quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um conto de fatos - Parte I


Quem acompanha Basquete, principalmente a liga norte americana (NBA), é bem provável que esteja sabendo de uma história fantástica que tem quebrado alguns paradigmas do esporte profissional.

Estou falando de Jeremy Lin, jogador americano de 23 anos que vem tentando a sorte na modalidade há um bom tempo e que de 5ª opção de armador no time do New York Knicks, tornou-se titular, ídolo e um jogador importante para o time alcançar 6 vitórias nos últimos 6 jogos da equipe na temporada.

Jeremy Lin conquistando seu espaço no basquete universitário.

Bom, vou contar melhor essa história pra quem ainda não conhece:

Norte americano de ascendência chinesa e taiwanesa, Lin pratica basquete desde a época de escola. Mais tarde entrou para a Universidade de Harvard para estudar economia. Harvard é reconhecida mundialmente pela sua excelência no ensino, mas a universidade não tem tradição de se firmar entre as mais reconhecidas no esporte universitário. Mesmo assim, Lin conseguiu elevar o nível de sua equipe e ter boas apresentações. Após formar-se, tentou seguir o caminho para a NBA, mas não foi escolhido por nenhuma equipe no Draft (Uma espécie de processo seletivo pra entrar na NBA).

Lin então participou de uma liga de verão feita pelas equipes da NBA, onde vários técnicos e olheiros observam jogadores ainda disponíveis no mercado para compor seu plantel. Conseguindo se sair bem, Lin recebeu propostas de algumas equipes e preferiu aceitar a equipe próxima de sua família, o Golden State Warriors. Pronto! Jeremy Lin acabara de realizar seu sonho de criança de fazer parte de uma equipe da NBA.

Mas o sonho não era tão fácil assim. Com poucas aparições em quadra e com médias baixas nos fundamentos, Lin foi dispensado no ano passado e desde então tentou conseguir uma nova equipe para jogar. Passou rapidamente pela equipe do Houston Rockets, mas também foi dispensado. No fim do ano, Lin recebeu uma proposta de ir para o New York Knicks, equipe tradicional e que recentemente após algumas trocas e contratações, montou um plantel com algumas estrelas em seu grupo. Jeremy Lin assinou um tipo de contrato para compor grupo, onde não tinha muitas garantias de continuidade.

Com pouco aproveitamento de seu jogo no fim de dezembro e no mês de janeiro, Lin foi mandado para a D-League, uma liga de desenvolvimento para os jogadores não ficarem parados e ganharem experiência. Ele fez uma única partida anotando 28 pontos, 12 assistências e 11 rebotes. Esses números chamaram a atenção dos técnicos dos Knicks, que junto de uma série de lesões da equipe, somado a uma fase tenebrosa em resultados (11 derrotas em 13 jogos), fez o jovem jogador ser reintegrado ao grupo. 

Lin tentando mais uma vez mostrar seu potencial.


No dia 4 de fevereiro, há pouquíssimo tempo atrás, Lin foi chamado no banco de reservas para entrar no jogo contra o New Jersey Nets. Neste jogo, Lin simplesmente anotou 25 pontos, distribuiu 7 assistências e pegou 5 rebotes, ajudando sua equipe a vencer a partida. Desde então, Lin conquistou a vaga de titular na equipe e já foram, como disse antes, 6 jogos com 6 vitórias, incluindo 38 pontos marcados contra o Los Angeles Lakers, de Kobe Bryant, onde a torcida e seus colegas de time pareciam não acreditar no que viam diante da performance do recém promovido a titular da equipe.


Este vídeo abaixo reúne os melhores momentos de Jeremy Lin nesta partida contra os Lakers:





Ontem, após estar perdendo por 17 pontos, o novo fenômeno de New York marcou os últimos 6 pontos de sua equipe no minuto final de partida, com direito a uma cesta decisiva no último segundo do jogo, dando a vitória a sua equipe, como você também confere aqui:




Após uma de suas espetaculares apresentações nestes 6 jogos, seu colega de equipe, Tyson Chandler, resumiu com tamanha simplicidade as atuações de seu colega dizendo: "Não é sorte, isto é real!"

O "efeito Lin" tem sido ótimo para todos. O jogador tem se tornado uma febre na internet com comentários, fotos, vídeos e posts(tudo bem, eu me rendi também!) e a NBA ganha em divulgação com uma figura fora do comum de jogador de basquete norte americano. Além disso, o mercado asiático que havia visto a aposentadoria de Yao Ming recentemente, ganha  um novo referencial e o basquete ganha espaço em mais mídias, mesmo se tratando de basquete internacional.

Mas posso me arriscar a dizer que o melhor dos efeitos que Jeremy Lin começa a despertar (afirmo isso pois estou vendo de perto acontecendo) é uma nova impressão nos jovens praticantes da modalidade. Lin é um "boa praça", de cabeça boa, que prega humildade, estudioso (levou basquete e estudo sempre lado a lado), com uma história de dedicação, garra, mas que não foram apenas cercadas de conquistas. Muito pelo contrário, pela história fantástica muito mais parecida com filmes de motivação do que com realidade, Lin terá de se firmar e lutar para confirmar seu nome e jogo a cada dia. Ainda está longe dele ter se tornado uma estrela consagrada. Entretanto posso afirmar que é muito gostoso falar de um atleta que é bom exemplo dentro e fora das quadras, que suou muito para conquistar um pouco de espaço, e que neste pouco tempo e espaço que tem tido, tem feito de tudo para ser o melhor possível.

Mesmo assim, esse "estouro" de Lin dentro e fora das quadras precisa ser analisado de forma mais ampla. É quase um crime à formação esportiva dar a entender que este acontecimento se deu como num passe de mágica. As coisas não acontecem assim de repente. Tudo é fruto de um processo de construção do próprio jogador, da estrutura esportiva que viveu e das oportunidades que teve. 

Voltarei aqui para continuar esse post que resolvi dividir em dois, tamanho o número de informações que podemos tirar de um acontecimento tão bacana como esse. 

Me despeço colocando mais um vídeo, de diversos que vi, material que li, pra poder conhecer um pouco melhor a vida de Jeremy Lin. Pra quem gosta de cenas de basquete, bons lances e acompanhados de boa trilha sonora, esse foi o que eu mais gostei.

Abraço a todos.









PS: Finalizo esse post e vejo que a equipe do New York Knicks está vencendo mais uma partida por 20 pontos de diferença, faltando apenas 4 minutos para o fim. Parece que a devoção por Lin vai continuar por mais uns dias.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na melhor das lembranças.

Difícil dormir ou pensar em algo que possa acalentar a sensação de perplexidade que toma conta desta madrugada. Resolvi então vir aqui escrever e homenagear um ex colega de trabalho, que se tornou amigo e que neste dia 3 de fevereiro, partiu de nossas vidas. 

Zé Carlos, o querido Zeca, foi um excelente parceiro de trabalho. Disposto sempre a conversar sobre diversos assuntos, foi um grande ouvinte para muitas conversas que abordavam desabafos, problemas e coisas bacanas do dia a dia. Lembro-me de alguns encontros no final do dia, onde dividíamos as dificuldades da rotina cansativa de tentar tornar disciplinas como filosofia, sociologia e educação física, que nem sempre estão no foco principal das escolas, como disciplinas de relevância na formação de nossos alunos.  

Mas as conversas foram além, por vezes curtimos e dividimos situações interessantes que ocorreram com nossos alunos e outras tantas histórias. Até nossa ansiedade por mudanças, onde queríamos mudar algo, mas que era preciso ter paciência, já que sempre enquanto professores, pregamos que as mudanças vêm aos poucos e não do dia para a noite. Foi assim que me aproximei desse excelente companheiro de jornada, que apreciava a natureza, gostava de esportes e tinha sempre disponível um sorriso receptivo para iniciar uma boa conversa. 

Não demorou muito para ser reconhecido na escola pela sua capacidade profissional. Alunos, colegas de trabalho e demais funcionários, viram que ali, por trás de suas falas sempre pertinentes e de colocações diretas e sem rodeios, estava uma pessoa capaz de fazer a diferença. E a prova disso eram as diversas citações de alunos agradecidos por transformar o ensino da filosofia em algo atraente, instigante e que gerasse alguma reflexão para a vida deles.

Dos encontros nos corredores, na sala dos professores, das discussões dos conselhos de classe, nasceu uma relação de admiração e amizade, felizmente mantida em encontros casuais quando deixamos de trabalhar juntos. 

Ao tentar racionalizar a partida de meu querido amigo Zeca, repete em minha mente uma mensagem de agradecimento por tudo o que sempre foi e que sempre me marcou em nossas conversas: Franqueza, objetividade e uma expectativa de que suas ideias gerassem questionamentos, reflexões e uma maneira diferente de ver o mundo. Zeca parte e deixa uma saudade imensa por se tratar de uma pessoa inspiradora. 

Em minhas conversas com amigos de trabalho, sempre falo que um de nossos objetivos deveria ser o de "dominar o mundo". E dominar o mundo na minha visão, nada mais é que fazer a diferença de maneira positiva a influenciar outras pessoas.

Pois bem, Zeca veio, "dominou" e partiu. Deixando pra mim, e espero que para seus colegas e ex-alunos, a certeza de que "dominar o mundo" é possível e de que, por ser possível, é preciso tentar fazê-lo.

Zeca, um abraço saudoso de um amigo que você conquistou e que sempre vai te admirar muito.






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Um bom e longo caminho pela frente.




Chegou a hora de voltar a escrever de maneira formal por aqui. Tirei o mês de Janeiro pra tentar ajeitar meus compromissos de 2012  e criar horários disponíveis para poder sentar e produzir textos que alimentem este blog. Minha ideia inicial é de publicar duas vezes por semana. Mas com o tempo e amadurecimento, sei bem que na correria do ano, muitas vezes não terei "fôlego" para conseguir manter esta meta. Até porque ainda não tenho a habilidade dos escritores e jornalistas de produzir tão rápido um texto. Levo tempo pensando em como adequar minhas ideias em palavras.


Mesmo assim, estou de volta e muito empolgado. Planejando mudar este espaço de blog para um site, com mais ferramentes e capacidade de oferecer um conteúdo melhor a todos vocês. Portanto, espero apenas ser melhor, evoluir. Quero participar mais ativamente com textos, críticas, sugestões e discussões das minhas paixões que envolvem o Basquetebol e a Educação Física em geral.

Passem por aqui mais vezes e me ajudem a fazer este espaço crescer. 


Conto com vocês!

Rodrigo Galego

 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Voltando ao blog.

Confesso que ainda não havia entrado em ritmo de voltar a postar por aqui. Mas hoje em um momento que considero infeliz meu, tive vontade novamente de postar. E são nesses momentos que percebo que nem só os acontecimentos bons nos motivam. 

Pois bem, estava eu almoçando com uma tv ligada à minha frente. Era no horário de um programa que diz falar a respeito do esporte. Eu tive a infelicidade de ver a última matéria deste programa. 

Tenho achado que estou descansado vindo das férias e com uma receptividade maior a tudo. Mas confesso que este programa passou dos limites. Venho aqui postar a matéria pra vocês e fazer um pergunta: 

Estou muito intolerante mesmo ou esse programa perdeu a noção do que é falar de esporte?

Como estão fora da temporada do futebol, sobram espaços e momentos na tv para poder falar de outros esportes, categorias e etc. Mas eles se superam! Em nome da piada, da graça e do dito "entretenimento", eles desperdiçam sempre boas oportunidades de fazer matérias interessantes. O importante é ser engraçado, expor pessoas ao ridículo e abrir mão de se falar de diversas questões interessantes que permeiam o esporte, pra mostrar pra uma população pobre de cultura esportiva que tudo é "festa".
Não tenho nada contra a alegria e o prazer. Mas tenho muita coisa contra a falta de senso de ridículo.



            

Por favor, peço que comentem caso eu esteja exagerando. Essa matéria me provou que devo passar esse ano comentando sobre essa mediocridade televisiva esportiva sempre que puder.

Abraço a todos!

sábado, 31 de dezembro de 2011

O encerramento e o recomeço.

O ano aqui no blog terminou bem mais cedo do que imaginava. Faltou "fôlego" pra entrar nessa reta final do ano postando. São muitos posts e vivências que gostaria de dividir que estão arquivadas sem serem postadas. Quem sabe com a empolgação do início do ano eu tome coragem de vir postar tudo ou pelo menos alguns posts arquivados. 


Mesmo assim gostaria de vir aqui agradecer a todos que por aqui passaram. Neste ano tomei a decisão de perder os medos de escrever e opinar sobre minhas duas paixões: Basquete e Educação Física Escolar.

E com o pouco que escrevi neste ano (pretendo postar bem mais 2012, será?) tive um retorno maravilhoso, conheci pessoas graças à este espaço e posso dizer que foi um prazer diferente e inesperado. 

Pretendo fazer algo maior para o ano que vem. Estou me articulando e pensando lançar algo este novo projeto a partir de março. Mas até lá continuarei com meus posts por aqui.

O mais importante de tudo é que neste espaço me redescobri, aprendi que podemos (e devemos) nos envolver mais com o que acreditamos e tentar fazer o melhor sempre, com dedicação, muito suor e certas vezes momentos de incerteza, insegurança e dúvidas. É disso que a vida é feita e isso que dá graça à tudo. No final das contas, acreditem em mim, o resultado disso tudo é um orgulho imenso de que se tentou fazer algo digno. Com ganhos e perdas, mas acima de tudo com aprendizados. 

Espero realmente evoluir neste espaço aqui e oferecer cada vez mais um conteúdo mais qualificado. E devo isso tudo a dois fatores: A cada um que por aqui passou e que contribuiu pra que eu acreditasse em vir aqui postar mais e aos meus alunos, atletas e colegas de trabalho(foram muitos trabalhos esse ano) que me deram a chance de aprender, discutir e tentar evoluir com eles.

Sucesso a todos em 2012 e continuem batalhando e lutando por seus ideias. Prometo fazer o mesmo daqui de onde estou!

Abraço à todos.




PS: Acho a narrativa do vídeo algo que precisaria ser debatida, pois aparenta um pouco determinista demais. Mas vale a pena pra refletir um pouco nessa época de fim de ciclo e início de tantos outros.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O início de Michael Jordan

Encontrei uma série de jogadas, dividida em dois vídeos, sobre a carreira de Michael Jordan antes de entrar para a NBA.


Nestes vídeos, são mostradas diversas jogadas na época em que defendeu a Universidade da Carolina do Norte e também quando defendeu a Seleção Olímpica de seu país.

Nos vídeos podemos notar o jogo de Michael com uma vitalidade incrível de quem queria ser alguma coisa na modalidade. Suas jogadas são muitos mais explosivas do que técnicas, mas nestes lances já é possível notar o início da formação do repertório de jogadas que Michael acabou criando e utilizando em sua carreira vitoriosa na NBA.


É sempre bom ver cenas de um atleta consagrado em momentos em que ele era apenas mais um jogador, lutando ainda para alcançar reconhecimento e vitórias para sua equipe. Isso mostra que seu talento não foi construído da noite para o dia. Michael construiu seu jogo baseado na sua história de vida, nas oportunidades que teve e na incansável luta diária de treinamento.

Esse é o desafio que temos no Brasil: De mostrar que o talento é fruto de muito trabalho e com uma construção não só de jogadas, mas de uma formação ampla que o ajuda a ser um jogador diferenciado. 


Os vídeos mostram diversas jogadas bem interessantes, não só como um pontuador, mas como um jogador que dá passes e recupera bolas para sua equipe.

Aproveitem.

Abraço à todos.





segunda-feira, 28 de novembro de 2011

One

Gosto muito desse vídeo (e música) e de diversas mensagens que ele passa.

Já o postei logo que criei esse blog, mas hoje resolvi postá-lo novamente.

Simplesmente porque ele me faz lembrar que equipe é um grupo só.

E esse mesmo grupo cai junto, levanta junto e se equilibra um no outro quando escorrega.

Sem mais.

Abraço a todos.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ter uma boa aula é direito seu.


Ter criado esse blog e o manter ativo com posts e atualizações, é uma maneira de diariamente me desafiar a livrar-me dos meus medos. Por muitos anos tinha ideias, vontade de dividir experiências, mas não confiava em meus pensamentos. Achava que dividir isso com os colegas aqui, seria uma atitude beirando a prepotência, à soberba, mesmo acreditando que meus pensamentos poderiam contribuir para a reflexão de tantos outros, ou pelo menos que se fizesse pensar sobre temas que considero relevantes na área em que atuo. 


Portanto parti para outro caminho. Tentei trabalhar minhas opiniões em meus trabalhos. Nunca abri mão de dar opinião com meus alunos, instigar os mesmos com questionamentos, provocá-los até que sentissem vontade, quase que uma necessidade, de emitir suas opiniões também. E aí foi o imenso ganho que tive. Quem é professor sabe do que estou falando. Diariamente somos colocados em situações, opinamos e vivemos experiências com os alunos que nenhum outro lugar havia conseguido até então, fazer refletir sobre tal acontecimento. É realmente um aprendizado intenso e contínuo. Muitas vezes discordo de algumas opiniões e de alguns alunos, mas acabo levando aquelas opiniões pra casa, reflito, e lá na frente, um dia, percebo que aquela fala que inicialmente havia discordado, faz sentido para explicar o pensamento daquele aluno. Hoje em dia quando discuto com um aluno, sempre gosto de deixar claro que eu entendo e respeito a opinião do aluno, mas que discordo em alguns pontos ou completamente (quando discordo de algum aluno) e tento expôr o meu ponto de vista sobre a mesma questão sem dar a entender que a minha opinião é superior ou a correta sempre. E esse tempo de troca em aulas e treinamentos esportivos, me deu uma segurança maior de vir aqui, criar um blog com meu nome e dividir experiências, sem o medo inicial de me achar confiante demais ou medo do que outros iriam pensar vindo aqui ler minhas ideias e pensamentos.


Estou a dizer tudo isso, porque acredito que uma boa formação, uma formação que faça o aluno pensar, refletir e construir seus conhecimentos, assessorado pelo professor, que também diariamente reconstrói suas ideias diante das trocas com seus alunos, é um direito que tem de ser ofertado pela minha pessoa aos meus alunos. É direito do aluno receber uma formação de qualidade, que não o direcione para um pensamento, mas que o contraponha algumas vezes, concorde em outras, mas que nunca, o desmotive a continuar buscando seu caminho, a tentar construir pensamentos concretos, lógicos e possíveis de serem tomados para sua vida. É obrigação minha oferecer conteúdo, discutir, propor, pedir desculpas quando erro, reconhecer as ideias inovadoras dos alunos, e não me confortar por estar numa posição hierárquica de "maior conhecimento".


Mas infelizmente não é isso que vejo por aí. O que tenho recebido de informações de ex alunos meus, que hoje estão em universidades buscando sua formação de qualidade, é de que existem professores, mestres e doutores acomodados, que pregam a mediocridade, que não se atualizam e que inventam na hora o que vão dar em aula, partindo do princípio de que a ignorância do aluno sobre tal disciplina, não o fará perceber que ele apenas "enrola" em sua aula. Que ele não se planeja, que ele não acrescenta e se vale do poder hierárquico docente para fazer qualquer coisa em aula. 

Acredite em mim, existem diversos professores assim. Essa semana, descobri alguns dentro da principal faculdade de Educação Física do DF (pelo menos é considerada como tal), lá descobri professores que por não ter nada planejado, baseiam suas aulas em carisma, sorrisos, e se escoram no discurso da aula democrática para deixar os alunos falando, debatendo, e não acrescentam em nada, não direcionam, não problematizam, propagando uma ideia aos futuros professores que lá estão estudando, que isso é tudo. Que dar aula assim é ser da linha da escola humanista (está muito longe disso), e é assim que eles vão levando. E sabe qual é o fim disso tudo? A história vai continuar tranquilamente. 


Tratar o aluno como um ser incapaz de lhe acrescentar algo, é agir com soberba sobre a educação.

Os alunos por não terem um senso crítico apurado deixam isso passar, "a matéria é tranquila, então beleza", se todos passarem então, melhor ainda (não estou sendo a favor da reprovação como demonstração da qualidade de ensino). No fim do semestre existe uma avaliação dos professores. E para manter o pacto da mediocridade, "não vai pegar bem eu contestar o método do professor, né? Quem sou eu para questionar o que ele passa de conhecimento?" E assim, os alunos assinam embaixo com esse tipo de aula e de professor.


Quero deixar claro que existem outros tantos professores competentes e envolvidos nesse meio, mas que por existirem esses bons profissionais, acabamos aceitando os outros que enganam, pra manter um equilíbrio de tudo. Discordo completamente dessa opção feita por todos nós. É direito seu, meu e de todos, exigirem uma formação de qualidade e um profissional que me faça pensar, que busque alternativas para se atualizar e que tenha bom senso ao planejar e dar suas aulas.

Aproveitando a fala de que é um direito seu. Venho aqui postar um vídeo excelente que fala sobre os direito humanos, com uma excelente produção e excelente texto. Pergunto ao fim deste vídeo a todos vocês:



Você tem lutado e exigido seus direitos quando está em algum processo de formação? Lembre-se: você tem direito de ter professores de qualidade. Não se sabote! Não se avalie pelo número de títulos que ele tem comparado a você. Avalie pela qualidade de sua aula e pela capacidade que ele tem de ser justo com o que programou para lecionar no semestre. Talvez a sua luta não ajude imediatamente a qualificar suas aulas, mas pode ter um impacto direto nos futuros alunos que virão a estudar por lá. Pense nisso.

Abraço a todos e fiquem com o vídeo.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De que vexame estamos falando?

Mais uma vez escrevo um texto discordando das definições da mídia sobre o esporte. Dessa vez, era cobertura do Parapanamericano em Guadalajara. A matéria trazia resultados expressivos do Brasil que acabou sendo o vencedor no quadro geral de medalhas. Mas para "ensinar" um pouco mais sobre esporte, o repórter traz uma cobertura dos jogos de basquete onde o Brasil enfrentou a Argentina no masculino e feminino. No primeiro jogo, o Brasil perdeu de 24 pontos de diferença. E o repórter trata aquela derrota como vexame. Assistam o vídeo, por favor:

                          

Me perdoem o desabafo por aqui. Mas quem somos nós pra falarmos de vexame de esportistas amadores no Brasil? O que o nosso país oferece para estes atletas se superarem a atingirem resultados expressivos? E olha que estamos falando o país primeiro colocado no quadro de medalhas do Parapan.

Será que estes atletas abririam mão de sua participação porque ela seria permeada por um "vexame"? Pra mim apenas uma total falta de conhecimento da modalidade, na qual perder por uma diferença de 24 pontos não significa vexame, vergonha ou coisa parecida. Já perdi jogos de 30 pontos ou mais e consegui perceber que meus atletas haviam se superado e feito uma partida incrível. Mas essa é a opinião popular, que só valoriza o ápice, a vitória, custe o que custar. Triste realidade em que me decidi que de agora em diante, quando perceber que algo do tipo anda sendo veiculado, virei aqui tentar questionar se é isso mesmo que entendemos como vexame ou coisa que o valha.

Vexame é o que aconteceu (e ainda está acontecendo) aqui em Brasília no Mundial de Patinação. Os mais de mil atletas de 32 países têm a disposição deles um ônibus e uma van para participarem da competição. Além disso, devido as chuvas na cidade, o ginásio Nilson Nelson foi tomado por goteiras no meio da pista que foram "remediadas" com baldes, mas que acabaram por cancelar disputas, tamanha a chuva "inesperada" para esta época. O ginásio também foi tomado por mosquitos e ao tentar se tratar de forma emergencial esta questão, a empresa chamada para consertar a cobertura se negou a prestar serviço, devido a antigo calote realizado pelo Governo do DF. Os banheiros da competição são sujos, sem papel higiênico e onde deveria se ter uma estrutura para alimentação de atletas e delegações, existe um barzinho vendendo "lanches". Isso está acontecendo no 56º Campeonato Mundial de Patinação, se você mora em Brasília, vá lá conferir e se indignar.

Clique aqui se você quer saber um pouco mais sobre o que é dar vexame.


Vexame é fazer isso com o nome do Brasil. Vexame é tratar o esporte como uma atividade de brincadeira, encostada na lista de prioridades de formação humana. Vexame maior está ao lado do Nilson Nelson, com o ginásio Claudio Coutinho "entregue às baratas", espaços públicos esportivos enferrujando, escolas por todo o Brasil com quadras destroçadas, mal conservadas e com números gigantescos de crianças participando de projetos sociais nos sites do governo como se tudo estivesse evoluindo e bem.

Vexame é tratar o Ministério do Esporte como cabide de empregos como foi feito nos últimos anos, vexame é o governador do DF não ir a abertura da competição de patinação aqui citada, neste domingo, com medo de ser vaiado ou receber duras críticas e cobranças.

Vexame é brincar de governar, gastar milhões com assessores. Vexame é falar que somos o país do futebol com uma diversidade imensa que temos em nosso país (Graças a Deus!). Vexame é gastar milhões com esporte de alto rendimento e não gastar nem perto do mesmo montante com o esporte de formação, com formação de professores capacitados.

E eu ainda tenho de assistir uma matéria vendo cadeirantes brasileiros (já trabalhei com esta modalidade e sei a dificuldade que eles passam) perderem um jogo e serem rebaixados como atletas que em uma dia de disputa deram um vexame para o nosso Brasil.





sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entre aulas e piadas.

Era uma aula de Educação Física no início do ano, e sempre de início, é preciso se preocupar com algumas tarefas importantes que precisam ser pontuadas em aula. Umas das principais tarefas no início do ano que vejo nas aulas desta disciplina, é o fato de ir, aos poucos, formando um conceito do que vai ser trabalhado durante todo o ano na escola. Sempre acontece de entrarem alunos novos e muitos ainda estarem se conhecendo. Neste caso que vou contar, eu também era professor novo, e aí existe um ingrediente a mais, pois quando somos novos no ambiente de trabalho, temos também de vencer a questão da imagem do professor de Educação Física na escola. É preciso vencer a imagem de que também temos algo a oferecer como conteúdo (tema para futuro post), que damos aula e não apenas rolamos a bola (infelizmente acontece demais por aí) para todos jogarem se "se divertirem" (nem todos se divertem e aprendem algo nesse formato).

Uma aula decente de Educação Física é feita de práticas e momentos de conversa e reflexão também.


Pois bem, além de conhecer os alunos, entender que ainda estão se conhecendo e superar a ideia de que na nossa área não se dá aula e apenas se recreia, era preciso superar outras questões. Quando tratamos de jogos, esportivos ou não, o que acontece nas aulas são situações riquíssimas para serem trabalhadas. Nem todas são muito positivas. É muito comum os alunos agirem de forma preconceituosa, egoísta e corporativa (no sentido pejorativo da palavra). Muitos alunos expõem tranquilamente que não querem ficar em determinada equipe, pois aquela equipe é mais fraca ou porque determinados jogadores são piores e irão atrapalhar seu rendimento. Essa situação é muito comum, mais evidente entre os mais novos, talvez pela ingenuidade e total franqueza, e um pouco mais velada entra os mais velhos.

Não é tão simples "negociar" durante as aulas nestas situações. Mas sempre tento mostrar que aquela equipe é composta por diferentes pessoas de diferentes tipos de habilidades. Que quem reclama também tem seus defeitos e que seria interessante todos trabalharem uma habilidade em comum, que seria a habilidade de organização, posicionando, se comunicando e extraindo o melhor de cada um para um rendimento proveitoso da equipe. Mas pelo tempo de trabalho e experiências vividas, sempre gosto de deixar claro aos alunos que organizar-se e tentar fazer o melhor não significa que irá vencer. Neste tempo de aula, muitos alunos já se esforçaram ao máximo, deram uma chance para o meu discurso e fizeram o máximo para tentar vencer. Mas como muito de praxe acontecia, aquela equipe que não vencia ou que não conseguia colocar 100% em prática do que havia combinado, justificava a antiga reclamação pra mim:

"Tá vendo, professor!? Eu não te falei que não ia dar certo? Não jogamos nada, não vencemos e você nos colocou em uma equipe mais fraca!"

É importante fazer com que os alunos percebam que o jogo vai além do resultado


Essa situação é riquíssima, pois é neste exato momento que posso falar sobre alguns valores importantes que acontecem na aulas de Educação Física. Primeiramente falo de que não podemos julgar a aula ou jogo se foi bom ou não pelo resultado. "Se venceu, foi ótima a aula, se perdeu, foi tudo uma desgraça!" É preciso superar mais uma vez esse discurso. E em consequência disso gosto de falar que é importante enxergar o processo de tudo o que aconteceu. Quais foram as falhas na organização? O que faltou para transformar as ideias criadas em boas práticas? E o adversário? Não teve seu méritos?

Enfim, tudo isso pra dizer que a discussão que sai disso tudo é muito proveitosa se você tiver paciência para lidar com essa fase da maturidade de seus alunos. É você o responsável e a pessoa mais madura naquela aula (na teoria seria você) para poder ouvir as opiniões, reclamações e discordâncias, para tentar tirar algo daquilo tudo. Isso sim é trabalhar o esporte, o jogo e a aula de Educação Física em algo formador de opinião crítica e educacional.

A intervenção do professor pode ser o diferencial.
Muitos professores colocam a culpa no esporte por este tipo de pensamento e eu acho uma grande inverdade. Isso é um senso comum, uma distorção existente. E a prova disso é que diversos adultos, pessoas ditas equilibradas e sensatas, quando se encontram em uma atividade de jogo e confronto, acabam atuando e se comportando da mesma maneira, alegando que o esporte permite este tipo de destrato, preconceito e destempero. Eu condeno completamente isso e credito muito disso à nossa cultura. A maneira folclórica como tratamos o jogo e o esporte. Essa é a maneira como infelizmente nossa área é vista. Como uma grande brincadeira e não como uma extensão da nossa formação humana.

Nesta turma em que eu era novo na escola, certa vez uma equipe que dividi para o jogo, veio reclamar comigo dizendo que não iam nem ter chance de jogar e que aquela partida seria como se uma equipe da Série D fosse enfrentar uma da Série A do campeonato brasileiro de futebol. Gostei do exemplo deles e fui além. Perguntei se eles se lembravam do que havia acontecido no mundial interclubes de futebol meses antes, onde uma equipe desconhecida chama Mazembe, venceu a equipe do Internacional de Porto Alegre e foi fazer a final do mundial de clubes contra a Inter de Milão. Aqueles que mais reclamavam e se achavam injustiçados foram se calando e ficaram pensativos, os que sofriam o preconceito de serem indiretamente chamados de "perna de pau", foram se soltando e lembrando que a equipe havia superado e feito o contrário do que esperavam dela. 

Tentei usar a equipe do Mazembe como inspiração para uma boa reflexão.

Fui um pouco além e contei que assisti o jogo e que o que me surpreendeu mais do que a vitória sobre o Inter de Porto Alegre, foi o fato deles entrarem para a final extremamente confiantes na vitória também contra o Inter de Milão. Na final eles perderam por 3x0, mas ao meu ver, eles tentaram ao máximo vencer aquela partida, até de forma atabalhoada tentando cavar penalidades máximas, mas acima de tudo, haviam se dado a chance de fazer o melhor deles e superar seus limites. E dentro desta proposta, fizeram história como a primeira equipe fora do eixo América-Europa a disputar uma final do Mundial de Clubes.

Chegando em casa após aquela aula, fui na internet procurar algum vídeo que falasse sobre a participação do Mazembe no Mundial para passar aos alunos. Ao procurar, achei este onde me mostrava uma outra leitura daquela final. Uma leitura que considero pobre e midiática. A leitura de que o esporte é uma grande piada. Nada contra as piadas, mas muito contra a só conseguirem falar de esporte hoje em dia nesse formato. Naquela hora pensei que meus alunos naquela turma são muito mais vítimas do que responsáveis por pensarem daquela forma preconceituosa, acreditando piamente que não valia de nada o esforço quando pensavam que perderiam fácil. É claro, eles são "bombardeados" por este tipo de informação diariamente e nossa cultura adora valorizar o folclore ao invés de tratar o esporte como uma das formas de instruir o nosso povo que tanto carece de boa informação. 

Aqui o vídeo onde eu acreditava que poderia ajudar os alunos a pensarem criticamente sobre a ideia deles:


Nossa!!! A culpa então de tudo isso é da mídia, da imprensa? É claro que não! Mas só quero mostrar como há poucos anos de sediar os mais importantes eventos esportivos em nosso País, não nos preocupamos em formar gerações que entendam melhor sobre formação pessoal, esportiva e profissional. Isso acontece na tv, mas isso também acontece por demais nas escolas, nas ruas e em todo quase todo lugar. "Pra que me esforçar se as chances de vencer é pequena?" É um pensamento que criticamos, mas que por diversas vezes praticamos sem notar. E o esporte, logo ele tão criticado nas escolas, poderiam e deveriam trabalhar melhor estas questões como forma de educação.

E vocês? O que acharam deste vídeo? Confesso que não gostei muito e é por isso que tenho procurado fazer outras coisas no horário do almoço que não seja assistir tv.

Venho aqui em breve falar um pouco mais sobre essa nova moda do "Piadinha Esporte Clube"

Abraço à todos.