segunda-feira, 9 de julho de 2012

Aprender não é mágica


Recentemente estava em uma aula da minha turma de basquete da faixa etária de 8 à 12 anos.
Essa turma é uma turma muito querida e divertida. Trabalhamos com o basquete, mas nessa faixa etária é muito importante estimular o desenvolvimento motor amplo. Fazer os alunos experimentarem diversas habilidades motoras e situações. Não se pode apenas ensinar o gesto técnico do basquete. As crianças nessa idade não estão com seu programa e repertório motor finalizado (na verdade nunca estamos) e é preciso formar uma boa base motora pra que futuramente ela consiga construir melhor seus movimentos em qualquer modalidade que ela quiser praticar.


A criança precisa ser estimulada a desenvolver o máximo da habilidades e capacidades.

Pois bem, a brincadeira/desafio era lançar uma bolinha de tênis na parede e conseguir pegá-la antes dela tocar o chão. Um desafio como esse envolve diversas habilidades. Para ter êxito, a criança precisa dominar o básico do movimento do lançamento e também ter um cálculo sobre a distância entre ela e a parede, para assim, realizar o movimento de lançamento e poder se ater a habilidade de recepção, que é uma habilidade que chamamos de visual motora (envolvendo a percepção visual pelo olhar e o movimento pelas mãos). 

Com a prática muitos tiveram sucesso imediato, já outros levaram algumas tentativas para conseguirem estabilizar o movimento. E com um tempo de prática, eles já estavam se desafiando: Aumentando a distância entre eles e a parede, jogando a bola na parede, tocando as mãos no chão e pegando a bola de volta e por aí foi. 

Dei um certo tempo de prática até que notasse que eles tivessem real sucesso com as tentativas e que aquela atividade caísse no nível de interesse deles, afinal eles já conseguiam com muito sucesso a prática.

Daí fiz o seguinte desafio: "Quero ver quem consegue fazer a mesma prática lançando a bola com a mão esquerda". 

Imagem que mostra as fases da habilidade de lançar a bola, do livro
"Compreendendo o desenvolvimento motor " de Gallahue e Ozmun


Foi o bastante para mudar completamente a atividade. As crianças não tinham uma boa combinação de lançamento com a mão esquerda, o que comprometia o lançamento. E com o lançamento comprometido, a chance de pegar a bolinha em boas condições caiu bastante de possibilidade. Deixei eles praticando por um tempo e dessa vez poucos conseguiram de imediato o sucesso na realização. Outros continuavam com dificuldades de lançamento e não conseguiam perceber no que estavam errando para tentar corrigir. Fui então fazendo algumas intervenções e explicando sobre o movimento de lançamento, mas mesmo assim, precisaria de mais tempo para a evolução deles e resolvi finalizar aquela prática para refazermos em um outro momento.

Ao final dessa atividade, juntei os alunos e perguntei a eles o porquê de não terem muito sucesso na execução com a mão esquerda. E o mais surpreendente é que pareciam ter ensaiado a resposta, pois todos responderam alto e ao mesmo tempo:

"Porque somos destros!"

Nesse exato momento uma denúncia acabava de acontecer ali. A ideia de que não aprendemos as habilidades pelos dois lados porque temos apenas um lado dominante. Isso é uma grande mentira. O lado dominante existe e ele certamente te dá uma capacidade de execução, precisão e eficiência melhor, até aí tudo bem. Mas dizer que você não é capaz utilizando o lado não dominante por que não é seu lado "forte" é um grande engano. Respondi aos pequenos que eles tiveram dificuldades porque praticaram pouco, experimentaram (alguns nunca experimentaram) muito menos do que pelo lado dominante em suas vidas, e por isso a dificuldade. 

E essa é a ideia da aprendizagem motora erroneamente praticada. Aprendemos somente o que somos bons. Esse é um dado preocupante e que me faz pensar a cada dia que somos um país analfabeto motor. Nossas escolas e espaços de iniciação esportiva muitas vezes não investem numa formação motora integral. Confundimos um ensino que se dedica ao desenvolvimento com apenas brincadeiras passatempos, livre de observações e intervenções que possa potencializar o desenvolvimento de cada aluno. E acabamos por acreditar que aquele que tem uma extrema habilidade e capacidade de solucionar problemas nos jogos é "gênio". E sinceramente não acredito nisso. A pessoa pode ter uma predisposição fantástica para as habilidades motoras, mas se não tiver estímulos e vivências necessárias, não desenvolverá suas capacidades.


Neymar é um bom exemplo de uma pessoa que é tratada como detentor de uma habilidade "mágica".
Como se não fosse uma combinação de predisposição e trabalho para desenvolver.

Mas estamos no Brasil, há quatro anos de sediarmos uma Olimpíada e ainda tratamos a formação como algo mágico. Como algo onde os gênios se destacarão por natureza própria. E assim, vamos deixando de formar, não só os excepcionais, como vamos deixando de dar oportunidades de amplo desenvolvimento a tantos outros que poderiam estar mais aptos do que estão.

Confesso que quando as crianças me responderam que não conseguiam fazer a brincadeira com a mão esquerda porque eram destros, fiquei com vontade de responder a todos: 

"Vocês são destros, não são manetas!"

Há muito a ser feito nessa área em nosso país.

Espero tocar mais nesse assunto sobre o analfabetismo motor em breve.


Abraço a todos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Um conto de fatos - Parte II

A única vantagem de ficar mais de 100 dias sem postar (mentira, não há vantagem alguma!) é poder analisar friamente um acontecimento com dados mais concretos sobre o que aconteceu.


Quando deixei o blog por um "breve" período (mais de 4 meses), o assunto ainda era Jeremy Lin.


Jeremy Lin, tema destes dois últimos posts, apareceu, se firmou e deixou sua marca na NBA. Desde sua explosão vindo do banco no dia 4 de fevereiro, até seu último jogo no dia 24 de março, quando parou de jogar devido a uma lesão, Lin teve bons números. Em 26 jogos, teve uma média em torno de 19 pontos por partida. Como muitos na época de sua explosão na mídia questionaram sua capacidade de jogo, creditando muito mais valor ao seu potencial midiático do que como atleta, penso que Lin teve bons números. Não é fácil manter quase vinte pontos por partida numa liga que exige diariamente boas apresentações. Hoje, Lin é uma aposta ainda e está em negociação tanto para renovação como para outras equipes pretendentes. Independente de se saber se Lin é um jogador diferenciado ou não, o fato é que ele é um jogador que "dá conta" da liga norte americana.


Lin também foi um ótimo produto para patrocinadores, foi a segunda camisa mais vendida na temporada da NBA(na frente de Kobe Bryant e LeBron James) e foi incluso na relação das cem pessoas mais influentes no mundo. Vale ressaltar que apenas seis esportistas foram relacionados nessa lista (entre eles Leonel Messi, por exemplo) e isso mostra como o nome de Jeremy Lin foi recorrente e muito utilizado nesse primeiro semestre.

Ao mesmo tempo, é interessante ver um acontecimento desse numa liga tão profissional e que, teoricamente, é a mais preparada para observar, desenvolver e selecionar os melhores jogadores em atividade. O caso de Jeremy Lin mostra um pouco de como o "funil" existente no esporte é complexo e que nem sempre garante espaço a todos, bem diferente do que as pregações de técnicos e motivadores quando dizem que querer é poder. Sinceramente interpreto essa frase de forma bem diferente.

Em Harvard, formou-se em economia e não conseguiu espaço no draft da NBA.
Mas o que quero expor aqui nessa segunda parte, trata-se de como falamos sobre esporte no Brasil. Lin foi tratado como um ser "iluminado", como alguém que recentemente resolveu ser jogador, que passou por alguns apertos, mas que por acreditar muito e ser muito "afim" de ter "sucesso", conseguiu enfim brilhar na liga norte americana. A coisa não foi tão "bonitinha" assim. Jeremy Lin ralou bastante desde a época de escola. Um de seus técnicos conta que, em sua fase adolescente, Lin por uma época não era dedicado ao extremo, era disperso e que seu jogo melhorou quando ele decidiu focar melhor no aperfeiçoamento de seus fundamentos. Jeremy buscou um técnico para auxiliar na evolução de seu arremesso. Paralelo a isso fez faculdade de economia em Harvard e se formou com louvor.

Mas é bom deixar claro que Lin poderia não ter estourado na liga. Poderia hoje ainda estar jogando em ligas inferiores e ter seguido sua vida projetando outras ambições. Isso porque no esporte de alto nível, não cabe todos que querem. Muitos querem, têm qualidade e mesmo assim não despontam. É uma combinação de talento, oportunidades, desenvolver-se na hora certa,  manter-se focado e uma pitada de combinar esses fatores com o acompanhamento de um bom profissional e boa estrutura em volta. Mesmo assim, não é uma garantia de sucesso (aliás, o que é ter sucesso?). E caso o sucesso esperado por Lin não fosse alcançado, ele teria uma chance de seguir sua vida, um diploma em uma das universidades mais bem conceituadas no mundo.

Falo tudo isso porque o que temos no Brasil é uma realidade muito diferente, distante e posso dizer que muitas vezes triste. Além de problemas estruturais com nosso esporte, temos uma cultura que considero pobre no que diz respeito à formação esportiva. Já vi técnicos (inclusive de equipes profissionais) pedirem a seus atletas juvenis para deixarem a escola, se matricularem em um supletivo, pois assim teriam mais tempo para treinarem. Já vi atletas profissionais dando essa mesma "dica" a um grupo de jovens. No Brasil, o atleta que estuda paralelamente e tem uma boa formação é exceção.


Jobson: Sua capacidade técnica sempre foi mais valorizada do que suas atitudes como pessoa. 

No Brasil, o status de ser atleta está acima das obrigações de cidadão ou de pessoa. Se você tem potencial e pode conseguir alguns títulos, não importa muito o que você faz, como faz e se está se formando alguém melhor ou não. Escolas e universidades, em alguns casos, não dão bolsas e acompanham seus estudos, elas simplesmente dão matrículas, para que o atleta represente sua instituição, totalmente desvinculado se ele vai ter bom desempenho nos estudos ou não. Enquanto for um bom atleta, você está acima do bem e do mal. Essa, infelizmente, ainda é uma cultura muito utilizada no esporte brasileiro.


São diversos atletas de diversas modalidades, em caráter amador, que vivem de "migalhas". E pro sistema esportivo brasileiro, muitas vezes é importante viciá-los nessas migalhas, pois assim eles ficam "reféns" do esporte e topam qualquer negociação para continuar sobrevivendo, já que negligenciaram os estudos, a formação completa e agora ou jogam sob qualquer condição ou vão correr atrás de emprego sem ter estudado. Vocês têm certeza que esse é o país do futuro no esporte? 

O atleta recém draftado pelo Boston Celtics, Fabrício Melo, foi suspenso das finais da liga universitária por um simples motivo: Problema com notas. Imagina essa situação no Brasil. Seu principal jogador de defesa vai mal com notas e seu time está na fase final da liga nacional universitária. O que fariam os gestores do esporte em nosso País? Certamente algum tipo de discurso assim:

"Não podemos tirar do menino a única coisa que ele sabe fazer na vida". 



Fabrício Melo, promessa do basquete brasileiro, suspenso por problemas com notas nas finais da liga universitária.


Pois é assim que trabalhamos pros lados de cá. Se dar bem no esporte (coisa que terá um fim em breve, já que o esporte não é pra sempre) está acima de tudo. E a formação pessoal, em segundo plano.

Quando vi o "fenômeno" Jeremy Lin despontando na mídia, confesso que fiquei curioso pra ver seus jogos, suas performances, mas muito mais interessado em conhecer um pouco mais a história de sua vida. E quando olhamos, percebemos que se trata de alguém que foi formado dentro e fora das quadras. Até quando no Brasil vamos formar dentro de quadra e deixar àqueles que não despontaram como deveriam, trabalhando como segurança, cobrador de transporte público, obras e outros mais. Nada contra as profissões citadas, mas me incomodo porque acho que quando estes estavam se destacando no esporte, poderiam ter tido uma chance maior de formação integral e não apenas dentro de quadra. Esse processo hoje em dia é sabotado pelos próprios pais, que estimulam filhos a largarem a escola para se dedicarem ao esporte, num sonho completamente ilusório de que o sucesso está ali esperando. 

Os que fazem parte dessa história de sucesso são, em larga escala, a minoria dessa estatística. Para eles terem vencido na vida apenas jogando, outros diversos foram sugados dentro de quadra e depois dispensados com o singelo agradecimento pelos serviços prestados. E aí estamos, beirando uma copa do mundo, olimpíada, com o discurso do legado dos estádios, ginásios e ainda sem legados em legislação esportiva, em esporte escolar e universitário. As leis de apoio ao esporte fazem "jorrar" milhões de reais para o esporte de alto rendimento(confira aqui) e a nossa formação fica por aí, aparecendo uma vez ao ano em jogos nacionais escolares. Sinceramente é muito pouco pra um país que diz estar em pleno desenvolvimento.



O olhar que podemos utilizar para analisar o fenômeno esportivo chamado Jeremy Lin é de que, por muito pouco, ele não consegue se firmar na liga profissional norte americana. E esse estouro de popularidade não vai lhe garantir temporadas perfeitas no futuro. Lin terá de provar muito ainda para se manter como um jogador de qualidade. Isso porque o esporte é assim. É um espaço de excelência, onde a cada temporada novos valores surgem e há um reposicionamento do nível dos jogadores. Mas caso ele não venha se firmar, tem um caminho a seguir, um diploma debaixo do braço, fruto de seu esforço, seu empenho, dentro e fora das quadras, fruto de uma oportunidade que existia e que ele soube aproveitar.


Que tipo de oportunidades oferecemos aos nossos jovens atletas no Brasil de se formarem muito além das quadras? Espero sempre que possível falar mais sobre esse tema por aqui.

Aliás, espero voltar a postar com frequência por aqui.

Até a próxima.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um conto de fatos - Parte I


Quem acompanha Basquete, principalmente a liga norte americana (NBA), é bem provável que esteja sabendo de uma história fantástica que tem quebrado alguns paradigmas do esporte profissional.

Estou falando de Jeremy Lin, jogador americano de 23 anos que vem tentando a sorte na modalidade há um bom tempo e que de 5ª opção de armador no time do New York Knicks, tornou-se titular, ídolo e um jogador importante para o time alcançar 6 vitórias nos últimos 6 jogos da equipe na temporada.

Jeremy Lin conquistando seu espaço no basquete universitário.

Bom, vou contar melhor essa história pra quem ainda não conhece:

Norte americano de ascendência chinesa e taiwanesa, Lin pratica basquete desde a época de escola. Mais tarde entrou para a Universidade de Harvard para estudar economia. Harvard é reconhecida mundialmente pela sua excelência no ensino, mas a universidade não tem tradição de se firmar entre as mais reconhecidas no esporte universitário. Mesmo assim, Lin conseguiu elevar o nível de sua equipe e ter boas apresentações. Após formar-se, tentou seguir o caminho para a NBA, mas não foi escolhido por nenhuma equipe no Draft (Uma espécie de processo seletivo pra entrar na NBA).

Lin então participou de uma liga de verão feita pelas equipes da NBA, onde vários técnicos e olheiros observam jogadores ainda disponíveis no mercado para compor seu plantel. Conseguindo se sair bem, Lin recebeu propostas de algumas equipes e preferiu aceitar a equipe próxima de sua família, o Golden State Warriors. Pronto! Jeremy Lin acabara de realizar seu sonho de criança de fazer parte de uma equipe da NBA.

Mas o sonho não era tão fácil assim. Com poucas aparições em quadra e com médias baixas nos fundamentos, Lin foi dispensado no ano passado e desde então tentou conseguir uma nova equipe para jogar. Passou rapidamente pela equipe do Houston Rockets, mas também foi dispensado. No fim do ano, Lin recebeu uma proposta de ir para o New York Knicks, equipe tradicional e que recentemente após algumas trocas e contratações, montou um plantel com algumas estrelas em seu grupo. Jeremy Lin assinou um tipo de contrato para compor grupo, onde não tinha muitas garantias de continuidade.

Com pouco aproveitamento de seu jogo no fim de dezembro e no mês de janeiro, Lin foi mandado para a D-League, uma liga de desenvolvimento para os jogadores não ficarem parados e ganharem experiência. Ele fez uma única partida anotando 28 pontos, 12 assistências e 11 rebotes. Esses números chamaram a atenção dos técnicos dos Knicks, que junto de uma série de lesões da equipe, somado a uma fase tenebrosa em resultados (11 derrotas em 13 jogos), fez o jovem jogador ser reintegrado ao grupo. 

Lin tentando mais uma vez mostrar seu potencial.


No dia 4 de fevereiro, há pouquíssimo tempo atrás, Lin foi chamado no banco de reservas para entrar no jogo contra o New Jersey Nets. Neste jogo, Lin simplesmente anotou 25 pontos, distribuiu 7 assistências e pegou 5 rebotes, ajudando sua equipe a vencer a partida. Desde então, Lin conquistou a vaga de titular na equipe e já foram, como disse antes, 6 jogos com 6 vitórias, incluindo 38 pontos marcados contra o Los Angeles Lakers, de Kobe Bryant, onde a torcida e seus colegas de time pareciam não acreditar no que viam diante da performance do recém promovido a titular da equipe.


Este vídeo abaixo reúne os melhores momentos de Jeremy Lin nesta partida contra os Lakers:





Ontem, após estar perdendo por 17 pontos, o novo fenômeno de New York marcou os últimos 6 pontos de sua equipe no minuto final de partida, com direito a uma cesta decisiva no último segundo do jogo, dando a vitória a sua equipe, como você também confere aqui:




Após uma de suas espetaculares apresentações nestes 6 jogos, seu colega de equipe, Tyson Chandler, resumiu com tamanha simplicidade as atuações de seu colega dizendo: "Não é sorte, isto é real!"

O "efeito Lin" tem sido ótimo para todos. O jogador tem se tornado uma febre na internet com comentários, fotos, vídeos e posts(tudo bem, eu me rendi também!) e a NBA ganha em divulgação com uma figura fora do comum de jogador de basquete norte americano. Além disso, o mercado asiático que havia visto a aposentadoria de Yao Ming recentemente, ganha  um novo referencial e o basquete ganha espaço em mais mídias, mesmo se tratando de basquete internacional.

Mas posso me arriscar a dizer que o melhor dos efeitos que Jeremy Lin começa a despertar (afirmo isso pois estou vendo de perto acontecendo) é uma nova impressão nos jovens praticantes da modalidade. Lin é um "boa praça", de cabeça boa, que prega humildade, estudioso (levou basquete e estudo sempre lado a lado), com uma história de dedicação, garra, mas que não foram apenas cercadas de conquistas. Muito pelo contrário, pela história fantástica muito mais parecida com filmes de motivação do que com realidade, Lin terá de se firmar e lutar para confirmar seu nome e jogo a cada dia. Ainda está longe dele ter se tornado uma estrela consagrada. Entretanto posso afirmar que é muito gostoso falar de um atleta que é bom exemplo dentro e fora das quadras, que suou muito para conquistar um pouco de espaço, e que neste pouco tempo e espaço que tem tido, tem feito de tudo para ser o melhor possível.

Mesmo assim, esse "estouro" de Lin dentro e fora das quadras precisa ser analisado de forma mais ampla. É quase um crime à formação esportiva dar a entender que este acontecimento se deu como num passe de mágica. As coisas não acontecem assim de repente. Tudo é fruto de um processo de construção do próprio jogador, da estrutura esportiva que viveu e das oportunidades que teve. 

Voltarei aqui para continuar esse post que resolvi dividir em dois, tamanho o número de informações que podemos tirar de um acontecimento tão bacana como esse. 

Me despeço colocando mais um vídeo, de diversos que vi, material que li, pra poder conhecer um pouco melhor a vida de Jeremy Lin. Pra quem gosta de cenas de basquete, bons lances e acompanhados de boa trilha sonora, esse foi o que eu mais gostei.

Abraço a todos.









PS: Finalizo esse post e vejo que a equipe do New York Knicks está vencendo mais uma partida por 20 pontos de diferença, faltando apenas 4 minutos para o fim. Parece que a devoção por Lin vai continuar por mais uns dias.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na melhor das lembranças.

Difícil dormir ou pensar em algo que possa acalentar a sensação de perplexidade que toma conta desta madrugada. Resolvi então vir aqui escrever e homenagear um ex colega de trabalho, que se tornou amigo e que neste dia 3 de fevereiro, partiu de nossas vidas. 

Zé Carlos, o querido Zeca, foi um excelente parceiro de trabalho. Disposto sempre a conversar sobre diversos assuntos, foi um grande ouvinte para muitas conversas que abordavam desabafos, problemas e coisas bacanas do dia a dia. Lembro-me de alguns encontros no final do dia, onde dividíamos as dificuldades da rotina cansativa de tentar tornar disciplinas como filosofia, sociologia e educação física, que nem sempre estão no foco principal das escolas, como disciplinas de relevância na formação de nossos alunos.  

Mas as conversas foram além, por vezes curtimos e dividimos situações interessantes que ocorreram com nossos alunos e outras tantas histórias. Até nossa ansiedade por mudanças, onde queríamos mudar algo, mas que era preciso ter paciência, já que sempre enquanto professores, pregamos que as mudanças vêm aos poucos e não do dia para a noite. Foi assim que me aproximei desse excelente companheiro de jornada, que apreciava a natureza, gostava de esportes e tinha sempre disponível um sorriso receptivo para iniciar uma boa conversa. 

Não demorou muito para ser reconhecido na escola pela sua capacidade profissional. Alunos, colegas de trabalho e demais funcionários, viram que ali, por trás de suas falas sempre pertinentes e de colocações diretas e sem rodeios, estava uma pessoa capaz de fazer a diferença. E a prova disso eram as diversas citações de alunos agradecidos por transformar o ensino da filosofia em algo atraente, instigante e que gerasse alguma reflexão para a vida deles.

Dos encontros nos corredores, na sala dos professores, das discussões dos conselhos de classe, nasceu uma relação de admiração e amizade, felizmente mantida em encontros casuais quando deixamos de trabalhar juntos. 

Ao tentar racionalizar a partida de meu querido amigo Zeca, repete em minha mente uma mensagem de agradecimento por tudo o que sempre foi e que sempre me marcou em nossas conversas: Franqueza, objetividade e uma expectativa de que suas ideias gerassem questionamentos, reflexões e uma maneira diferente de ver o mundo. Zeca parte e deixa uma saudade imensa por se tratar de uma pessoa inspiradora. 

Em minhas conversas com amigos de trabalho, sempre falo que um de nossos objetivos deveria ser o de "dominar o mundo". E dominar o mundo na minha visão, nada mais é que fazer a diferença de maneira positiva a influenciar outras pessoas.

Pois bem, Zeca veio, "dominou" e partiu. Deixando pra mim, e espero que para seus colegas e ex-alunos, a certeza de que "dominar o mundo" é possível e de que, por ser possível, é preciso tentar fazê-lo.

Zeca, um abraço saudoso de um amigo que você conquistou e que sempre vai te admirar muito.






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Um bom e longo caminho pela frente.




Chegou a hora de voltar a escrever de maneira formal por aqui. Tirei o mês de Janeiro pra tentar ajeitar meus compromissos de 2012  e criar horários disponíveis para poder sentar e produzir textos que alimentem este blog. Minha ideia inicial é de publicar duas vezes por semana. Mas com o tempo e amadurecimento, sei bem que na correria do ano, muitas vezes não terei "fôlego" para conseguir manter esta meta. Até porque ainda não tenho a habilidade dos escritores e jornalistas de produzir tão rápido um texto. Levo tempo pensando em como adequar minhas ideias em palavras.


Mesmo assim, estou de volta e muito empolgado. Planejando mudar este espaço de blog para um site, com mais ferramentes e capacidade de oferecer um conteúdo melhor a todos vocês. Portanto, espero apenas ser melhor, evoluir. Quero participar mais ativamente com textos, críticas, sugestões e discussões das minhas paixões que envolvem o Basquetebol e a Educação Física em geral.

Passem por aqui mais vezes e me ajudem a fazer este espaço crescer. 


Conto com vocês!

Rodrigo Galego

 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Voltando ao blog.

Confesso que ainda não havia entrado em ritmo de voltar a postar por aqui. Mas hoje em um momento que considero infeliz meu, tive vontade novamente de postar. E são nesses momentos que percebo que nem só os acontecimentos bons nos motivam. 

Pois bem, estava eu almoçando com uma tv ligada à minha frente. Era no horário de um programa que diz falar a respeito do esporte. Eu tive a infelicidade de ver a última matéria deste programa. 

Tenho achado que estou descansado vindo das férias e com uma receptividade maior a tudo. Mas confesso que este programa passou dos limites. Venho aqui postar a matéria pra vocês e fazer um pergunta: 

Estou muito intolerante mesmo ou esse programa perdeu a noção do que é falar de esporte?

Como estão fora da temporada do futebol, sobram espaços e momentos na tv para poder falar de outros esportes, categorias e etc. Mas eles se superam! Em nome da piada, da graça e do dito "entretenimento", eles desperdiçam sempre boas oportunidades de fazer matérias interessantes. O importante é ser engraçado, expor pessoas ao ridículo e abrir mão de se falar de diversas questões interessantes que permeiam o esporte, pra mostrar pra uma população pobre de cultura esportiva que tudo é "festa".
Não tenho nada contra a alegria e o prazer. Mas tenho muita coisa contra a falta de senso de ridículo.



            

Por favor, peço que comentem caso eu esteja exagerando. Essa matéria me provou que devo passar esse ano comentando sobre essa mediocridade televisiva esportiva sempre que puder.

Abraço a todos!

sábado, 31 de dezembro de 2011

O encerramento e o recomeço.

O ano aqui no blog terminou bem mais cedo do que imaginava. Faltou "fôlego" pra entrar nessa reta final do ano postando. São muitos posts e vivências que gostaria de dividir que estão arquivadas sem serem postadas. Quem sabe com a empolgação do início do ano eu tome coragem de vir postar tudo ou pelo menos alguns posts arquivados. 


Mesmo assim gostaria de vir aqui agradecer a todos que por aqui passaram. Neste ano tomei a decisão de perder os medos de escrever e opinar sobre minhas duas paixões: Basquete e Educação Física Escolar.

E com o pouco que escrevi neste ano (pretendo postar bem mais 2012, será?) tive um retorno maravilhoso, conheci pessoas graças à este espaço e posso dizer que foi um prazer diferente e inesperado. 

Pretendo fazer algo maior para o ano que vem. Estou me articulando e pensando lançar algo este novo projeto a partir de março. Mas até lá continuarei com meus posts por aqui.

O mais importante de tudo é que neste espaço me redescobri, aprendi que podemos (e devemos) nos envolver mais com o que acreditamos e tentar fazer o melhor sempre, com dedicação, muito suor e certas vezes momentos de incerteza, insegurança e dúvidas. É disso que a vida é feita e isso que dá graça à tudo. No final das contas, acreditem em mim, o resultado disso tudo é um orgulho imenso de que se tentou fazer algo digno. Com ganhos e perdas, mas acima de tudo com aprendizados. 

Espero realmente evoluir neste espaço aqui e oferecer cada vez mais um conteúdo mais qualificado. E devo isso tudo a dois fatores: A cada um que por aqui passou e que contribuiu pra que eu acreditasse em vir aqui postar mais e aos meus alunos, atletas e colegas de trabalho(foram muitos trabalhos esse ano) que me deram a chance de aprender, discutir e tentar evoluir com eles.

Sucesso a todos em 2012 e continuem batalhando e lutando por seus ideias. Prometo fazer o mesmo daqui de onde estou!

Abraço à todos.




PS: Acho a narrativa do vídeo algo que precisaria ser debatida, pois aparenta um pouco determinista demais. Mas vale a pena pra refletir um pouco nessa época de fim de ciclo e início de tantos outros.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O início de Michael Jordan

Encontrei uma série de jogadas, dividida em dois vídeos, sobre a carreira de Michael Jordan antes de entrar para a NBA.


Nestes vídeos, são mostradas diversas jogadas na época em que defendeu a Universidade da Carolina do Norte e também quando defendeu a Seleção Olímpica de seu país.

Nos vídeos podemos notar o jogo de Michael com uma vitalidade incrível de quem queria ser alguma coisa na modalidade. Suas jogadas são muitos mais explosivas do que técnicas, mas nestes lances já é possível notar o início da formação do repertório de jogadas que Michael acabou criando e utilizando em sua carreira vitoriosa na NBA.


É sempre bom ver cenas de um atleta consagrado em momentos em que ele era apenas mais um jogador, lutando ainda para alcançar reconhecimento e vitórias para sua equipe. Isso mostra que seu talento não foi construído da noite para o dia. Michael construiu seu jogo baseado na sua história de vida, nas oportunidades que teve e na incansável luta diária de treinamento.

Esse é o desafio que temos no Brasil: De mostrar que o talento é fruto de muito trabalho e com uma construção não só de jogadas, mas de uma formação ampla que o ajuda a ser um jogador diferenciado. 


Os vídeos mostram diversas jogadas bem interessantes, não só como um pontuador, mas como um jogador que dá passes e recupera bolas para sua equipe.

Aproveitem.

Abraço à todos.





segunda-feira, 28 de novembro de 2011

One

Gosto muito desse vídeo (e música) e de diversas mensagens que ele passa.

Já o postei logo que criei esse blog, mas hoje resolvi postá-lo novamente.

Simplesmente porque ele me faz lembrar que equipe é um grupo só.

E esse mesmo grupo cai junto, levanta junto e se equilibra um no outro quando escorrega.

Sem mais.

Abraço a todos.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ter uma boa aula é direito seu.


Ter criado esse blog e o manter ativo com posts e atualizações, é uma maneira de diariamente me desafiar a livrar-me dos meus medos. Por muitos anos tinha ideias, vontade de dividir experiências, mas não confiava em meus pensamentos. Achava que dividir isso com os colegas aqui, seria uma atitude beirando a prepotência, à soberba, mesmo acreditando que meus pensamentos poderiam contribuir para a reflexão de tantos outros, ou pelo menos que se fizesse pensar sobre temas que considero relevantes na área em que atuo. 


Portanto parti para outro caminho. Tentei trabalhar minhas opiniões em meus trabalhos. Nunca abri mão de dar opinião com meus alunos, instigar os mesmos com questionamentos, provocá-los até que sentissem vontade, quase que uma necessidade, de emitir suas opiniões também. E aí foi o imenso ganho que tive. Quem é professor sabe do que estou falando. Diariamente somos colocados em situações, opinamos e vivemos experiências com os alunos que nenhum outro lugar havia conseguido até então, fazer refletir sobre tal acontecimento. É realmente um aprendizado intenso e contínuo. Muitas vezes discordo de algumas opiniões e de alguns alunos, mas acabo levando aquelas opiniões pra casa, reflito, e lá na frente, um dia, percebo que aquela fala que inicialmente havia discordado, faz sentido para explicar o pensamento daquele aluno. Hoje em dia quando discuto com um aluno, sempre gosto de deixar claro que eu entendo e respeito a opinião do aluno, mas que discordo em alguns pontos ou completamente (quando discordo de algum aluno) e tento expôr o meu ponto de vista sobre a mesma questão sem dar a entender que a minha opinião é superior ou a correta sempre. E esse tempo de troca em aulas e treinamentos esportivos, me deu uma segurança maior de vir aqui, criar um blog com meu nome e dividir experiências, sem o medo inicial de me achar confiante demais ou medo do que outros iriam pensar vindo aqui ler minhas ideias e pensamentos.


Estou a dizer tudo isso, porque acredito que uma boa formação, uma formação que faça o aluno pensar, refletir e construir seus conhecimentos, assessorado pelo professor, que também diariamente reconstrói suas ideias diante das trocas com seus alunos, é um direito que tem de ser ofertado pela minha pessoa aos meus alunos. É direito do aluno receber uma formação de qualidade, que não o direcione para um pensamento, mas que o contraponha algumas vezes, concorde em outras, mas que nunca, o desmotive a continuar buscando seu caminho, a tentar construir pensamentos concretos, lógicos e possíveis de serem tomados para sua vida. É obrigação minha oferecer conteúdo, discutir, propor, pedir desculpas quando erro, reconhecer as ideias inovadoras dos alunos, e não me confortar por estar numa posição hierárquica de "maior conhecimento".


Mas infelizmente não é isso que vejo por aí. O que tenho recebido de informações de ex alunos meus, que hoje estão em universidades buscando sua formação de qualidade, é de que existem professores, mestres e doutores acomodados, que pregam a mediocridade, que não se atualizam e que inventam na hora o que vão dar em aula, partindo do princípio de que a ignorância do aluno sobre tal disciplina, não o fará perceber que ele apenas "enrola" em sua aula. Que ele não se planeja, que ele não acrescenta e se vale do poder hierárquico docente para fazer qualquer coisa em aula. 

Acredite em mim, existem diversos professores assim. Essa semana, descobri alguns dentro da principal faculdade de Educação Física do DF (pelo menos é considerada como tal), lá descobri professores que por não ter nada planejado, baseiam suas aulas em carisma, sorrisos, e se escoram no discurso da aula democrática para deixar os alunos falando, debatendo, e não acrescentam em nada, não direcionam, não problematizam, propagando uma ideia aos futuros professores que lá estão estudando, que isso é tudo. Que dar aula assim é ser da linha da escola humanista (está muito longe disso), e é assim que eles vão levando. E sabe qual é o fim disso tudo? A história vai continuar tranquilamente. 


Tratar o aluno como um ser incapaz de lhe acrescentar algo, é agir com soberba sobre a educação.

Os alunos por não terem um senso crítico apurado deixam isso passar, "a matéria é tranquila, então beleza", se todos passarem então, melhor ainda (não estou sendo a favor da reprovação como demonstração da qualidade de ensino). No fim do semestre existe uma avaliação dos professores. E para manter o pacto da mediocridade, "não vai pegar bem eu contestar o método do professor, né? Quem sou eu para questionar o que ele passa de conhecimento?" E assim, os alunos assinam embaixo com esse tipo de aula e de professor.


Quero deixar claro que existem outros tantos professores competentes e envolvidos nesse meio, mas que por existirem esses bons profissionais, acabamos aceitando os outros que enganam, pra manter um equilíbrio de tudo. Discordo completamente dessa opção feita por todos nós. É direito seu, meu e de todos, exigirem uma formação de qualidade e um profissional que me faça pensar, que busque alternativas para se atualizar e que tenha bom senso ao planejar e dar suas aulas.

Aproveitando a fala de que é um direito seu. Venho aqui postar um vídeo excelente que fala sobre os direito humanos, com uma excelente produção e excelente texto. Pergunto ao fim deste vídeo a todos vocês:



Você tem lutado e exigido seus direitos quando está em algum processo de formação? Lembre-se: você tem direito de ter professores de qualidade. Não se sabote! Não se avalie pelo número de títulos que ele tem comparado a você. Avalie pela qualidade de sua aula e pela capacidade que ele tem de ser justo com o que programou para lecionar no semestre. Talvez a sua luta não ajude imediatamente a qualificar suas aulas, mas pode ter um impacto direto nos futuros alunos que virão a estudar por lá. Pense nisso.

Abraço a todos e fiquem com o vídeo.