equipe que treino não conseguiu alcançar uma vaga na final da competição que disputávamos. Desde fevereiro falávamos sobre esta possibilidade. Sonhávamos juntos e treinamos pensando que seria possível uma vaga na final desta competição. Não conseguimos, mas diante deste resultado conseguimos tirar diversas lições e conclusões. Lições estas, que serão base para o restante do trabalho neste ano que ainda está mais perto do início do que do fim. Mas perder e não conseguir algo que se tentava como aconteceu nesta competição, me fez lembrar uma coluna que escrevi pra outro site ano passado. E resolvi trazê-la pra cá pra colocar esta questão. Nos planejamos apenas para vencermos ou para fazermos um trabalho melhor e com mais qualidade? Quando escrevi esta coluna, lembro-me de que eu tinha plena convicção sobre cada palavra ali colocada. Mas a prática disso tudo é desgastante e requer envolvimento. Agora tenho em meu grupo, o desafio de provarmos a nós mesmos que em nosso planejamento, estar nesta final não era tudo e sim uma de muitas metas a serem alcançadas e planejadas previamente para este ano. Estou vivendo na pele o desafio de ser o que escrevi um dia lá atrás.
Fiquem com a coluna.

*                                                                      *                                                                         *



Na maioria das vezes, ser técnico de basquete ou de esporte amador em geral é ser um abnegado que abre mão de outras coisas a se fazer na vida para conduzir um trabalho de formação no esporte que amamos. Levamos então, como o grande amigo Prof. Ronaldo Pacheco me disse certa vez, uma mistura pessoal de experiências vividas, sonhos, estudos e aprendizagem durante o tempo de trabalho com a modalidade.


No meio dessa mistura de influências que o técnico vive e constrói o seu trabalho, uma questão deve ser inabalável: o Planejamento. Este deve ser a viga que sustenta qualquer trabalho. Planejar para gerar qualidade na sua atuação, na sua informação. Existe uma diferença entre falar de improviso reagindo aos acontecimentos e preparar sua fala e ações para as situações que podem vir a acontecer. É na informação que está o caminho para a construção do seu atleta. E nesse processo de construção você transforma a informação em conhecimento. E com o conhecimento em mãos, o atleta será capaz de saber o que fazer e como fazer. Aí está a essência do técnico. Gerar informação e transformá-la em conhecimento. E o planejamento sempre vai te fazer buscar esse caminho.



Uma das características mais importantes do planejamento é a flexibilidade que ele deve ter. Durante uma temporada muitos acontecimentos mudam, opções táticas, de treinamento e de atletas com o qual você pode contar. Portanto, saber planejar é também saber que nem tudo que está no papel vai seguir a mesma seqüência. Desse modo, planejar fazendo um contínuo acompanhamento deste, faz com que você tenha uma boa condição de organizar e prever o seu trabalho, redirecionar o caminho a seguir e te oferece um feed-back mais palpável sobre o que tem sido feito. Deve-se lembrar que o planejamento se inicia por traçar objetivos, metas e é de suma importância que os mesmos não estejam colocadas acima das reais condições da sua equipe. Os objetivos devem ser desafiadores, exigirem esforços, determinação porém devem ser possíveis. Objetivos acima da capacidade de uma equipe podem gerar frustrações.

Ao planejar o técnico se depara com muitas dúvidas e questionamentos. Alguns ligados a objetivos e outros à metodologia, que são comuns a esse tipo de trabalho.

Reforço que os objetivos devem ser traçados diante das condições de trabalho que se tem. Analisar as opções de treinamento e a realidade de seu grupo de atletas pode dar um melhor sentido ao trabalho e fazer com que o grupo possa aprender através da prática do treinamento e para isso é necessário tempo. Muitas vezes o técnico numa típica ansiedade de ver o resultado acontecer, trabalha para que aquele atleta ou grupo alcance os resultados na temporada em que está acontecendo. É preciso entender que em se tratando de trabalho de formação, a evolução se dá com o tempo. Elaborar objetivos e a partir dele estabelecer metas de curto e médio prazo pode fazer com que o trabalho se torne mais efetivo.

Através dos resultados, vitórias e derrotas, busque enxergar o que seu grupo necessita para melhorar. Seja sincero com você e com seus ideais. O título passará através dos anos, mas a formação humana, cognitiva, afetiva e social que você pode dar a este atleta, jamais será esquecida. A cada acontecimento, será você técnico que será o exemplo de como reagir ao resultado. Saiba perder, saiba vencer. Saiba mostrar quando a equipe falhou muito mais que um simples erro de arbitragem. Saiba ver os pontos positivos do adversário mesmo quando o vence por mais de 30 pontos.


Seja exemplo e não apenas palavras. Cobre, elogie, questione, compreenda a dificuldade, enalteça os pontos fortes, mostre que as falhas podem ser melhoradas e que não são apenas defeitos fechados em si. Não espere que o retorno disso tudo aconteça sempre em suas mãos.
 


                Faça porque é importante fazer e não porque você colherá o fruto em troca.


Planejar é investir na qualidade do seu trabalho. E através dos anos o planejamento torna-se uma experiência para a montagem de futuras temporadas.

Abraço a todos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

6 décimos de segundo

Recentemente tive um jogo de basquete adulto em que a equipe que eu dirigia fez uma cesta faltando exato 1 segundo para o fim da partida. Os meninos comemoravam e a outra equipe havia pedido um tempo. Lembro-me que apesar da euforia, tentava racionalizar o momento e pedia concentração da equipe na defesa para não deixá-los receber em boas condições para finalizar. Lembro-me também que um atleta para motivar o grupo dizia: "Temos de marcar apenas 1 segundo!"

Mas não era bem assim, tínhamos de marcar na verdade 6 segundos. Um segundo de bola em jogo e outros cinco no qual o adversário tinha para cobrar a saída lateral. Pois bem, a equipe adversária fez uma jogada espetacular e o jogador no ar segurou a bola, arremessou e com a bola batendo na tabela, entrou de forma a  acabar com nossas esperanças e a nós ficou apenas o gostinho da virada no fim e o aprendizado que o jogo só termina quando não há mais um milésimo de segundo sequer para continuar a partida.

Chegando em casa neste dia, com uma sensação confusa de satisfação pelos jogadores terem quase virado um jogo "perdido" e a vitória que escapou de nossas mãos no segundo final, pensava e tinha ali a certeza de como esse esporte é fascinante, como ele cria momentos inesquecíveis e como te dá aprendizados automáticos.

Nesta semana recebi um vídeo sensacional. Pela Liga Adriática, o Partizan tinha 2 lances livres para sacramentar a vitória de seu time. O jogador erra os dois lances e a equipe adversária sai rápido para o ataque para tentar um chute de 3 para virar a partida. A estratégia do time funciona e a equipe do cibona vira o jogo a 6 décimos de segundo do final da partida. A equipe e comissão técnica do Cibona então invadem a quadra e se esquecem de conferir se o jogo acabou mesmo. Nenhum jogador do time do Cibona fica na marcação na meia quadra de ataque para impedir qualquer esboço de reação da equipe do Partizan.

Os árbitros então retiram rapidamente os "invasores" da quadra e liberam a bola para a cobrança do fundo bola já que a outra equipe não tinha mais pedido de tempo. O que resta então com 6 décimos de segundo?

Resta ainda uma tentativa!

E aí, com o vídeo, com as imagens e com a narração que nem precisamos entender o idioma, temos mais uma lição de que devemos nos dedicar até o último segundo, ou melhor, até o último momento de jogo.

Aproveitem a lição e acreditem sempre que tentar até o final, dando certo ou não, será sempre sua obrigação de fazer o melhor.
 Vale sempre a pena tentar!

domingo, 2 de maio de 2010

Superando os desafios


Serei sempre repetitivo em falar que o trabalho com basquetebol proporciona aprendizados além das quadras. Mas para esses aprendizados serem interiorizados em cada atleta, diversos desafios precisam ser superados dentro de quadra tanto nos treinamentos quanto no jogo.



O medo de errar talvez seja uma das maiores entraves para atletas e técnicos.

Para os atletas, se o medo de errar for maior que a vontade de aprender e se experimentar, pode causar uma dificuldade em querer aperfeiçoar seus recursos técnicos.

Quem nunca viu em um treino algum jogador sair livre para o contra-ataque pela esquerda, por exemplo, e mudar para a direita com medo de errar e garantir os pontos? A mesma situação serve invertida também para os canhotos.

Os pontos são convertidos no coletivo, mas a chance do atleta de ganhar a confiança necessária pelo lado que lhe causa desconforto é desperdiçada.

E sem notar, o atleta vai deixando de acrescentar variações em suas habilidades por confortar-se com o que já tem de muito bom. Com o tempo, os adversários vão identificando suas limitações e este vai se tornando alvo fácil de ser marcado ou anulado. Quando mais velho, vão lhe incutir uma visão reducionista de que se não aprendeu lá atrás, não aprenderá mais.

Dessa forma, percebe-se o quanto o atleta se “sabota” através do tempo de várias formas como tentarei citar em alguns exemplos:

- Aquele atleta que é bom do arremesso de longa distância e deixa de especializar e acrescentar no seu treino o trabalho de infiltrações e bandejas.

- Aquele que tem ótimo domínio e corte para infiltrar, mas que deixa de treinar incessantemente seus arremessos de curta e longa distância.

- Aquele que é um grande pontuador e deixa de dar atenção ao aprendizado em seu deslocamento em base de marcação e ser um bom marcador.

- Aquele que é amigo e divertido com todos os colegas de equipe, mas que deixa de lado a capacidade de cobrar empenho de seus companheiros e ser duro quando necessário.

- Ou aquele que é aguerrido, empenhado e que cobra de todos os companheiros de equipe, mas esquece de aproveitar os momentos de prazer que o basquete proporciona, deixa de reforçar os laços de amizade e “curtir” a alegria que é jogar basquetebol.

É impossível ao tratar deste tema, não lembrar uma frase marcante que diz algo sobre erros e acertos dita por Michael Jordan:

"Errei mais de nove mil arremessos na minha carreira. Perdi mais de 300 jogos. Em 26 ocasiões, acreditaram que eu ganharia o jogo no arremesso decisivo e errei. Fracassei, fracassei muito na minha vida. E é por isso que eu sou um vencedor."


Acima de tudo, é preciso saber que você sempre pode aprender algo e superar suas deficiências em qualquer idade. Acreditar nisso, é o primeiro passo para fazer seu trabalho e esforço valer a pena.



Ao fazer esta declaração a favor de experimentar e testar suas possibilidades sempre, não quero que seja confundido com o descompromisso de fazer qualquer coisa e alegar que está apenas tentando evoluir. Existe o momento certo de se testar e experimentar, e também existe o momento certo de praticá-lo. Muitos atletas não treinam com a devida intensidade e avidez por melhorar se guardando para o jogo.


Descobrir esse momento em que se deve testar e desafiar seus próprios limites é que traz o aprendizado necessário tanto como atleta como para a vida pessoal. Assim você passa a se conhecer melhor e entende que ter certo medo (é preciso transformar o medo em um estresse positivo) é necessário pra te deixar concentrado desde que ele não supere sua busca pela melhoria.

Lembre-se: Quando estiver em quadra, você estará representando seus companheiros que estão no banco e outros que nem escalados pro jogo foram. Precisará com o tempo saber mesclar a responsabilidade de representar seus companheiros de equipe com concentração e dedicação, mas que essa responsabilidade não se torne um peso onde o faça temer falhar.

Só essa busca por aprender a cada dia te fará crescer.

Observe em si seus maiores medos e falhas e não se martirize por isso. Todos têm limitações. O importante ao identificá-los, é conversar com seu técnico sobre como pode melhorar e começar a treinar.

Nada se compara a sensação de realização quando se consegue praticar algo fruto do próprio esforço.

E aí !? Está pronto para tentar ?

A todos que se sentiram desafiados por esta coluna a se conhecer melhor e seguir em frente independente do que aconteça, deixo-os com uma frase que gosto muito e que de tempos em tempos, leio pra lembrar que vale a pena lutar pelo que acreditamos:

“Por que devemos continuar, mesmo que todas as circunstâncias pareçam desencorajadoras? Porque pode dar certo. Mesmo que não dê totalmente certo, a simples busca de obter sucesso faz com que olhemos para frente e não para trás.”

Dale Carnegie




Abraço a todos.

domingo, 11 de abril de 2010

Um time, um objetivo, um compromisso.

Futuramente quero postar aqui comentários sobre filmes.
Existem filmes das mais diversas áreas que contribuem por demais com minha formação em educação física e tbm na área de treinamento.

Existe um filme com Al Paccino chamado "Um domingo qualquer" do ano de 1999 que abrange diversas áreas do esporte profissional e que acredito ser um bom referencial para qualquer pessoa que queira ou conviva com o esporte treinamento.

Não quero me ater ao filme em geral, mas sim a um trecho do filme em específico no qual algum fã da internet criou uma montagem no youtube e que confesso a vocês que já assisti muitas vezes em momentos que penso que posso mais.

Neste trecho do filme, Al Paccino que vive a vida de um técnico de futebol americano chamado Tony D'Amato, vê que seu time vem tendo dificuldades durante toda a temporada e a vida do técnico funde-se a história do time. D'amato vai se redescobrindo durante o filme diante das dificuldades enfrentadas e vai fazendo uma releitura de tudo que foi como pessoa até lá. Antes de começar a fase de mata mata, ele faz uma preleção com sua equipe tocando em alguns pontos cruciais pra quem tem como objetivo atingir qualquer tipo de excelência na vida principalmente em grupo. Este discurso do técnico na minha ótica, funciona para diversos tipos de grupos, desde os esportivos até os empresariais.

E por que estou aqui a citar esta passagem?

Porque ontem tive a estreia de meu time sub 17 no campeonato escolar de Brasília. Tenho tido a oportunidade e o prazer de conviver com garotos sensacionais que foram formados por um professor de basquete da cidade e meu amigo particular, chamado Professor Jonatas.

Tive a incubência desde o ano passado de dar prosseguimento a este trabalho. E tenho me redescoberto professor e técnico com estes meninos. Mas a fase neste ano é bem complicada. Assumi diversas responsabilidades profissionais e sinto que na carga horária que venho trabalhando, com eles ando me dando um certo tipo de descanso. Tenho tentado trabalhar as informações básicas, mas não sinto que tenho conseguido mexer com eles da maneira que eu acredito que consiga. Pelo menos tento não me vender a resultados e luto pra que eles entendam a mensagem que prezo em passar a cada dia de aula de que cada esforço dedicado ali nos treinamentos não são em vão.

Ontem tivemos a nossa estreia e eu sequer fiz amistosos para os meninos se sentirem mais à vontade na competição. Tivemos de lidar com todas as emoções de uma estreia ali, sem referencial de se estávamos evoluindo como grupo ou não. Naquele momento, enquanto acontecia o jogo, percebi como poderia ter potencializado mais estes meninos e o deixei de fazer em virtude de muitos compromissos novos que me sugiram este ano. Mesmo assim, estes meninos sempre me mostram de que eu posso mais como professor e de que podemos sempre mais como pessoas. Não deixaram de lutar, o nervosismo tomou conta e todos os jogadores puderam entrar e dar um pouco da sua contribuição dentro de todo o trabalho e tipo de jogo que venho pedindo à eles desde fevereiro. Independente de termos perdido a estreia, é chato quando vemos que poderíamos ter oferecido mais a nossos alunos e eu em outro momento da minha vida, teria sofrido demais com isso. Mas com o tempo e maturidade, venho descobrindo que temos sempre de nos preocupar mais com os próximos passos, do que com os passos que deixamos de dar ou com os que pisamos de mal jeito.

A minha luta agora é pra fazê-los entender de que estamos num processo de evolução e de que mesmo eu sabendo que este ano não tenho conseguido me doar a eles como acredito que é a maneira correta, tenho ao menos tentado mantê-los cientes de que nós somos o nosso próprio desafio. Tenho muita crença nisso de que nós somos capazes de resolver nossos problemas e ao mesmo tempo que possamos pensar que nós como equipe temos problemas, nós somos a nossa solução.

E hoje cedo quando acordei, após pensar bastante sobre o jogo de ontem e de que estes meninos merecem e podem mais em nosso trabalho de equipe, vim aqui ver este vídeo novamente que fala um pouco sobre isso. Nós somos os donos do nosso destino e nossa evolução está totalmente na superação de nossos próprios limites, tentando não enxergar em nossa equipe defeitos, mas sim características que podemos melhorar.

Essa é a maneira que o esporte interfere em minha vida. Quando me mostra que uma equipe de garotos ávidos pela vida têm a chance de aprenderem conceitos e valores para dentro e fora das quadras.

Fiquem com o trecho do vídeo editado que comentei e fica a sugestão de filme a vocês.

Até a próxima.


Um domingo qualquer (Any Given Sunday)
1999 - Oliver Stone



domingo, 4 de abril de 2010

Persistindo, superando e dando exemplo.

Enquanto não me organizo decentemente para colocar textos e posts sobre o que ando vivendo com o basquetebol e a educação física em geral, senti vontade de postar o vídeo de um acontecimento esportivo que considero importante e que mostra o lado que acredito ser fascinante no esporte.
O das lições através das ações.



Não tive a oportunidade de ver essa cena ao vivo, apesar de ter acompanhado as Olimpíadas de Barcelona em 1992. Mas com a internet, tive acesso a vários vídeos que narravam a história de Derek Redmond. Até as quartas de final dos 400m, ele tinha o melhor tempo e lutava por uma vaga na final. Durante a prova da semi final, Derek sente uma lesão na coxa e acaba abandonando a prova ali mesmo, agachado e não acreditando naquilo estar acontecendo.

Enquanto os outros competidores correm para completar a prova, Derek decide completar a prova mesmo lesionado e sem chances de classificar-se para a final. Derek caminha e corre mancando forçando apenas a perna não lesionada e enquanto se dirige à reta final para completar a prova, seu pai desce as arquibancadas, entra na pista e corre para completar a prova junto do filho. Derek ao ver seu pai, chora em seu ombro como se passasse naquele momento, todo o trabalho, entrega e dedicação que tiveram juntos para tentarem aquele resultado vitorioso tão esperado em qualquer atleta.

Os dois completam a prova juntos aplaudidos por todo o estádio e Derek Redmond, que sonhava estampar as notícias dos jornais como campeão olímpico, estampou os jornais com o belo e comovente exemplo que deu de profissionalismo e empenho até onde seu limite lhe permitia competir. Talvez se fosse campeão, Derek teria seus dias de glória, prêmios, mas caísse no ostracismo com o tempo. Hoje, mesmo quase 20 anos após a prova, é fácil achar um vídeo na internet sobre Derek Redmond, entre montagens caseiras à comerciais de tv, todos exaltam o exemplo que deu ao mundo. Parecendo até ser um simples gesto, mas que só ele deve saber o quanto lhe doeu físico e emocionalmente tomar essa decisão de completar a prova lesionado depois de tanto treinamento.

Esse poder que o esporte tem de ensinar através de atletas abnegados como Derek é o que me fascina e o que me faz vir aqui escrever um pouco sobre ele. Mesmo sem conhecê-lo e mesmo sabendo desta prova só anos após ela realmente ter existido, são muitos os momentos na vida e no trabalho em que sinto dificuldades, em que tenho dúvidas e que penso em Derek e seu pai para poder continuar acreditando por dias melhores. Espero que vocês tbm possam aproveitar assim como aproveito esse momento.
Mesmo não sendo fã do sensacionalismo televisivo e a forma como combinam cenas e trilha sonora para que nos sintamos emocionados, acho qualquer vídeo sobre ele valoroso devido as cenas que falam por si só. Tive a difícil tarefa de escolher um dos vídeos na internet.

Fica por fim o pensamento:

Na hora da dificuldade, em que as coisas não acontecem como se quer, muitos reclamam, outros desistem alegando impossibilidade de realizar. Mas alguns apenas cumprem o seu papel.
E estes se tornam exemplo!


Por fim... o vencedor desta prova dos 400m foi.. bem.. Não tenho a menor ideia.

Abraço à todos!


sábado, 20 de março de 2010

Isto não é sobre tênis

Desde a primeira vez que vi este comercial no youtube, já havia me decidido. O dia que tomasse coragem de ter um site/blog personalizado, eu abriria o blog com este vídeo. Pois bem, o blog foi criado e lá fui eu ter de aprender a usar movie maker e colocar legendas em vídeos. Acredito que seja o primeiro de alguns outros que quero traduzir. Na tradução tentei levar para o caminho que interpreto o vídeo. E esse caminho é um dos que mais acredito que o esporte te deixa como lição virando você jogador profissional ou não.

Toda evolução e conquista é fruto de trabalho árduo diário.

No comercial da Nike Jordan, eles colocam trechos de atletas bem sucedidos em quadra, mas colocam cenas deles antes da fama, na época do trabalho extremamente árduo, do sonho ainda não concretizado de virar um atleta profissional e o texto por si só explica a importância de enxergar o esporte além de uma simples prática motora ou esportiva.

Toda vez que vejo esta propaganda lembro de alunos/atletas que já tive e que superaram seus limites no esporte, superaram suas próprias limitações e marcas com treino, dedicação, conversa e resolução de problemas. E hoje, em suas áreas, em suas vidas pessoais e profissionais, não permitem aquele que se acomoda, são bons exemplos de profissionais comprometidos, engajados e o melhor de tudo: Não deixaram de sonhar em querer ser melhor a cada dia.

E ainda me dizem que vc só treina para ter de virar jogador senão todo o esforço não vale de nada.
Tenho provas vivas e mais que concretas de que o esporte forma muito além disso. Mas só aproveita este aprendizado quem enxerga uma oportunidade onde muitos enxergam dificuldades.

Aproveitem o vídeo. Prometo melhorar a qualidade dos próximos.

Abraços!

Iniciando os trabalhos.

Assim como na montagem de uma equipe esportiva ou mesmo em um início de ano letivo com uma turma de educação física, começar um trabalho novo dá duas sensações contrastantes. A primeira é a de empolgação, desejo de querer aprender mais e ter a certeza de que ao final daquele ano ou temporada, vc será fruto de toda aquela nova experiência. Por outro lado, existe todo aquele frio na barriga e incertezas de que caminho esse trabalho te levará a atravessar. As dúvidas de se vc conseguirá transpor as dificuldades sempre aparecem e estão ali ao seu lado todos os dias.

É assim que me sinto neste exato momento. Usar um blog com meu nome, me expor e expor minhas ideias em público, me dão a certeza de que já estou maduro o suficiente pra que possa contribuir de alguma forma positiva a esta área de esporte treinamento e educação física escolar. Mas tbm dá aquela sensação de dúvidas. Será que vão entender o que quero passar ou entrarei no grupo dos que aparentam querer aparecer?
Já estou feliz e orgulhoso por não deixar este último pensamento sabotador me vencer.

O que quero mesmo é poder expor um outro ponto de vista do esporte e de escola.
Dois aspectos visto e analisados quase que geralmente pelo senso comum.

Espero que a vc leitor, este espaço seja de grande valia.
Pq pra minha pessoa certamente será de grande aprendizado!

Vamos lá!